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ser-para-si

domingo 12 de dezembro de 2021

Por vezes o pensamento se aconchegou ao conceito de que muito acima do particularismo ciumento e excludente das coisas finitas se elevaria o princípio imparcial e majestático do Ser. O Ser seria a justiça por sobre a injustiça cavilosa e mal-querente dos entes individuais. O Ser seria efusão e não infusão. Uma vontade que se quisesse unicamente a si mesma, uma paixão de si, não seria qualidade atribuível ao fundo secreto das coisas. Não poderíamos, entretanto, abandonando uma certa representação moralizante do Ser, pensá-lo também como Ser-para-si, como um querer-si-mesmo, como Ser in-fusivo ou, como diria Hegel  , “um todo refletido em si mesmo”? Com efeito, eis como o grande filósofo define a norma de uma tal realidade: – “o Ser-para-si mantém um comportamento polêmico e negativo em relação ao outro limitante e através dessa Negação constitui-se num todo refletido em si mesmo”. Existe, portanto, nessa modalidade de ser um infinito impulso de superação da alteridade, uma introversão do outro, uma atração de tudo para o seu próprio campo. Discutindo esse tema alude Hegel   à monadologia de Leibniz  , na qual comparece cada mônada como um exemplo desse ser-para-si mesmo. Nesse sistema, a alteridade é superada. Se cada mônada constitui uma força de representação autônoma e negadora [121] da alteridade, Leibniz   vê-se compelido a mitigar a introvertência desses pontos metafísicos para explicar a harmonia das representações existentes entre as diversas mônadas. E ao ser-para-si da consciência representativa deve-se adicionar a ideia de uma Monada Monadorum. De um modo absoluto, na unidade sobrecolhedora do ser-para-si, o Outro só pode se manifestar como “outro superado”, como outro negado, como o momento já assimilado e transformado no interior de uma realidade fechada. A capacidade interna de negação de um modo refletido em-si-mesmo deve ser infinita e ilimitada. Qualquer limite ou alteridade é imediatamente ultrapassado e transformado na própria norma inerente ao sistema e, em consequência, posto em relação com a unidade fechada em si mesma. [VFSTM  :121-122]