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o todo

domingo 17 de outubro de 2021

A inteligência? (pelo que dela entreluzo) começa sempre por conceber? um todo: só posteriormente é que pensa as partes, pensando-as como partes desse mesmo? todo, — compreendendo-as no todo previamente dado?. Parte?-se de um todo que depois se retoca. Se começo? a enunciar? uma certa frase?, o todo? preexiste no meu intelecto?: quando não, nunca se ligaria o final com o início, e a frase não chegaria a formar sentido?. De maneira análoga, quando nós emitimos qualquer juízo? — por exemplo?: «a gaivota voa» —, não há? nesse ato? (como pensa a lógica? do velho Aristóteles) primeiro? a ideia? da gaivota mais a ideia de voadora, só depois conectadas por tal juízo; não, nada? disso: partimos da percepção? de um todo concreto?, que se devolve em objeto? de tal juízo quando nós o dividimos nas duas? partes: gaivota, voo. (Assim como o todo precede as partes, a atividade? relacionante precede os termos.) O juízo não é uma associação? de conceitos: o conceito é que é um abstrato? do juízo; a classe? não é anterior à proposição?: a classe é o conjunto dos valores? para os quais a proposição é Verdadeira. Analogamente, a frase é anterior à palavra? (e de acordo? com tal lei? do intelecto se usam hoje os métodos? globais para ensinar às crianças a leitura). O astrônomo, se pensa na trajetória de um certo planeta?, entra por supor? uma elipse perfeita?, uma curva completa, e portanto um todo: insinua-lhe depois as «perturbações» necessárias e calcula elementos? da trajetória. Parte-se de um todo, e a um todo se volta. Achar a causa ou a razão? de um fato? é chegar a perceber? a relação? do fato com um todo de pensamento? em que se ele inclui; inteleccionar um determinado fenômeno?, uma certa experiência?, — é ver? como se liga a um pensamento total. [António Sérgio, Ensaios, t. v, pp. 184-185]

LÉXICO: todo