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Evangelhos Apócrifos Fragmentários

domingo 20 de março de 2022

      

Dos numerosos evangelhos   apócrifos, poucos se conservaram completos. Da maioria chegaram até nós apenas fragmentos mais ou menos longos.

É compreensível que se tenham perdido, porque, não sendo canônicos, não gozavam do apoio da Igreja   e estavam, portanto, excluídos da liturgia oficial.

Além disso, muitos encerravam princípios heréticos e foram sendo naturalmente abandonados, à medida que se firmava a doutrina   ortodoxa.

Os fragmentos que nos restam podem ser classificados em três grupos:

1. Fragmentos de evangelhos apócrifos que se perderam. São conhecidos somente através de citações feitas por autores eclesiásticos dos primeiros séculos. Em alguns não aparecem transcrições textuais, mas somente referências que comprovam sua existência e, às vezes, refletem opiniões neles contidas.

2. Fragmentos conservados em papiros. Com as pesquisas e escavações realizadas principalmente a partir do séc. XIX, encontraram-se e continuam sendo encontrados papiros que contêm partes de evangelhos apócrifos. Alguns, danificados pelo tempo, apresentam lacunas irremediáveis ou palavras semidestruídas que levam a tentativas de reconstituição.

3. Agrafos e lógios. Nem todos os papiros encontrados encerram partes de evangelhos completos. Em muitos figuram apenas frases soltas ou sentenças referentes à vida ou aos ensinamentos de Jesus  . Formam coleções ou antologias de sentenças independentes.

Estas sentenças ou "ditos" recebem a denominação ou de "ágrafos" ou de "lógios".

Agrafos são frases ou sentenças atribuídas a Jesus Cristo e que não figuram nos evangelhos canônicos. Agrafo significa "não escrito". O nome é de uso recente, datando do séc. XVIII. Pode haver ágrafo canônico, isto é, frase que não pertence aos evangelhos, mas é citada em outro livro canônico. O mais conhecido é a sentença de Jesus lembrada por São Paulo   em At 20,35: "Há mais felicidade   em dar do que em receber  ".

Encontram-se geralmente em obras dos primeiros escritores cristãos. Só se consideram ágrafos aquelas sentenças que, registradas por autores fidedignos, têm foros de autenticidade, coadunam-se com o espírito evangélico e, de modo algum, contradizem os ensinamentos dos livros canônicos. Dentro deste critério, seu número   é reduzido.

A denominação "lógio" tem sentido mais amplo. Designa qualquer sentença ou dito atribuído, com ou sem razão, a Jesus Cristo. Muitos lógios consistem em simples variantes de textos evangélicos e outros, oriundos de meios heréticos, enunciam princípios contrários aos ensinamentos canônicos.

Lógio (grego: lógion) significa etimologicamente: palavra, sentença. Em grego clássico designava "resposta   do oráculo", "predição". Na literatura cristã designa "palavra de Cristo".

Alguns autores atuais conservam as formas gregas "ágrapha" e "lógia", plurais neutros, e escrevem "os ágrapha", "os lógia". Certamente é preferível a forma vernácula: ágrafo, ágrafos, lógio, lógios.


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