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Definição Analogia

domingo 20 de março de 2022

      

DEFINIÇÃO DE ANALOGIA  
Harald Höffding definiu a analogia nos seguintes termos: «Uma semelhança   de relações entre dois   objetos, semelhança que não se baseia em propriedades particulares ou em partes desses objetos, mas em relações recíprocas entre estas propriedades ou estas partes.» (Harald Höffding, Le concept d’analogie, trad. Perrin, Vrin, Paris, 1931)

Aristóteles distinguia já uma analogia quantitativa (isotés lógon) que, no sentido rigoroso da palavra, é uma «proporcionalidade», e uma analogia qualitativa que se pode constatar, por exemplo, entre figuras geométricas ou entre estruturas biológicas de seres diferentes. De fato, Aristóteles não analisou expressamente os «análogos  » no Tratado das Categorias  , mas apenas os «parônimos» (denominativa) (Cf. a notável obra de François Chenique  , Éléments de logique classique, t. I, L’art de penser et de juger, Dunod. Paris, 1975, pp. 69-72): assim corajoso vem de coragem  , gramatical vem de gramática, etc. Foram os escolásticos que aperfeiçoaram a analogia da proporcionalidade ao lado da analogia de atribuição (ou de proporção), que Aristóteles utilizara no seu estudo do ser, objeto da metafísica.

«O termo análogo é aquele que convém a diversos sob um ponto de vista em parte idêntico e em parte diferente.» (Terminas qui convenit pluribus secundam rationem partim eamdem, partim diversam; ou ainda: secundum rationem simpliciter diversam et secundum quid   eamdem. S. Tom., Metaph., XI, lect. 3; Por vezes designa-se a analogia por «equivocidade voluntária» - aequivocitas a concilio)

Convém distinguir   a analogia de atribuição da analogia de proporcionalidade. A primeira é a que encontramos da forma mais explícita em Aristóteles. Nesta analogia, a unidade   depende de ligarmos os diversos «analogados» a um único chamado «analogado principal».

O termo análogo de atribuição é aquele que convém a diversos em ordem   a um único (Terminus   analogus attributionis est qui convenit pluribus propter ordinem ad unum).

Na analogia de proporcionalidade, já não há «analogado principal» mas proporções mútuas ou relações que criam a unidade entre os «analogados». Assim dizemos «o olho vê» e «a inteligência vê» porque a intelecção é para a inteligência aquilo que a visão do sensível é para os olhos:

Visão / Olho = Intelecção / Inteligência

Nesta analogia, todos os termos podem ser, duma certa maneira, representados por um conceito único, mesmo que este esteja imperfeitamente unificado: não devemos, pois, interpretar o sinal «igual» com um rigor   matemático.

O termo análogo de proporcionalidade é aquele que convém a diversos por causa   duma certa semelhança de proporção (ou de relação) (Terminus analogus proportionalitatis est qui pluribus convenit propter aliquam similitudinem proportionum).

Convém ainda distinguir a analogia «própria» e a analogia «metafórica»:

A primeira é aquela na qual a «razão» significada pelo termo se encontra formalmente em cada um dos «analogados»: é o exemplo dado da visão pelo olho ou pela inteligência.

A analogia metafórica (ou «imprópria») é aquela na qual a «razão» não convém propriamente senão a um «analogado», e convém aos outros através duma construção intelectual: assim, diz-se, para utilizarmos um exemplo clássico, que a paisagem é risonha, quando só o homem   ri verdadeiramente.

No sentido primeiro e matemático de «proporção», a analogia designa a comparação de duas relações entre quatro termos considerados dois a dois. Qualitativamente, ela pode assinalar, em biologia, semelhanças funcionais; em linguística, a assimilação de certas formas de expressão. Sempre que se trata de unificar objetos ou domínios diferentes, ligando-os através duma semelhança de relações, a analogia intervém como um processo exploratório e unificador capaz de pôr em evidência perspectivas de conjunto   ou relações harmônicas ou reguladoras que a lógica da identidade   não permite, por si só, pressentir e procurar.


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