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Antonius Ascetismo Crescente

domingo 20 de março de 2022

      

2.5 - Antão aumenta sua austeridade  
Esta foi a primeira vitória de Antão sobre o diabolos   - demônio; ou melhor, digamos que este singular êxito em Antão foi do Salvador  , que "condenou o hamartia   - pecado na sarx   - carne, a fim de que a justificação prescrita pela Lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a sarx - carne, mas segundo o Espírito" (Rm 8,3-4). Mas Antão não se descuidou nem se acreditou garantido por si mesmo   pelos simples fato de se ter o diabolos - demônio lançado a seus pés; tampouco o inimigo  , ainda que vencido no agon - combate, deixou de estar-lhe à espreita. andava dando voltas em redor, como um leão (1 Pd 5,8), buscando uma ocasião contra ele. Antão, porém, tendo aprendido nas Escrituras   quão diversos são os enganos do maligno (Ef 6,11), praticou seriamente a vida ascética, tendo em conta que, se não pudesse seduzir seu kardia   - coração pelo hedone   - prazer do soma - corpo, trataria certamente de enganá-lo por algum outro método; porque o amor do diabolos - demônio é o hamartia - pecado. Resolveu, por isso, acostumar-se a um modo mais austero de vida. Mortificou seu soma - corpo sempre mais, e o sujeitou, para não acontecer que, tendo vencido numa ocasião, perdesse em outra (1 Cor9,27). Muitos se maravilhavam de suas austeridades, porém ele próprio as suportava com facilidade. O zelo   que havia penetrado sua alma   por tanto tempo transformou-se pelo costume   em segunda natureza, de modo que ainda a menor inspiração recebida de outros levava-o a responder com grande entusiasmo  . Por exemplo, observava as vigílias noturnas com tal determinação, que a míudo passava toda a noite sem dormir  , e isso não só uma vez mas muitas, para admiração de todos. Assim também comia só uma vez ao dia, depois do cair do sol; às vezes cada dois   dias, e com freqüência tomava seu alimento só depois de quatro dias. Sua alimentação consistia em pão e sal; como bebida tomava só água. Não necessitamos sequer mencionar sarx - carne ou vinho  , porque tais coisas tampouco se encontravam entre os demais ascetas. Contentava-se em dormir sobre uma esteira, embora regularmente o fizesse sobre o simples chão. Despreza o uso de unguentos para a pele, dizendo que os jovens devem praticar a vida ascética com seriedade   e não andar buscando coisas que amolecem o soma   - corpo; deviam antes acostumar-se ao trabalho   duro  , tendo em conta as palavras do Apóstolo: "É na fraqueza   que se revela minha força" (2 Cor 12,10). Dizia que as energias da alma aumentam quanto mais débeis são os epithymetikon   - desejos do soma - corpo. Além disto estava absolutamente convencido do seguinte: pensava que apreciaria seu progresso na arete   - virtude e seu conseqüente   afastamento   do mundo não pelo tempo passado   nisto mas por seu apego e dedicação. Assim, não se preocupava com o passar do tempo, mas dia por dia, como se estivesse começando a vida ascética, fazia os maiores esforços rumo à perfeição. Gostava de repetir a si mesmo as palavras de S. Paulo: "Esquecer-me do que fica para trás e esforçar-me por alcançar o que está adiante" (Fl 3,13), recordando também a voz do profeta   Elias  : "Viva o Senhor em cuja presença estou neste dia" (1 Rs 17,1; 18,15). Observava que, ao dizer "este dia", não estava contando o tempo que havia passado, mas, como que começando de novo, trabalhava duro cada dia para fazer de si mesmo alguém que pudesse aparecer   diante de Deus  : puro de kardia - coração e disposto a seguir Sua vontade. E costumava dizer que a vida levada pelo grande Elias devia ser para o asceta   como um espelho   no qual poderia sempre mirar a própria vida.