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Rayo Celeste

domingo 20 de março de 2022

      

Cristologia
Dionísio o Areopagita: Hierarquia Celestial


Simbolismo Richard Temple: Estudando a visão   gnóstica, sob a Iconografia cristã, Richard Temple em seu livro ICONS, apresenta um salmo   gnóstico que oferece uma perspectiva mística do universo   no qual tudo, do mais alto ao mais baixo, é dependente do nível cósmico   que o precede.

Todas as coisas dependentes em espírito   em vejo;
Todas as coisas suportadas em espírito   eu olho;
Carne   da alma   dependente;
Alma pelo ar suportada;
Ar do Éter pendurado —
Frutos nascidos da profundeza —
Bebês nascidos do útero.

Se tomamos “carne” como humanidade e “útero” como a fonte   de vida no universo, as imagens se prestam a um esquema de passos ou estágios ascendentes e descendentes que cobrem a totalidade do universo e os quais podem ser expressos como um diagrama que reflete o plano cósmico platônico através de níveis com diferentes nomes.

Útero (A Profundeza, o Abismo  )
Bebê
Éter
Ar (Frutos)
Alma
Carne

Uma interpretação   deste salmo é atribuída à escola gnóstica de Valentino, e dada em relato por Hipólito. Disto se pode vislumbrar algo da nomenclatura pitoresca da alegoria   gnóstica. Assim ficamos sabendo que a “Alma” é aquela do Demiurgo   ou das “forças materiais do espaço etérico”. Mais alto que o Demiurgo está o Espírito, e além deste o Grande Limite ou Fronteira   que separa o Pleroma   ou “Mundo da Realidade  ” do Kenoma ou universo fenomênico. Além do Pleroma, também conhecido como o “Eão Vivente” e o “Mundo das Ideias”. está o “abismo” ou “Grande Profundeza”, também às vezes conhecido como o “Silêncio  ”, no qual está “Deus   Além do Ser  , o Pai  ”. Em forma diagramática poderia ser assim representado:

O Pai (Deus Além do Ser)
O Abismo (A Grande Profundeza, O Silêncio)
O Pleroma (Mundo das Ideias, o Eão Vivente)
Horos (O Grande Limite, a Fronteira)
Sophia   (O Espírito)
O Demiurgo (Forças Materiais do Espaço Etérico)
A Carne (Matéria)

Tanto para o Helenismo e o Cristianismo isso representa um conceito diagramático que se deve encontrar em vários disfarces e que os gnósticos chamavam a Grande Cadeia do Ser (o que lembra o título do excelente livro de Arthur Lovejoy  , “THE GREAT CHAIN OF BEING”). No Neoplatonismo é chamado de Doutrina dos Graus; e no Cristianismo é conhecido através de Dionísio o Areopagita, como o RAIO DIVINO   ou a HIERARQUIA DIVINA.