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Hiparco

sexta-feira 25 de março de 2022

    

Também conhecido como "O Homem   ávido de ganhar", neste diálogo   Sócrates   e um interlocutor anônimo, que bem poderia ser um discípulo, buscam definir   o que é o homem ávido, e sua discussão só é interrompida por uma apologia   de Hiparco, filho   cadete de Pisistrato, que foi tirano de Atenas no século VI. Quatro definições são propostas pelo interlocutor:

1) O homem ávido é aquele que estima   poder tirar vantagem   de coisas que não são nada estimáveis. Mas se tal é o caso, teríamos um maioria de imbecis, e ninguém seria ávido.

2) Deve-se atenuar esta definição primeira dizendo que o homem ávido que tirar vantagem de coisas que pensa que têm muito valor, quando não têm. Ora se a perda é considerada como um mal, o ganho deve ser tido por um bem, e neste caso todos os homens são ávidos, uma consequência   que contradiz a primeira definição.

3) Para sair do impasse, uma terceira definição é proposta: o homem ávido é aquele que imagina poder tirar vantagem de coisas cujas pessoas honestas não buscam tirar. Mas esta definição não é melhor que a precedente, pois todos os homens, sejam honestos ou não, buscariam o bem. É então que o interlocutor desorientado acusa Sócrates de querer enganá-lo. Este protesta sustentando que sempre obedeceu a injunção de Hiparco: "Não engane teu amigo".

4) Retomada a discussão sobre outras bases, o interlocutor propõe nova definição que considera uma vantagem toda posse que se adquire não se dispendendo nada ou dispensando menos para receber   mais. Mas neste contexto, como toda vantagem é um bem, volta-se ao dito anteriormente. Além do mais, esta definição da vantagem deve fazer intervir não somente a quantidade, mas também o valor. E o que tem valor é útil, logo um bem. E posto que todos os homens, honestos ou não, amam o ganho, deve-se concluir que todos os homens são ávidos. A autenticidade deste diálogos como sendo de Platão   é posta em dúvida pelo seguinte: na República   e nas Leis, a ganância é denunciada por Platão; na época de Platão, os assassinos de Hiparco eram considerados como heróis  , defensores da democracia; além do mais, a técnica de discussão, que não chega a nenhuma conclusão positiva, se aparenta às práticas em uso na Nova Academia. (Brisson  , Platon, oeuvres complètes)


Estrutura   dada por Léon Robin à versão francesa da obra completa de Platão: Platon : Oeuvres complètes, tome 2

  • Primeira tentativa de definição
  • Segunda tentativa
  • Terceira tentativa
  • Digressão sobre Hiparco
  • Retomada do assunto
  • Quarta tentativa de definição
  • Epílogo