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Górgias

sexta-feira 25 de março de 2022

    

Contraposição entre a retórica e a verdadeira sabedoria, entre o direito da justiça e o da força. Faz ressaltar a sobriedade   da dialética contra os excessos da retórica. (Vale mais sofrer   a injustiça   que cometê-la. Contraste entre o prazer e a virtude  . Hedonismo imoral de Polos e Calicles. Utilitarismo socrático. Aparece o mito   sobre a imortalidade da alma  . Tem uma finalidade prática e moral, apresentando a Retórica como uma arte da mentira  , funesta para os indivíduos e o Estado  .


Resumo de Jean Brun   No Górgias  , e no livro I da República   (O livro I da República forma um todo, talvez fosse até primitivamente destinado a constituir um diálogo   separado  : o Trasímaco — cf. A. Diès, INTR. À REPÚBLICA, p. XVIII e seg.)., Sócrates ataca aqueles que se mostraram apologistas da força. Trasímaco é um plebeu ávido e violento que se atira sobre o seu contraditor como uma fera (Rep. I, 336 o); para ele a justiça não passa do interesse   do mais forte   (388 c) e se alguns há que condenam a injustiça, não é por recearem praticá-la, mas porque receiam sofrê-la, e portanto a injustiça quer-se vantagem   e proveito. No Górgias, Sócrates tem de discutir com Pólo — um jovem impetuoso que vê na retórica o meio de se tornar tirano, o seu ideal é Aquelau, um tirano da Macedónia que conquistou o poder e a riqueza   através   de crimes—, com Górgias e com Calióles. Este último é um aristocrata que detesta o povo e a democracia, afirma que as leis foram estabelecidas pelos fracos e pela multidão para sujeitar os fortes e impedi-los de manifestar   a sua superioridade   (483 bc). A justiça natural é, portanto, para ele o triunfo do mais forte (483 d, 488 c); é necessário alimentar em, nós   as mais fortes paixões e utilizar a coragem   e a inteligência   em dar-lhes tudo aquilo que desejam (491 e); aqueles que elogiam a temperança são fracos incapazes de satisfazer as suas paixões (492 c). Sócrates mostra que essa distinção entre a «natureza» e a «lei» não resiste a uma análise. De fato, se a multidão impõe a sua lei igualitária, é, por conseguinte, porque é mais forte que o indivíduo  , e deste modo essa justiça igualitária é a expressão   de uma superioridade natural e não a de uma instituição, como pretende Cálicles. Cálicles está, portanto, fechado num círculo   vicioso. Uma instituição é um fato e não é com fatos que se criticam outros fatos, só se pode fazer tal em nome de um ideal, que não é um fato em si. Por isso Sócrates põe a força do valor   acima do valor da força; para ele, contrariamente a Cálicles, «é preferível sofrer a injustiça do que cometê-la» (527 b).
Estrutura   do Diálogo Segundo Monique Canto  
  • Gorgias e Sócrates: como definir   a retórica? (449a-461b)
  • Polos e Sócrates: a retórica é uma bajulação; o único bem é a justiça (461b-481b)
  • Calicles e Sócrates: a força da natureza e sua injustiça (481b-506b)
  • Sócrates só: a escolha   de uma vida de justiça e de filosofia (506b-527e)
  • Mito e conclusão