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Barbuy: elementos

quinta-feira 24 de março de 2022

      

Excerto   de BARBUY  , Heraldo. O Problema do ser e outros ensaios. São Paulo  : Convívio, 1984, p. 90

O Fogo   [pyr] e o rio [potamos  ] desenvolvem o mesmo papel em Anaxímenes  , sob os nomes do Fogo e da umidade [hygrasia], movidos pelo sopro do Ar [aer  ]; é um Ar que é movimento   [kinesis] e fonte   de movimento, sendo ele próprio   eterno, um Ar que é infinito   [apeiron] enquanto eterno e finito enquanto manifestação   física; esse Ar, que move a Physis  , é um pneuma  , spiritus, sopro divino  . Se pois as cousas vêm do Ar ou do Fogo, da Água ou da Terra   [ge], ou dos quatro elementos   [stoicheion] segundo uma antiga tradição   a que se filiam Empédocles   e outros, a fascinação da Physis não abandonou nunca o pensamento   grego. Os pré-socráticos   foram censurados por Aristóteles   por não haverem descoberto a doutrina das quatro causas [aition  ], e não por haverem buscado a origem dos seres na Physis; seu erro   consistiu em haverem procurado a origem dos seres unicamente na natureza da matéria [hyle  ]; são censurados porque não fizeram ver o princípio ordenador do Kosmos   sobre o Chaos   da Physis. Não destacaram claramente a substância   [ousia] formal e a causa final que pendem do princípio do Kosmos e não do Chaos. Aristóteles vem completá-los, não refutá-los.