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Caverna

quinta-feira 24 de março de 2022

    

No livro VII da República  , Platão narra uma história que se tornou célebre com o nome de mito   ou alegoria   da caverna  . Seu objetivo é fazer compreender a diferença   entre o conhecimento grosseiro, que vem de nossos sentidos e de nossas opiniões (doxa  ), e o conhecimento verdadeiro, ou seja, aquele que sabe apreender, sob a aparência das coisas, a ideia das coisas. Numa caverna, cuja entrada é aberta à luz, encontram-se alguns homens acorrentados desde sua infância, com os olhos voltados para o fundo, não podendo locomover-se nem virar as cabeças. Um fogo   brilha no exterior  , iluminando toda a caverna. Entre o fogo e a caverna passa uma estrada, ladeada por um muro da altura de um homem  . Na estrada. por detrás do muro, vários homens passam conversando e levando nas cabeças figuras de homens e de animais, projetadas no fundo da caverna. Assim. tudo o que os acorrentados conhecem do mundo são sombras de objetos fabricados. Mas como não sabem o que se passa atrás deles, tomam essas sombras por seres vivos que se movem e Pilam. mostrando serem homens que não atingiram o conhecimento verdadeiro. Platão descreve o processo dialético através   do qual o prisioneiro se liberta e, lutando contra o hábito   que tornava mais cômoda sua situação   de prisioneiro, sai em busca do conhecimento da verdade  , passando por diversos e sucessivos graus de conversão de sua alma  . até chegar à visão   da ideia de hem. Uma vez alcançado esse conhecimento, o prisioneiro, agora transformado em sábio  , deve retornar à caverna para ensinar   o caminho aos outros prisioneiros, arriscando-se, inclusive, a ser rejeitado por eles. [H. Japiassu  ]