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enantia

quinta-feira 24 de março de 2022

    

enantia: opostos  

1. A doutrina da existência original das substâncias naturais opostas aparece pela primeira vez em Anaximandro   (Aristóteles  , Physica 187a). Posteriormente são isoladas quatro por Heráclito   (frg. 126) e postulados como os quatro elementos   irredutíveis por Empédocles   (frg. 17; ver stoicheion). A oposição, como força geral, desempenha papel considerável tanto em Pitágoras como em Heráclito. Há uma lista de dez   pares de opostos pitagóricos na Metafísica 986a que Aristóteles identificou com os elementos (stoicheia). Em Heráclito a função dos opostos é ao mesmo tempo   mais explícita e mais obscura: há uma unidade   essencial (logos  ) dos opostos, unidade que não é óbvia, mas que mantém a unidade-pluralidade dos opostos (cf. frgs. 1, 10, 54, 60, 88). A teoria   da sensação   de Parmênides   é baseada no excesso   de um grupo dos opostos (Diels, frg. 28A46).

2. No Fédon primitivo (70e) a passagem de um oposto a outro é a cúpula da teoria platônica da gênesis, como o vai ser para Aristóteles (Physica 188a-189b; ver gênesis). Que estes são qualidades (poiotetes) e não substâncias (Formas) até mesmo para Platão é evidente   no Fédon 102b-103b. Aristóteles reduz os enantia básicos envolvidos na gênesis entre os elementos a quente   e frio, seco e úmido (De gen. et corr. II, 329b-330a); ver poion  , dynamis  , gênesis, logos, dike  . [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters  ]