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arete

quinta-feira 24 de março de 2022

    

arete: excelência  , virtude

A virtude é a excelência na função própria. Cada coisa, quer dizer cada objeto assim como cada ser vivente, tendo uma ou várias funções, a virtude consiste no fato de exercer perfeitamente esta função. Assim a virtude de uma tesoura será de cortar, aquela do olho de ver e aquelas do homem   de saber, de ser corajoso, e de poder dominar seus desejos. E a definição da virtude, como sua posse, resultará do conhecimento da natureza do objeto ou do vivente, quer se trate do homem ou da cidade, do conhecimento de si ou de suas funções. (Luc Brisson  )


1. O conceito de virtude teve uma longa história evolutiva na cultura grega antes de ser incorporado na problemática da filosofia. Os pré-socráticos  , cuja principal preocupação era uma physis   corpórea, não estavam muito interessados em especulações sobre a arete; há alguns pensamentos ocasionais sobre o assunto, como em Heráclito   designação de prudência   como a mais alta virtude (Diels, frg. 12) e em Demócrito a insistência sobre o caráter interior   da arete (Diels, frgs. 62, 96, 244, 264), mas não é prestada verdadeira atenção   filosófica à arete antes da geração de Sócrates  . 2. A própria identificação socrática da virtude e do conhecimento foi um lugar-comum para os seus sucessores (Aristóteles  , Eth. Eud. I, 1216b, Ethica Nichomacos VII, 1145b), e os «diálogos socráticos» de Platão dirigem-se no sentido de uma procura das definições das várias virtudes, Laques   190c-199e; e é provavelmente uma hipostasiação destas definições que culmina na teoria platônica das formas (ver eidos  ). Para Platão há um eidos da arete (Ménon   72c) e das várias espécies de aretai (Parm. 130b); na Republica   442b-d descreve as quatro «virtudes cardeais» desejáveis no estado   ideal, uma explanação que tem como correlatos as classes dos homens no estado e as divisões da alma   (ver psyche, sophrosyne  ).

3. Para Aristóteles a virtude é um meio (meson  ), e ele distingue entre virtudes morais e intelectuais (Ethica Nichomacos II, 1103a-b). A aproximação socrática intelectualista da virtude é ainda visível   em Aristóteles, mas temperada também pelo reconhecimento dos elementos   volitivos (ver proairesis  ). Para os estóicos a essência   da virtude estava em «viver   em harmonia   com a natureza» (ver nomos).

Para outros aspectos da moralidade, ver praxis  , phronesis, adiaphoron  , dike   e, para os seus correlatos ontológicos, agathon  , kakon  . [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters  ]