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Avaliar Hipertextos

terça-feira 22 de março de 2022

      

Discurso Hipertextual - QUALIDADE   SOB MEDIDA
1 - INTRODUÇÃO
O título é acima de tudo um convite a reflexão. Por um momento é preciso suspender o processo mental   associativo, e começar o questionamento sobre o que se entende por “avaliar” ou “julgar”, neste caso, “qualidade”, e em particular deste pretenso objeto técnico – o discurso hipertextual. Entendido o objeto e compreendido o processo de sua avaliação é então possível reconhecer   sua qualidade na “justa medida”.

Embora “avaliar”, “julgar”, seja algo que se faz a todo momento, esta prática habitual cria uma “atitude natural  ” para a avaliação que dificulta, por isto mesmo, qualquer esforço teórico de compreensão e sistematização do processo. Avaliar, no sentido de “dar valor  ”, implica inicialmente no reconhecimento de dois   domínios irreconciliáveis – Fato e Valor. Aquilo que determina um Fato, se encontra no Domínio do Fato, e sua regência humana se dá pela técnica (techne  =arte, em sua etimologia grega). Por outro lado, intenções, finalidades e propósitos encontram-se no Domínio do Valor. É possível fazer afirmações e constatações relativas aos fatos, “en-fatizá-los”, mas é sempre polêmico “valorizá-los”, “julgá-los”.
No entanto, é preciso explicitar os “juízos de valor” que sempre acompanham os "fatos" constatados, buscando os meios de “avaliar”, de “julgar”, os fatos do mundo, do mesmo modo que se fazem assertivas sobre a realidade dos mesmos. É necessário se encontrar um sentido comum que permita compartilhar valores, embora neste campo   o real e o ilusório estejam sempre em disputa  . As discórdias sobre fatos sempre existiram, mas aquelas sobre valores assumem formas muitas vezes dramáticas.

A “qualidade”, refere-se a “qualia”, simplesmente uma propriedade ou um conjunto   de propriedades de um fato. Neste sentido, seriam atributos do fato que todos imaginam reconhecer, de comum acordo. No entanto, não cessam os debates acalorados sobre a “qualidade”, no sentido benéfico ou maléfico, de um fato “dado”. E talvez, justamente nesta condição de um fato “se dar”, do fato “dado”, que se possa ter início uma investigação sobre a tão necessária conciliação dos domínios do Fato e do Valor.

Mas, o que é um fato? o que é “avaliar”, “julgar”? o que é “qualidade”? são questões imperativas para esta investigação das possibilidades de conciliação dos domínios e o resultante “assentimento  ” comum da qualidade de um fato. Para ter e receber   significado é preciso que a “facticidade” ou “coisicidade”, o “ato de avaliar” e a “noção de qualidade” sejam devidamente re-apropriadas de sentido, em busca deste “assentimento”.

Cada um envolvido em um processo de avaliação de um fato, como por exemplo um discurso hipertextual, disponível na Internet, tem nesta demanda sua meta maior, que realizará na proporção que o entendimento do que seja o fato “discurso hipertextual” (o que é um discurso hipertextual?), de como “avaliar este discurso”, segundo que “critérios de qualidade”, venha a proporcionar este “assentimento” que traduz a experiência ética e estética de um fato, em medidas justas de avaliação, ou melhor, de “apreciação” da qualidade do discurso hipertextual.

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