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Kingsley Realidade 6

domingo 20 de março de 2022

    

Resumo do capítulo 6
Parmênides descreve um mundo de mito   e de seres míticos, onde nada familiar parece se encontrar. Descreve uma jornada para encerrar com todas as jornadas, muito além de qualquer experiência humana ordinária, «longe das trilhas batidas dos humanos». O perigo é trazer o incomum para termos familiares mais confortáveis. Isso tem sido o empenho da maioria dos estudiosos do Poema, muitas vezes deixando de lado esta primeira parte enquanto considerada um dispositivo retórico, uma alegoria   ou uma vaga tentativa poética de descrever como o filósofo deixa a confusão   para trás pela claridade, a escuridão   pela iluminação.

Podemos manipular o Poema, mas também porque não buscar seriamente entender o que diz. E realmente se constata que nada há de vago, e mesmo quando assim parece há um propósito   específico. Cada imagem tem sua parte em um todo coerente, cada detalhe tem seu lugar particular.

Parmênides é guiado por jovens garotas, Filhas do Sol  . Vieram das Mansões da Noite que eram bem conhecidas na mitologia grega como as profundezas da escuridão nos limites mais distantes da existência, junto ao grande abismo   chamado Tártaro, onde terra   e céu têm suas raízes. Este é o lugar onde o mundo encontra o mundo de baixo; onde os opostos   que sentimos e experimentamos enquanto vivos aproximam-se e juntam-se.

E isto é onde o sol volta a repousar em casa   com sua família toda noite.

Quanto aos portais que Parmênides é levado nas trilhas de Noite e Dia, são os portais abrindo para o submundo — separando este nosso mundo familiar do imenso abismo logo abaixo.

E a Justiça, que guarda   os portais, é uma figura familiar também. Ela é a deusa   que vigia o submundo: a fonte   impiedosa de ordem, origem de todas as leis.

Quanto a deusa sem nome que saúda Parmênides, ainda não é hora de se dizer algo.

Em resumo, as Filhas do Sol vieram tomá-lo do mundo dos vivos e levá-lo direto para onde pertencem. Esta é não uma jornada da confusão para a clareza  ; da escuridão para a luz. Ao contrário, a jornada que Parmênides descreve é exatamente o oposto. Viaja direto para o noite suprema que nenhum ser humano   poderia possivelmente sobreviver sem proteção divina. É lavado ao coração   do submundo, o mundo dos mortos.

A questão que cabe é: o que significa para uma pessoa   de carne   e osso na Grécia antiga — não alguma figura mítica ou lendária — fazer uma jornada conscientemente, deliberadamente, cientemente a outro mundo?

E em particular: como pode tal pessoa descer ou afirmar   ter descido ao mundo dos mortos enquanto ainda vivo, tocar os poderes que lá vivem, aprender   deles, e então voltar ao mundo dos vivos?

A resposta   é extremamente simples.

Há uma técnica estabelecida e específica entre vários grupos de pessoas para fazer a jornada ao mundo dos mortos; para morrer   antes de morrer.

Envolvia isolar-se em um lugar escuro, deitar em completa quietude  , estando sem movimento   por horas ou dias. Primeiro o corpo se tornaria silencioso, então eventualmente a mente  . E esta quietude é o que dava acesso a outro mundo, um mundo de supremos paradoxos; a um estado   de consciência   totalmente diferente. Algumas vezes o estado era descrito como uma espécie de sonho  . Algumas vezes referido como semelhante a um sonho mas não um sonho, como realmente um terceiro tipo de consciência bastante diferente tanto do desperto quanto do sono.

Usualmente havia toda uma linguagem técnica associada com o procedimento; uma completa geografia mítica. E havia um nome que os gregos, e então os romanos, davam a esta técnica.

Eles a chamavam incubação.