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Ullmann (Plotino) – vontade

quinta-feira 3 de fevereiro de 2022

      

Per longum et latum tratamos do poder (dynamis  ) do Uno  . Vincula-se a esse atributo operativo a vontade (boulesis  ) a qual agora será enfocada.

Recorrendo à psicologia humana, Plotino   afirma que o termo "voluntário" (ekousion) diz respeito às ações dos homens praticadas conscientemente. Ao falar de ações que estão em nosso poder (En. VI, 8, 1, 34), o autor das Enéadas ressalta que elas são atinentes à vontade, pois é possível praticar um ato que está em nosso poder, sem ser voluntário.

Ações voluntárias e em nosso poder implicam dependência da vontade (En. VI, 8, 3, 2-3). A vontade, por seu turno, relaciona-se com a razão  , com o logos  , ou melhor, com a reta razão. Por que o homem   age? Por que delibera? Por ser necessitado, carente, por ter desejos.

O contrário verifica-se no Uno, o qual nada pode desejar, por ser a fonte   de todas as coisas (En. V, 5, 9, 36; VI, 9.6,41). Identificam-se nele a vontade, a essência   e a atividade  . Por outra, entre o que o Uno   faz e o que ele quer fazer há perfeita coincidência e harmonia  . Nada, portanto, pode coagi-lo a agir ou a agir diferentemente do que quer.

Da vontade do Uno dependem os efeitos e são assim como ele quis que fossem (En. VI, 7, 39, 26-27; VI, 7, 37, 29-31). Os efeitos trazem o selo da bondade, porquanto derivam do Super-Bem.

Porém, o Uno não cria as coisas, deixando-as, depois, entregues a si; ele também as conserva: "Ele conserva os seres..." (En. VI, 7, 23, 22). "Todas as coisas que existem são sustentadas por ele (...)" (En. VI, 8,21,22). [Ullmann  ]


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