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Rodrigo Vieira Marques: imanência

segunda-feira 31 de janeiro de 2022

      

A experiência da vida, em uma Fenomenologia da Vida, é uma experiência totalmente imanente a si mesma, daí os estranhamentos frente a redundâncias como “s’éprouver soi-même” (experimentar-se a si mesmo  ). Se o filósofo legitimasse o uso de “parvenir à”, poderia ser partidário de um acontecimento que se dá sem interioridade, assim como é notório na expressão “je parviens à un but” (eu chego a um fim). Em L’Essence de la manifestation, temos a confirmação disso: “Que a própria essência chega ao interior   de si [parvienne elle-même en soi], aquele de chegar [parvenir dans] ao interior da luz da exterioridade, seja primeiramente o de chegar [parvenir dans] dentro desse chegar, de se unir a ele, de se reunir   assim consigo na força de sua unidade   interna, isso não quer dizer simplesmente que um tal poder   existe, que a essência deva   ser presença para agir? O conteúdo ontológico do conceito de imanência que compreendido “em sua significação essencial” não é constituído, no mesmo título que o que se encontra visado pelo pensamento   na “relação   de imanência” da essência com seus modos  , pela simples pressuposição desta na tautologia onde a essência é reconhecida e nomeada sem mais, onde se diz que ela “é”. Mas o que significa ser? Com a determinação da possibilidade fundamental da essência, é a estrutura   originária do próprio   ser, que se encontra descrito e apreendido pela problemática. É somente, com efeito, sobre o fundo em si dessa estrutura onde a essência se recebe originariamente a si mesma na imanência que o ser é suscetível de se unir a si mesmo e de ser assim o que é, que o ser é suscetível de ser. O ser não é, pois, alguma coisa de morto ou de inteiramente feito, não é nada que seja dado simplesmente. Seu ser, o ser não obtém senão pela obra nele da essência que o faz ser na unidade originária que o constitui. A unidade não mais, pois, não é alguma de morta. Ela é uma obra justamente e uma realização  . A maneira pela qual se realiza essa obra, a obra interior do ser, é ali o que representa o pensamento que dispõe categorias ontológicas [41] fundamentais onde se encontra definida a possibilidade para o ser de chegar originariamente em si [parvenir en lui]” (1963, p. 343-4). Ora, mas como indicar, em português, essa experiência interna de si mesmo, a proposta de uma imanência radical que afeta até o modo de expressá-la? O emprego sozinho da locução “para dentro de”, tentativa de indicação da carga semântica da preposição latina “in”, nem sempre é suficiente e, às vezes, pode ainda apontar abismos entre um fora e um dentro, um movimento   simplesmente externo. Usaremos, como possibilidade de tradução, a construção “advir em” (Nota do Tradutor, MHPsique  ).