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Ícones de João Evangelista

domingo 20 de março de 2022

    

Simbolismo
Richard Temple

No ícone  , a “energia” de Deus   é indicada pela luz que se vê emanando do reino divino, cuja borda é vista no canto   superior esquerdo: o mais alto “lugar” no universo  . O ícone também enfatiza a caverna  , ou o “mais baixo lugar” no universos, o qual, em contraste com a luz  , é indicado como escuridão. Entretanto, a luz e a escuridão, ou o mais alto e o mais baixo, estão conectados um com outro de acordo com os princípios do Raio   Divino. E vemos que o Evangelista e seu discípulo   Prochorus são ligações significantes nele. Sem eles o mundo material não pode ser espiritualizado pela penetração da luz divina. Isto significa que o homem   é uma ligação vital na cadeia de transmissão   pela qual o mais baixo é iluminado e trazido à vida pelo mais alto. Assim aprendemos da responsabilidade   cósmica do homem: se ele negligencia sua natureza espiritual, negligencia a verdadeira finalidade de sua existência que é “ajudar Deus” se tornando um canal para as emanações de sua energia.

Mas o homem deixa de preencher este mais alto sentido de sua existência porque espiritualmente cai na caverna a qual, como veremos na discussão do Ícone da Angustia do Inferno, é a prisão   psicológica na qual ele cai quando é expulso do Paraíso. Ou podemos dizer é o lugar escuro onde Deus ainda não entrou.

A solo rochoso representa o nível material ou terrestre, e os pés simbolizam o ponto de contato que temos com o mundo material. Na arte sagrada estas imagens representam estados psicológicos do ser; assim certos detalhes, tais como os pés nus, ous os pés não não tocando o solo mas postos sobre escabelos, têm um sentido especial. Isto era familiar para o cristianismo alexandrino. Por exemplo, achamos Gregório de Nissa indicando que “pés calçados não podem ascender às alturas onde a luz da verdade é vista, mas... (sandálias) devem ser removidas dos pés da alma  ”. Isaque o Sírio, escrevendo no século VI, usa as mesma imagem quando diz,

Quando tua alma está próxima de sair da escuridão... seja diligente   em teu trabalho  , mantenha-se vigilante em guarda, que a graça   possa aumentar em ti dia a dia. Mas até que vejas isto ainda não tens cumprido tua jornada nem alcançado a montanha   de Deus.

Vemos que tanto São João quanto Prochorus já estão no nível mais alto que o plano material ou terrestre. Dos dois  , pelo tamanho desproporcional, São João é o maior. O fato que ele esteja na montanha, que podemos tomar por sendo o que Gregório de Nissa chama a “montanha do conhecimento de Deus”, e que seus pés não tocam o solo, indica um nível de realização   espiritual onde ele pode receber   diretamente as influências divinas que são tipificadas no ícone como luz fluindo através do universo. Esta influência é passada para os discípulo Prochorus que, por sua vez, escrevendo em papel, pode ser visto como inscrevendo a palavra divina sobre a matéria. Este ícone é assim uma descrição do Raio Divino e um comentário sobre a transmissão do conhecimento divino de acordo com a Doutrina   dos Graus.

O Mundo de Luz O Firmamento A Montanha São João o Evangelista (Homem) Prochorus (Homem) O Livro A Terra   A Caverna

O ícone nos mostra o ideal que almejamos. Ele só pode ser alcançado quando o homem encontra seu “lugar” próprio no universo. Vemos dois estágios na vida espiritual do homem onde ele realmente é homem como se tenciona que seja.