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Roberto Pla (HTDV:Logion 71) – Apócrifo de João - Adão

domingo 20 de março de 2022

      

Excertos de Roberto Pla  , "El HOMBRE TEMPLO   DE DIOS VIVO", Evangelho de Tomé - Logion 71

Para o autor deste tratado gnóstico, o sono profundo de Adão  , descrito em Gn 2,21, explica a incapacidade da alma   (Adam) recém-criada para se dar conta de si por si mesma, quer dizer, relata a carência de reflexão da alma sobre si mesma, uma reflexão que aporte à consciência a luz   de suas próprias percepções. A este sono profundo o denomina o gnóstico, “a embriaguez   da obscuridade”.

Para conseguir o despertar   de Adão, levou YHWH   diante dele não o “osso dos ossos” (a costela = Eva ), com diz Gen 2,23, senão a “reflexão luminosa”. Esta, a reflexão, é a verdadeira “alma da alma”, se se atende ao significado da alegoria  , que emprega o vocábulo “osso” = alma, no cântico e vaticínio de Adão (para a alegoria do osso, veja Clemente de Alexandria  , Excertos de Teodoto 63, 1ss).

Se diz que a reflexão luminosa correu o véu que estava sobre a inteligência de Adão, e em razão da luz que o aportava, denominou Adão (a Eva, a reflexão), a “mãe   de todos os viventes”.

Graças à reflexão luminosa (Eva), descobriu Adão a existência do conhecimento e com ele viu a necessidade   de comer o fruto   aquela árvore para olhar com êxito ao céu em busca da perfeição.

Mas o autor gnóstico agrega: “Foi a serpente   aquela que o ensinou a semeadura do desejo da impureza e a destruição”. Com isto se entende a dupla direção do caminho   que foi aberto para Adão. O fruto da árvore, é com efeito, semente   para a faculdade de conhecer.

  • A desnudez descoberta pelo homem   e a mulher depois de ter comido da árvore, é desnudez de conhecimento e, por conseguinte, o desejo de obtê-lo. Não a desnudez do corpo como se costuma interpretar, senão da alma. O corpo, ou túnica de pele, que o gnóstico explica como feito de “sombria obscuridade” foi uma provisão posterior  , de YHWH-Deus  . O gnóstico afirma inclusive: “Pela árvore o instruiu para comer o conhecimento, para que pudesse recordar sua perfeição (original) já que seu defeito   era a ignorância”.

Como obra da reflexão luminosa, o fruto abre o caminho até o perfeito, e como resultado da semeadura da serpente, é desejo da impureza e da destruição, quer dizer, “o desejo de todas as coisas do Cosmos.

Com isto se esclarece que a serpente genesíaca, é um do nomes designados pelo AT ao antimimo, o quinto membro da casa   antropológica (vide Evangelho de Tomé - Logion 71). O outro nome usado em ambos testamentos, para o antimimo é, em consequência, o do “Adversário” (o Satan  ás) idêntico à Serpente antiga. Se se o chama de “Adversário”, é porque a consciência se o representa como seu eu, seu próprio “espírito”, mas não é isto realmente, senão somente um arremedo do Espírito de Deus: um Adversário de Deus erigido na consciência dos homens.

Com o Adão que comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, pretende descrever o Gênesis ao homem capacitado para exercer sem limites sua faculdade de conhecer, mas o acesso ao conhecimento não é possível se o homem não é impulsionado antes pelo desejo de conhecer. Não há que esquecer que o desejo é a única potência volitiva de que dispõe o homem para se aproximar aos fins do conhecimento.


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