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Santos Gênese do símbolo

terça-feira 29 de março de 2022

      

A GÊNESE DO SÍMBOLO
Aproveitando o esquema biológico da adaptação, que tão bem corresponde às nossas concepções dos fatores da cultura, que implicam a presença dos fatores emergentes (intrínsecos), que são os bionômicos e os psicológicos, e dos fatores predisponentes (extrínsecos), que são os ecológicos e os histórico-sociais, podemos compreender facilmente a gênese do símbolo.

A criança, que é sempre uma grande lição para nós, mostra-nos no desenrolar de sua formação, o histórico da antropogênese, como vemos na “Noologia Geral” e apesar das opiniões contrárias, revela-nos ainda a formação do símbolo, através da criação complexa do ludus simbólico.

Na fase da predominância do sensório-motriz, que é a primeira do desenvolvimento da inteligência, vemos surgirem os "esquemas simbólicos" que são esquemas de ação, saídos do seu contexto, e que evocam situações ausentes, como, por exemplo, "fazer de conta" que dorme.

Mas o símbolo surge realmente, enquanto tal, quando a representação é destacada da ação própria : como, por exemplo, fazer dormir   um ursinho, isto é, um objeto que é um ursinho. O esquema biológico da adaptação, aplicado - à psicologia, como já tivemos ocasião de analisar em nossos trabalhos anteriores, oferece-nos possibilidades de melhor compreensão da gênese do símbolo, o que é de máxima importância para a compreensão de toda a atividade   pensamental do homem  .

Partindo dos fatores emergentes, o ser   humano é corpo e alma  . Como corpo, temos os fatores bionômicos, com um papel fundamental na vida humana e, como alma, os fatores psicológicos.

Os fatores bionômicos, emergentemente se fundam no que a biologia chama de
Organização - a parte som  ática, constituída dos esquemas hereditários, genericamente biológicos, incluindo ainda, como se inclui no pensamento   atual, todo o conjunto   das constelações esquemáticas do psíquico e do neuro-somático.

É o soma   e o sema   como complexo   corpo e alma, reunindo, assim, os fatores emergentes tomadas propriamente em sua emergência.

Mas o ser humano, como todo ser vivo, surge, perdura e depende de um meio ambiente, que lhe é favorável sob certos aspectos e também suficientemente hostil para, por condicionamentos, ativá-lo a ações e modificações que o tornam apto   a sobreviver nele, como nos mostra o mundo biológico em geral. E essa atividade   toma o nome genérico de Adaptação - a qual pode ser, não só biológica, como psicológica e até social. No caso que ora estudamos, que é o da simbólica, interessa-nos por ora a adaptação em sentido psicológico e social, pois o símbolo realiza uma operação diádica, tanto individual como social.

A adaptação processa-se pela acomodação, isto é, pela disposição   dos esquemas à circunstância   ambiental, e por uma assimilação   (assemelhação), em que é captado do ambiente o que é assimilável aos... e pelos esquemas.

Desta forma, temos a adaptação por:

  • Acomodação — ação “centrífuga  ” dos esquemas, dirigidos ad ...
  • Assimilação — ação “centrípeta” dos esquemas — dirigidos in ...

Biologicamente, o ser vivo dispõe de esquemas, e é em função deles que realiza uma ação de acomodação ao meio ambiente (psicologicamente seria ao mundo do objeto), e capta; do objeto, as formas que se assemelham às constitutivas dos esquemas (intentionaliter).

Para o idealismo absoluto, o conhecimento do homem está totalmente condicionado aos esquemas, pois aquele não poderia assimilar senão na proporção dos esquemas que já têm.

Mas esquece o idealismo absoluto de considerar o papel histórico do esquema.
O esquema não é algo estático, como pensam os idealistas. O esquema é histórico, e como tal é influído pelos fatos do mundo exterior.

O nosso espírito caracteriza-se sobretudo pela sua imensa capacidade de criar esquemas. E os "elementos  " componentes de um conjunto esquemático podem servir de "elementos" para estruturarem uma nova ordem  , num novo esquema.

Desta maneira, o mundo exterior tem um papel de facilitados, isto é, de predisponente na formação esquemática, além de dar historicidade maior aos esquemas anteriores que, pela sua repetição, tendem a generalizar-se, como vemos na “Noologia Geral”, já referida, e a gestar, consequentemente, a marcha do ante-conceito ao conceito, até à formação dos esquemas abstratos noéticos de segundo e terceiro graus, realizados pela razão.

Vê-se assim que na sua adaptação psicológica, o ser humano penetra com o seu soma, que é a organização - conjunto dos esquemas do sensório-motriz, enriquecidos pelos novos esquemas, cuja gestação a experiência predispõe - a qual atua com anterioridade cronológica (tese dos idealistas) apenas sob este ângulo, mas que sofre a influência objetiva, que auxilia a modelar novos esquemas por ação do espírito estimulado, e a fortalecer anteriores (ação modeladora predisponente do objeto, tese dos realistas).

Nessa atividade adaptadora, o equilíbrio do funcionamento dos esquemas com o fato, e a assimilação do mesmo permitem uma inteligência, por sua vez, também equilibrada.