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Vida de Pitágoras

terça-feira 29 de março de 2022

VIDA DE PITÁGORAS
É aceito quase sem divergência por todos que se debruçaram a estudar a sua vida, que Pitágoras   nasceu em Samos, entre 592 a 570 antes de nossa era; ou seja. naquele mesmo século em que surgiram tantos grandes condutores de povos e criadores de religiões, como foi Gautama Buda  , Zoroastro (Zaratustra), Confúcio   e Lao-Tse.

Temos aqui as circo maiores figuras daquele século, às quais se deve um papel eminente na história do pensamento humano, quer religioso, quer filosófico.

Inúmeras são as divergências sobre a verdadeira nacionalidade de Pitágoras  , pois uns afirmam ter sido ele de origem egípcia; outros, síria ou, ainda, natural de Tiro.

Relata a lenda que Pitágoras  , cujo nome significa o Anunciador pítico (Pythios), era filho de Menesarco e de Partemis, ou Pythaia. Tendo esta, certa vez, levado o filho à Pítia de Delfos, esta sacerdotisa vaticinou lhe um grande papel, o que levou a mãe a devotar-se com o máximo carinho à sua educação. Consta que Pitágoras  , que desde criança se revelava prodigioso, teve como primeiros mestres a Hermodamas de Samos até os 18 anos, depois Ferécides de Siros, tendo sido, posteriormente, aluno de Tales, em Mileto, e ouvinte das conferências de Anaximandro  . Foi depois discípulo de Sonchi, um sacerdote egípcio, tendo, também, conhecido Zaratos, o assírio Zaratustra ou Zoroastro, em Babilônia, quando de sua estada nessa grande metrópole da antiguidade.

Conta-nos, ainda, a lenda que o hierofante Adomai aconselhou-o a ir ao Egito, recomendado ao faraó Amom, onde, afirma-se. foi iniciado nos mistérios egípcios, nos santuários de Mênfis, Dióspolis e Heliópolis. Afirma-se, ademais, que teve um retiro no Monte Carmelo e na Caldeia, quando foi feito prisioneiro pelas tropas de Cambisis, tendo sido daí conduzido para a Babilônia. Foi em sua viagem a essa metrópole da Antiguidade, que conheceu o pensamento das antigas religiões do Oriente, e frequentou as aulas ministradas por famosos mestres de então.

Para muitos, estamos nas brumas da pura lenda, pois não há assentamento históricos suficientes que confirmem a veracidade de tais fatos. Mas, fundados, também, em tais modos de pensar, pouca coisa restaria para afirmar-se como verdadeiramente histórica de grandes vultos do passado, pois vimos, em nossos dias, negar-se valor histórico a Cristo, pelo simples fato de seus contemporâneos não terem notado seu valor, como se não fosse um velho costume dos que estão à frente das letras e da história, não perceberem os realmente grandes valores que lhes são contemporâneos.

Cristo foi visto pelos fariseus e letrados de sua época como um mero taumaturgo, que pregava ideias inaceitáveis.

Não é de admirar, pois, — sobretudo entre os gregos, cujos assentamentos históricos são tão incompletos e deficientes — que não nos tenham transmitido com a máxima segurança a historicidade de Pitágoras  , como lambem a de muitos outros personagens. Ademais, houve vários Pitágoras  , em diversos sectores, confundidos muitas vezes com aquele que fundou a escola de Crótona, não sendo, portanto, de admirar a perplexidade e o cepticismo que se apossam de muitos, quanto aos relatos que se costumam fazer de sua vida. Mas a verdade é que o pitagorismo existiu, e existe ainda, e deixou uma obra monumental, sobre a qual podem debruçar-se os estudiosos.

Observa-se, porém, em todas as fontes que nos relatam a vida de Pitágoras  , que este realizou, em sua juventude, inúmeras viagens e peregrinações, tendo voltado para Samos já com a idade de 56 anos. Suas lições atraíram-lhe muitos discípulos, mas provocaram, também, a inimizade de Policrates, então tirano em Samos, o que fez o sábio exilar-se na Magna Grécia (Itália), onde, em Crótona, fundou o seu famoso Instituto.

Nota: Dizem Nicômaco e Jamblico que em certa ocasião Pitágoras   pronunciou um famoso discurso, o qual influiu decisivamente na fundação da sua famosa sociedade, onde os membros se propunham a praticar a comunidade de bens, entregues à meditação, através do que alcançariam o caminho do saber, da Mathesis Suprema, a suprema sophia, a suprema sabedoria. Para tanto, era preciso amá-la, e aqueles que fossem amantes do saber, seriam filósofos, (de pkiloo eu amo, e sophia, saber), de onde Pitágoras   cunhou o nome que depois se universalizou: philosophia. O conhecimento, a gnosis, permitiria que o homem penetrasse, seguindo os caminhos humanos, a via que levaria à Mathesis Suprema, a suprema instrução. Só o conhecimento nos daria a felicidade, pois afirmava ele que a felicidade suprema consiste na verdadeira eudaimonia da alma, na contemplação da harmonia dos ritmos do Universo, ou, melhor, reproduzindo as suas palavras famosas "tes teleiótetos tôn arithmôn", a perfeição dos Números, o número como ritmo e proporção, como nos conta Clemente de Alexandria  .

Antes de sua localização na Magna Grécia, relata-se que esteve em contacto com os órficos, já em decadência, no Peloponeso, tendo então conhecido a famosa sacerdotisa Teocléia de Delfos.

Mas é na Itália que desempenha um papel extraordinário, porque aí é que funda o seu famoso Instituto, o qual, combatido pelos democratas de então, foi finalmente destruído, contando-nos a lenda que, em seu incêndio, segundo uns, pereceu Pitágoras  , junto com os seus mais amados discípulos, enquanto outros afirmam que conseguiu fugir, tomando um rumo que permaneceu ignorado (na edição dos "Versos Áureos de Pitágoras  ", temos a oportunidade de comentar as passagens da história e da lenda).

Segundo as melhores fontes, Pitágoras   deve ter falecido entre 510 a 480. A sociedade pitagórica continuou após a sua morte, tendo desaparecido quando do famoso massacre de Metaponto, depois da der rota da liga crotoniata (NA: A confraternidade pitagórica teve um grande papel histórico na liga crotoniata, por sua influência política quase absoluta. Segundo certos dados, havia, nessa época, três espécies de iniciados: os filósofos contemplativos, que eram os matemáticos; os nomotetes, aos quais cabiam a direção política e a atividade social; e uma terceira categoria, os políticos, que não haviam ainda alcançado os graus de iniciação, e que eram instrumentos para a execução dos planos que elaboravam os dirigentes.). Dessa catástrofe, haviam se salvo apenas Lysis   (que é dado como autor dos "Versos Áureos") e Filolau, ura dos mais famosos pitagóricos de todos os tempos, os quais, possivelmente, (e há aqui suficientes elementos a favor dessa possibilidade), nem tenham conhecido Pitágoras   pessoalmente. Com eles salvaram se alguns noviços, entre os quais se salientam os nomes de Hipócrates de Quios, que viveu depois em Atenas, Hiparco e Hípias, que, posteriormente, foram considerados traidores, por terem revelado certos segredos da ordem, merecendo a "excomunhão" da mesma. Dos seguidores próximos dessa época deve-se salientar Arquitas de Tarento.

O próprio Filolau também foi considerado por muitos pitagóricos como traidor, por haver publicado trabalhos nos quais revelava certos aspectos da filosofia de Pitágoras  , e também por constar haver vendido três livros secretos a Dion, irmão de Dionísio o Antigo.

Havia, para os escolhidos, um grau de noviciado e uma iniciação de grau de aprendiz, que levava cinco anos (grau de paraskeiê, de preparação), seguindo-se, depois, o de katharsis - kathartysis, de purificação, que corresponde ao companheiro maçônico, e, finalmente, o de teleiôtes (de telos, fim) que era o de mestre, ao qual eram reveladas as primeiras e últimas causas das coisas.

Quanto às causas da destruição da ordem pitagórica, examinamos em nosso "Versos Áureos de Pitágoras  ", onde relatamos os erros políticos cometidos pelos discípulos, que não souberam acatar as normas preconizadas pelo mestre.