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Wei Wu Wei (OS:3) – a vontade-inferência

Part I - 3 The Will-Inference

domingo 28 de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

      

... a «volição  » é somente uma inferência, pois, buscando tanto quanto se queira, não se encontra um entidade para exercitá-la. Tudo que encontramos é um impulso que parece ser uma expressão da noção de "eu"  . [Wei Wu Wei  ]

      

tradução

I

O mecanismo da vida parece estar baseado na noção de que o que os seres sencientes fazem é devido a um ato de volição   da parte de cada tal objeto fenomenal.

É óbvio, entretanto, que reagem ao invés de agirem, e que sua vida está condicionada pelo instinto  , hábito  , moda e propaganda. Seu modo de vida é primordialmente uma série de reflexos, que deixam um espaço limitado para ação considerada e deliberada; ou seja, ação proposital que, superficialmente considerada, pode parecer ser o resultado de volição, ou o que é chamado um ato de vontade.

No entanto a «volição» é somente uma inferência, pois, buscando tanto quanto se queira, não se encontra um entidade para exercitá-la. Tudo que encontramos é um impulso que parece ser uma expressão da noção de "eu"  . Pareceria ser injustificável assumir que tal impulso poderia ser capaz de afetar a cadeia inexorável de causação ou, alternativamente, o processo de manifestação que produz eventos aparentes, a menos que ele mesmo fosse um elemento   de um ou de outro.


II

A volição, então, pareceria ser uma inferência ilusória, uma mera demonstração da parte de um eu-conceito energizado, resultando seja em frustração ou completude e portanto sendo a fonte   e a explicação da noção de karma  . Os seres sencientes são inteiramente "vividos" como tal, como frequentemente foi notado por filósofos e endossado por metafísicos, e o fenômeno   psico-som  ático é inexoravelmente sujeito à causação. Eis porque seres sencientes como tal, como o Buda   é creditado ter afirmado e reafirmado na Sutra   do Diamante, não são enquanto entidades. Eis, também, porque enquanto fenômenos eles não são; todavia, numenalmente — embora não possam ser como entidades ou como qualquer coisa objetiva — são como númeno.

E númeno, por definição sendo integralmente destituído de qualquer elemento-traço de objetividade, não é, não pode ser, em qualquer sentido que seja — posto que todas as formas de ser devem necessariamente ser objetivas. Aqui a linguagem nos falha e deve ser deixada de lado como a jangada que nos carregou através do rio. Tudo que podemos dizer é algo como tal "isso, que todos os seres sencientes são, ele mesmo [isso] não é".

Se isso não é compreendido parecerá insatisfatório mas, se compreendido, parecerá luminoso e revelador, e por razões óbvias que a compreensão é "ela mesma", este númeno que somos.

Mas aqui o alerta eterno é necessário: fenômenos que, como o termo assevera, parecemos ser, nada são senão númeno, e númeno, que é tudo que somos, embora como tal ele mesmo não é, é um fenômeno (como sua aparência).

«Volição», portanto, embora não seja — é somente uma aparência fenomenicamente — é numenicamente e pode ser vista como uma objetificação da numenalidade. Como tal a conhecemos como buddhi e prajna  , como visão-interior intuicional e, a conhecendo, é nós mesmos, tudo que somos, que — no conhecimento dela — estamos conhecendo, pois isto que somos é este conhecimento dela.

Tudo muito simples, evidentemente, até que tentamos objetificar em palavras.


III

Talvez a questão da volição possa ser prontamente compreendida apenas perguntando quem aí exercita a volição e quem aí experimenta os resultados dela.

Fenomenicamente há uma causa   aparente, que pode ser chamada ego-volição, e um efeito psíquico, que pode ser completude ou pode ser frustração.

O efeito da «volição» condicionada é o resultado de causas das quais a volição é um efeito-causa mediato, e um aparato psico-somático experimenta esse efeito,

E com relação àquela «volição» que é não-volição, wu wei   ou bodhi  , o efeito supremo é a integração.

A fim de que possa haver volição e o resultado da volição, seria necessário haver uma entidade para exercer uma e para sofrer   a outra. Se se acha que não existem tais entidades então nenhuma tal coisa como volição pode existir que não seja um conceito.

Numenicamente não há nenhuma volição — porque não há nenhum eu. Fenomenicamente a espontaneidade somente é não-volicional.

Mas pela compreensão que a volição não é, o caminho   pode ser encontrado para ser aberto por onde essa «volição» que é não-volição pode nos liberar, como objetos aparentes, de um apego que é devido àquela identificação com uma objetificação, que nunca fomos, não somos, e nunca poderíamos ser.


IV

Vivendo não-volicionalmente é uma contradição em termos (a menos que implique em ser "vivido").

Não reagindo aos eventos como um resultado da compreensão disto é viver   não-volicionalmente (ou ser "vivido").

A compreensão intelectual é uma causa condicionada. A compreensão intuitiva poderia ser uma causa não-mediata.

Pois causa e efeito estão divididos no Tempo, mas intemporalmente são um  .

Original

I

The MECHANISM of living seems to be based on the notion that what sentient beings do is due to an act of volition on the part of each such phenomenal object.

It is obvious, however, that they react rather than act, and that their living is conditioned by instinct, habit, fashion, and propaganda. Their way of hfe is primarily a series of reflexes, which leaves a limited scope for deliberate and considered action; that is, purposeful action which, superficially considered, might appear to be the result of volition, or what is called an act of will.

Nevertheless “volition” is only an inference, for, search as we may, we can find no entity to exercise it. All we can find is an impulse which appears to be an expression of the notion of “I.” It would seem to be unjustifiable to assume that such an impulse could be capable of affecting the inexorable chain of causation or, alternatively, the process of manifestation which produces apparent events, unless itself it were an element of one or of the other.


II. Volition

Volition, then, would seem to be an illusory inference, a mere demonstration on the part of an energised Tconcept, resulting either in frustration or fulfillment   and thereby being the source and explanation of the notion of karma. Sentient beings are entirely “lived” as such, as has often been noted by philosophers and endorsed by metaphysicians, and the psycho  -somatic phenomenon is inexorably subject to causation. That is why sentient beings as such, as the Buddha is credited with stating and re-stating in the Diamond Sutra  , are not as entities. That, also, is why, since as phenomena they are not, noumenally—though they cannot be as entities or as anything objective—nevertheless, they are as noumenon.

And noumenon, by definition being integrally devoid of any trace-element of objectivity, is not, cannot be, in any sense   whatever—since all forms of being must necessarily be objective. Here language fails us and must be left behind like the raft that has carried us across the river. All we can say is something such as “this, which is all that sentient beings are, itself is not.”

If this is not understood it will appear unsatisfying but, if understood, it will appear luminous and revelatory, and for the obvious reason that the understanding is “itself” this noumenon which we are.

But here the eternal reminder is necessary: phenomena which, as the term asserts, we appear to be, are nothing but noumenon, and noumenon, which is all that we are, though as such itself is not, is as phenomena (as its appearance).

“Volition,” therefore, though it is not—is only an appearance phenomenally—is noumenally and may be regarded as an objectivisation of noumenality. As such we know it as buddhi or prajna, as intuitional inseeing and, knowing it, it is ourselves, all that we are, which—in the knowing of it—we are knowing, for this which we are is this knowing of it.

All very simple, evidently, until you try to objectify it in words.


III. Definition of Volition

Perhaps the question of volition may be most readily understood just by asking who there is to exercise volition and who there is to experience the results of it.

Phenomenally there is an apparent cause, which can be called ego-volition, and a psychic effect, which may be fulfillment or which may be frustration.

The effect of conditioned “volition” is the result of causes of which the volition is a mediate effect-cause, and an apparent psycho-somatic apparatus experiences that effect.

And as regards that “volition” which is non-volition, wu wei or bodhi, the ultimate effect is integration.

In order that there might be volition and the result of volition there would need to be an entity to exercise the one and to suffer the other. If it is found   that there are no such entities then no such thing as volition can exist other than as a concept.

Noumenally there is no volition—because there is no I. Phenomenally spontaneity alone is non-volitional.

But by understanding what volition is not, the way may be found to be open whereby that “volition” which is nonvolition may liberate us, as apparent objects, from the bondage which is due to that identification with an objectivi-sation, which we have never been, are not, and never could be.


IV Observations

Living non-volitionally is a contradiction in terms (unless it implies being “lived”).

Not reacting to events as a result of understanding this is living non-volitionally (or being “lived”).

Intellectual understanding is a conditioned cause. Intuitional understanding might be a non-mediate cause.

For cause and effect are divided in Time, but Intemporally they are one.


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