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TERMOS CHAVES

Nomes de Deus

LINGUAGEM

segunda-feira 25 de julho de 2022, por Cardoso de Castro

    

Pierre Riffard

Nomina sunt numina (fórmula latina: «os nomes são vontades celestes, das divindades»)

Doutrina   religiosa, ocultista, esotérica segundo a qual:

  • uma coisa sem nome é uma coisa sem existência (Poema babilônico da Criação, tablete 1: «Quando no alto o céu ainda não era nomeado, e que em baixo a Terra   não tinha nome...»);
  • cada ente  , evento, estado  , grau possui um nome que lhe é próprio enquanto indivíduo   ou em sua espécie, resumindo sob a visão   da Ideia (Gen 2,19: «Todos os animais   selvagens e todos os pássaros do céu... cada um deve portar o nome que o homem   lhe deu»);
  • o nome é a coisa, nomear se torna conhecer (O Livro dos Mortos Egípcio, os tratados gnósticos  , a noção   de «selo»);
  • o nome supõe o som  , e entre coisa, som e nome, há identidade   simbólica;
  • se se reproduz bem o nome, o som, age-se sobre a coisa, retorna-se a sua origem, há um perigo mágico (donde o «tabu onomástico», regra proibindo a pronunciação de certas palavras porque são homônimas ou parônimas de deuses ou de chefes).

Notions philosophiques

A reflexão   sobre o termo grego onoma  , «nome», tem de cara um desafio ontológico: Heráclito   e Parmênides   denunciam a contradição entre o que é nomeado e as denominações dadas de modo irrefletido ou vazio  . Do Crátilo   de Platão aos epicuristas e aos estoicos   passando por Aristóteles, a problemática do onoma resta essencialmente aquela de sua retitude: de sua relação ao pragma, à «coisa» da qual se ocupa (em retórica, pragma   — de prasso   = realizar —, designa o argumento   de um discurso). Segundo a relação estabelecida entre onoma, o termo apelativo, e pragma, seu conteúdo, é imediata ou mediata, natural ou instituída, uma resposta   diferente é dada à questão da origem da língua, logo da amplitude a acordar às etimologias, e àquela da função — mimética o diacrítica, analítica ou expressiva — da linguagem.

Roberto Pla

O nome divino, o que foi revelado a Moisés segundo a Escritura, é o único nome com que cada um conta para referir-se a si mesmo quando pretende fazer-se filho   de Deus  , quer dizer, para invocar o Homem real interior de quem diz Jesus   que é a luz   do mundo: “Eu sou este Eu sou”. A luz do mundo possui uma vocação unitária absoluta. Só há uma luz do mundo, “a que é”; e nenhuma outra coisa que não seja a luz do mundo “é” firmemente. Isto é o que explica Jesus, embora não tenha sido escutado, quando em sua magna oração   clamava em todos o conhecimento unitário de sua própria luz.

  • E eu lhes dei   a glória   que a mim me deste, para que sejam um, como nós (tu, Pai e eu) somos um (uno, na luz, no nome divino, proscrito pelo mundo); eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade  , a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles, assim como me amaste a mim. (Jo 17:22-23)

O mesmo significado tem a proscrição do nome divino, anunciada por Lucas  , como ação do mundo sobre o que não é deste mundo, que a ausência   do “lugar” para os nomes do mundo proposta pelo evangelista Tomé (Evangelho de Tomé) quando diz: “Que não se encontre lugar ali onde se os tenha procurado”.

  • O grego topos tem aqui o sentido de que não se encontre nada, ninguém, ali onde se os tenha procurado.

O texto de Lucas (Bem-aventurados quando vos injuriarem) fala do nome divino proscrito — não conhecido — pelo mundo, e o de Tomé (Evangelho de Tomé - Logion 68, dos nomes do mundo que há de proscrever em si mesmo o aspirante a bem-aventurado  . São duas maneiras   de referir-se a um mesmo ato substancial: Só é verdadeiro o nome divino, unitário, único, que o mundo aborrece; um nome que quem pretende não sere deste mundo só o pode obter mediante a negação prévia de todos os nomes plurais, não verdadeiros, deste mundo. A esta negação se referia Jesus em Renúncia  . (Evangelho de Tomé - Logion 68)

Ramón Arola

Toda a exegese   hebraica está baseada no Nome do Senhor: encontramos um comentário de E.H.: «Os Antigos ensinaram que, devido à transgressão de nossos primeiros pais  , o Nome Divino foi dividido em dois  . As duas primeiras letras separaram-se das duas últimas. Deste então, estas duas partes, que estão vivas, procuram-se eternamente, vagando pelos mundos. A obra da cabala   é reuni-las, também sendo denominada obra marial ou messiânica. As duas primeiras letras, IH, formam a palavra Ia. Está no céu, onde sonha eternamente, sempre insatisfeita. Em hebraico, são as letras iod e he. As duas últimas letras são VeH. Pronunciam-se Hu, o que significa»Ele«em hebraico. Estão neste mundo de exílio   com o homem que possui o sentido e a palavra, porém extraviadas e reduzidas à dimensão do exílio. As duas primeiras são um ser insensato que sonha e pensa, sem conhecer-se. As duas últimas são um ser enfeado pela concupiscência   do sensível  , no exílio. Tais são o céu e a terra, que devemos reunir   para formar o reino - e os cristãos dizem, em suas orações:»Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...«- e torná-los uma só coisa. Por este motivo, vemos em Deuteronômio, 6,4:»Ouve, Israel  , YHWH   nosso Deus é o único Senhor.«Isto não significa que seja uno, só, mas é como se fosse dito:»Que os demais povos venerem um deus inacessível no céu ou se prosternem diante de um ídolo   terrestre impotente. Teu Deus, o teu, Israel, é a união   do céu e da terra, porque ele é uno, porque está reunificado."

Explicam os Sábios Antigos, que a separação   do Nome de Deus em duas partes ocorreu quando da destruição do Templo   de Jerusalém. Quando o templo existia, o Nome de Deus, YHWH, era pronunciado uma vez ao ano pelo Sumo Sacerdote, no Santo dos Santos do templo. Destruído o templo, o Nome não mais pôde ser pronunciado, pois para isto precisa do lugar apropriado, onde se unem o céu e a terra. No exílio, pode-se escrever   o nome, mas não pronunciá-lo, daí por que os hebreus leem o Tetragrama (YHWH) como Adonai   (que significa Meu Senhor) ou como Hashem (que significa O Nome). Portanto, para que as duas partes do Nome sejam reunificadas, precisamos encontrar o templo, o lugar onde o céu e a terra podem unir-se. [O SIMBOLISMO DO TEMPLO]

Vladimir Lossky

En lo concerniente a los nombres que aplicamos a Dios, nos revelan sus energías (energeia  ) que descienden hacia nosotros, pero no nos acercan a su esencia inaccesible (apophasis  ). Para san Gregorio de Nissa - Gregorio de Nisa, todo concepto relativo a Dios es un simulacro, una imagen falaz, un ídolo. Los conceptos que formamos según el entendimiento y la opinión que nos son naturales, basándonos en una representación inteligible, crean ídolos de Dios en vez de revelarnos a Dios mismo. No hay más que un nombre para expresar la naturaleza divina: es el asombro que embarga al alma   cuando piensa en Dios. San Gregorio de Nazianzo - Gregorio Nacianceno, citando a Platón sin nombrarlo («uno de los teólogos helenos  »), corrige del siguiente modo el pasaje del Timeo sobre la dificultad de conocer a Dios y la imposibilidad de expresarlo: «es imposible expresar la naturaleza de Dios, pero aún menos posible es conocerla». Este arreglo de la sentencia de Platón por parte de un autor cristiano a menudo considerado platonizante muestra por sí solo cuán lejos está el pensamiento de los padres del de los filósofos.

Nicolas Boon

Moisés recebeu a revelação do Deus Único no Monte Sinai. A sua demanda, quando Deus o envio ao Egito   para liberar seu povo: «se me demandarem qual é seu nome, que devo responder?» Deus lhe disse: «Eu sou   aquele que sou». Isso quer dizer: o ser é minha essência ou não posso não ser. Eu sou o Eterno. Em hebraico se diz: eheyeh ascher eheyeh. Donde o Nome: «Eu Sou - Aquele que é». Este nome já está inscrito na demanda de Moisés: «se me demandam qual é seu nome, que devo responder?». Em hebraico esta frase é curta: (se) A mim que seu nome, que? (li mah schemo mah) (Ex. III, 13-14). Observemos as últimas letras de cada palavra. Estas quatro letras são em hebraico: YHWH. É o nome sagrado   por excelência. Não ouso dar a pronúncia, pois somente o grande sacerdote tinha o direito de pronunciá-lo uma vez por ano no santo dos Santos. Na Bíblia   adicionou-se vogais. São em realidade as vogais do nome Adonai. Para o judeu  , ainda hoje, estas vogais são um aviso para dizer: Adonai, que quer dizer Senhor. De minha parte escrevo sem as vogais. Elas dão lugar a pronúncias inexatas como YHWH e Javé. O judeu não pronuncia jamais, a princípio por respeito e em seguida porque este nome quer dizer muito mais que «Deus existe». É sobretudo, uma parousia   - Presença ativa, logo um segredo que não se pode expressar em palavras. Em nossas traduções dizemos: «YHWH - Tetragrama». é uma palavra grega. Tetra que dizer quatro e gramma: letra  . As vezes dizemos também o Eterno. Evitamos a palavra Senhor para bem distinguir   o Nome sagrado   de Adonai quando a palavra se apresenta. Isso nos evita uma certa confusão  . Salientamos, para concluir que o valor   numérico deste Nome é 26: I (yod) = 10; H (he) = 5; W ou V (vav) = 6; H (he) = 5; assim 10 + 5 + 6 + 5 = 26. Retemos este número   pois tem sua importância. Por vezes encontramos este número escrito assim: IDVD. Desta letra H (hé), decomposta em daleth D e vav V. Não se trata de simples substituição de uma letra por outra, mas da absorção dos dois V em um só, o do meio. Os três V são as três colunas da árvore sefirótica (v. Sephiroth). Os dois D (daleth) são as duas portas, a de baixo, em Malkuth, aquela do alto, em Binah. [NO CORAÇÃO DA ESCRITURA]