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WHY LAZARUS LAUGHED

Wei Wu Wei (WLL68): Que sou?

§ 68

domingo 12 de janeiro de 2020

Excerto de WEI WU WEI  . Why Lazarus laughed. Boulder: Sentient Publications, 2003, p. 88-91

nossa tradução

dois?: Boas novas, velho amigo?, o melhor? de sempre.

um: Excelente. Isso quer dizer?

dois: Sou realidade?!

Um: Tão óbvio quanto teu nariz, mas parabéns por perceber?.

dois: Fantástico?! Não tinha ideia? de que a vida? tinha tanta emoção?! Quero dançar, ou pular por sobre a lua. Sinto como se uma névoa tivesse levantado, como se um fardo insuportável tivesse sido tirado dos meus ombros.

primeiro?: O conceito? de EU? é como ser amordaçado e amarrado a correntes, não é?

dois: Sim, de fato?. Há? muito que acreditava que a coisa? não existia, mas agora? vim a conhecer?. Que diferença? !

um: ’Acreditar’ era? apenas a pretensão usual; sabendo que ainda é intelectual?; quando o experimentas, a gravidade não existe mais.

dois: Quando olho?, quando falo, quando ouço, é realidade que olha, fala? e ouve!

primeiro: Quem mais poderia haver para olhar, falar? e ouvir?

dois: Ninguém, mas não percebia. E o que olho, o que digo, o que ouço - é realidade!

um: Bobagem; não é nada? desse tipo?!

dois: Como assim? Então o que é?

primeiro: O que olhas, dizes ou ouves é apenas uma interpretação? da realidade em um meio? dualista, e não tem nenhum ser-enquanto-tal reconhecível com a realidade, exceto em sua natureza? que não pode ser olhada, dita ou ouvida.

dois: E ainda assim o ’eu’ que olha, fala, ouve, é realidade? Parece ilógico.

um: A realidade nada sabe de lógica?; nunca foi à escola?.

dois: Mesmo assim. . . Mas é claro que deves estar? certo; pensando nisso, o que olho, digo e ouço não pode ser realmente real?, pode?

um: Não poderia. O que olhas, dizes e ouves consiste de objetos? na consciência?, interpretações da realidade em um contexto de tempo?, espaço? e dualidade.

dois: Sim, sim, mas por quê?

um: Porque, é claro, a realidade estando fora? do tempo, sem espaço e não-dual - todos os quais são apenas conceitos - não pode ser percebida como é, por meio dessas limitações?.

dois: Então como posso realmente ser percebido?

um: Não podes - a menos que seja como um símbolo? algébrico, ou, talvez, como relação?, como harmonia?, por exemplo?; és normalmente visto? como um objeto na consciência, dualisticamente no tempo e espacialmente como forma?.

dois: Minha realidade, meu ser-enquanto-tal, só podem ser inferidos?

primeiro: A inferência? é inevitável, mas seu ser-enquanto-tal é imperceptível.

dois: Como, então, me torno perceptível?

um: Por estar vestido; és tu mesmo? invisível, apenas tuas roupas? são vistas.

dois: Minhas roupas? Que roupas e de onde vêm?

primeiro: Tuas roupas são qualidades? projetadas sobre ti pelo pensamento? dualista.

dois: Que tipo de qualidades?

um: Todos os tipos - tamanho, peso?, forma, cor, caráter?. . .

dois: Mas essas são todas as estimações, funções? de seus opostos, pontos em uma escala de valores? imaginários, limitados pelo alcance de nossos sentidos?, desprovidos de realidade intrínseca!

um: Vês isso claramente; estás lendo o Sutra do Diamante – Assim ouvi. . . ’

dois: E despojado dessas estimações dualísticas, arbitrárias e irreais, o que sou?

um: Um buraco no espaço.

dois: Como todo o resto?

um: Como tudo o mais sensorialmente perceptível. Como todo o universo?, percebido por nossos sentidos e suas extensões mecânicas.

dois: O ser-enquanto-tal de nenhum objeto pode ser percebido?

um: Obviamente não.

dois: Mas o que são objetos, quando tudo é dito? e feito?

um: Objetivações da realidade da única maneira que a realidade pode ser objetivada, isto é, pela abordagem dualística, compreendendo a consciência e seus objetos - todos nós somos.

dois: E a consciência inclui todos os objetos?

Um: Tudo o que é cognoscível. Nada está fora da consciência, pois não há fora disso.

dois: Como sujeito?, sou sempre real; como objeto, sou sempre relativo??

um: Relatividade? significa realidade vista dualisticamente como observador? e observado?.

dois: De repente, parece simples?!

um: Complicações surgem apenas em problemas? falsos?.

dois: Como é possível? identificar-se com um objeto, quando se se conhece como sujeito?

um: Não é possível! Identificaste-te com objeto em vez? de te reconhecer como sendo? também sujeito, isso é tudo.

dois: E no entanto estava eternamente dizendo ’eu’, como todo mundo?!

um: Que ’eu’ era um objeto, nunca o sujeito real quando o usavas condicionalmente, esse? é o motivo?.

dois: Então é isso; quando alguém compreende, percebe, sabe que se é EU-realidade. . . torna-se óbvio!

Um: Tão óbvio como um nariz!

Original

two : Great news, old chap, the greatest ever.

one : Excellent. That is to say ?

two : I am? reality!

one : As obvious as your nose, but congratulations on noticing it.

two : But it is terrific! I had no idea? life held such a thrill! I want to dance, or jump over the moon. I feel as if a fog had lifted, as though an insupportable burden had been taken from my shoulders.

one : The I-concept is like being gagged, and bound with chains, is it not ?

two : Yes, indeed. I had long believed the thing did not exist?, but now I have come to know it. What a difference !

one: ‘Believing’ it was only the usual pretence; knowing? it is still intellectual; when you experience it even gravity will no longer exist.

two : When I look, when I speak, when I listen, it is reality that looks and speaks and listens!

one : Who else could there be to look and speak and listen ?

two: No one, but I didn’t realise it. And what l see, what I say, what I hear—is reality !

one : Nonsense; it is nothing of the kind!

two: What do you mean? What is it then?

one: What you see, say or hear is only an interpretation of reality in a dualistic medium, and bears no recognisable resemblance to reality except in its suchness which can neither be seen, said nor heard.

two : And yet the ‘I’ that sees, speaks, listens, is reality? It seems illogical.

one: Reality knows nothing of logic; it has never been to school.

two: Even so . . . But of course you must be right; come to think? of it, what I see, say and hear could not be really real, could it?

one : It could not. What you see, say and hear consists of objects in consciousness, interpretations of reality in a context of time, space and duality.

two: Yes, yes, but why?

one: Because, of course, reality being outside time, without space, and non-dual—all of which are concepts only—cannot be perceived as it is via those limitations.

two: Then how can I really be perceived?

one : You cannot—unless as an algebraic symbol, or, perhaps, as relation, as harmony for instance; you are normally seen as an object in consciousness, dualistically in time, and spatially as form.

two : My reality, my suchness, can only be inferred?

one : The inference is inescapable, but your suchness is imperceptible.

two : How, then, do I become perceptible?

one: By being clothed; you yourself are invisible, only your clothes are seen.

two : My clothes? What clothes, and where do they come from?

one : Your clothes are qualities, projected? on to you by dualistic thinking.

two : What kind of qualities?

one: All kinds—size, weight, shape, colour, character? . . .

two : But those are all estimations, functions of their opposites, points on a scale of imaginary? values, limited by the range of our senses, devoid of intrinsic reality !

one : You see that clearly; you have been reading the Diamond Sutra—‘Thus have I heard . . .’

two: And stripped of these arbitrary and unreal dualistic estimations, what am I?

one : A hole in space.

two: Like everything? else?

one: Like everything else sensorially perceptible. Like the whole universe as perceived by our senses and their mechanical extensions.

two: The suchness of no object can ever be perceived ?

one: Obviously not.

two : But what are objects, when all is said and done?

one: Objectivisations of reality in the only way reality can be objectivised, that is, by the dualistic approach, comprising consciousness and objects thereof—all of which we are.

two : And consciousness includes all objects?

one: Everything that is cognisable. Nothing is outside consciousness, for there is no outside of that.

two: As subject, I am always real; as object, I am always relative?

one: Relativity meaning reality envisaged dualistically as Observer and observed.

two: Suddenly it seems simple!

one: Complications only arise in false problems.

two: How is it possible to identify oneself with an object, when one knows oneself as the subject?

one: It is not possiblel You have been identifying yourself with an object instead of recognising yourself as being also the subject, that is all.

two : And yet I was eternally saying ‘I,’ like everybody else!

one: That ‘I’ was an object, never the real subject when you used it conditionally, that is the reason?.

two: So that is it; when one understands, realises, knows that one is I-reality . . . it becomes obvious !

one: As obvious as a nose !


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