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No enxame : perspectivas do digital.

Byung-Chul Han (EPD) – óculos de dados

Do camponês ao caçador

quarta-feira 17 de novembro de 2021, por Cardoso de Castro

    

Quem ou o quê dita aquilo que se vê? O filósofo Byung-Chul Han  , fala brevemente sobre os «óculos de dados», mas a metáfora da figura abaixo pode ter maiores e mais profundas considerações...

BYUNG-CHUL HAN. No enxame : perspectivas do digital. Tr. Lucas   Machado. Petrópolis: Vozes, 2018 (epub)

    

Os caçadores digitais de informação estarão sempre andando com os seus Google Glass. Esses óculos de dados substituem as lanças, os arcos e as flechas dos caçadores paleolíticos. O Google Glass liga o olho humano diretamente à internet. Seus usuários, por assim dizer, veem a tudo. Eles introduzem a era da informação total. O Google Glass não é um instrumento, não é uma “ferramenta” [Zeug], não é um “à mão  ” [Zuhandenes] no sentido heideggeriano, pois não se o toma à mão. O celular [1] seria ainda um instrumento. O Google Glass se aproxima tanto de nosso corpo que ele é percebido como parte do corpo. Ele completa a sociedade da informação ao fazer com que o ser   coincida inteiramente com a informação.

O que não é informação não é. Graças aos óculos de dados, a percepção humana alcança uma eficiência total. Não apenas com cada clicar [Klick], mas também com cada olhar [Blick] se conquista presas. O ver do mundo coincide com o capturar do mundo. O Google Glass totaliza a ótica do caçador, que ignora tudo que não é presa, ou seja, que não promete informação. A felicidade   animal   da percepção, do ver, porém, consiste em sua ineficiência. Ela corresponde ao longo olhar que se demora nas coisas sem as explorar [ausbeuten].


Ver online : No enxame : perspectivas do digital.


[1Em alemão, o termo para celular, Handy, remete novamente à mão [N.T.].