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METAFÍSICA

Aristóteles (M:L13§V) – as "ideias" são inúteis

domingo 7 de novembro de 2021, por Cardoso de Castro

ARISTÓTELES. The Complete Works of Aristotle. Ed. Jonathan Barnes. Princeton: Princeton University Press, 1995.

português

A maior dificuldade [que a doutrina das ideias de Platão implica] consiste em saber qual passa a ser a utilidade das ideias para os seres sensíveis eternos ou para aqueles destes seres que nascem e que morrem. Por si mesmas não são causa de nenhum movimento, de nenhuma transformação nesses seres, nem sequer contribuem para a ciência dos mais seres. Com efeito, as ideias não constituem a essência destes seres, porque então estariam neles; muito menos são elas que engendram a sua existência, visto que residem nos seres que participam das ideias. Mas talvez se julgue que são causas no mesmo sentido em que a brancura é causa do objeto branco com o qual se confunde. Esta opinião, que radica nas doutrinas de Anaxágoras   e que, depois, Eudóxio, não sabendo por que caminho havia de seguir, adotou, é também muito fácil de refutar. Contra semelhante doutrina poderiam acumular-se inúmeros argumentos. Mas vou mais longe: é impossível que os mais seres provenham das ideias, qualquer que seja a acepção em que se tome a palavra provir. Afirmar que as ideias são exemplares e que os seres participam das ideias significa contentar-se com palavras destituídas de sentido, elaborar metáforas poéticas. Tem, acaso, necessidade de manter o olhar preso às ideias quem quer que trabalhe em sua obra? Qualquer ser pode existir, pode ser feito, sem que algo lhe tenha servido de modelo. E, deste modo, tenha ou não existido Sócrates  , pode nascer um homem como Sócrates  . Mesmo que Sócrates   fosse eterno, é evidente que a mesma consequência decorreria. Além de mais, poderia haver muitos modelos de uma mesma coisa e, por conseguinte, muitas ideias. Por exemplo, em relação ao homem teríamos o animal, o bípede, o animal em si.

Mas há mais. As ideias não seriam apenas modelos dos objetos sensíveis, como também seriam modelos de si mesmas: assim, seria gênero enquanto gênero de ideias; o que significaria que uma mesma coisa seria simultaneamente modelo e cópia. Enfim, ao que parece, não é possível que a essência exista separadamente daquilo de que é essência. Como é então possível que as ideias, que são as essências das coisas, tenham existência autônoma?

No Fédon afirma-se que as ideias são as causas do ser e do devir. Pois bem: mesmo que as ideias existissem, não poderia haver produção sem uma causa motora. Ora são inúmeras as coisas que devêm: por exemplo, uma casa, um animal, e não se pretende que existam ideias delas; daqui decorre que os seres, a respeito dos quais se admite a [existência de] ideias, são susceptíveis de ser e de devir, mediante a ação de causas análogas às que atuam sobre as causas de que há pouco falávamos, e que não são as ideias as causas destes seres.

Tomás Calvo Martínez

<5> Pero la aporía más importante con que cabe enfrentarse es: ¿de qué sirven las Formas para las cosas sensibles, tanto para las eternas como para las que se generan y corrompen? Desde luego, no son 10causas ni de su movimiento ni de cambio alguno suyo. Pero es que tampoco prestan auxilio alguno ni en orden a la ciencia de las demás cosas (no son, en efecto, su entidad: si lo fueran, estarían en ellas), ni respecto de su ser, toda vez que no son inmanentes en las cosas que de ellas participan. Cabría, desde luego, pensar que son causas como lo blanco que se mezcla con lo blanco, pero una explicación tal, que 15propusieron primero Anaxágoras   y después Eudoxo y algunos otros, es fácilmente rechazable. (Efectivamente, contra esta doctrina es fácil aducir muchas objeciones incontestables.)

<6> Pero es que tampoco es posible que las demás cosas provengan de las Formas en ninguno de los sentidos usuales de la expresión <«provenir de»>. Y decir, por otra parte, que ellas son modelos, y que 20de ellas participan las demás cosas, no es sino proferir palabras vacías y formular metáforas poéticas. En efecto, ¿cuál es el agente que actúa poniendo su mirada en las Ideas? Desde luego, es posible que haya y se produzca alguna cosa semejante a otra sin haber sido hecha a imagen suya, de modo que podría producirse un individuo semejante a Sócrates  , exista Sócrates   o no exista; y del mismo modo, obviamente, 25aun cuando existiera el Sócrates   Eterno; y habrá múltiples modelos —y, por tanto, Formas— para lo mismo, por ejemplo, para el hombre lo serán Animal y Bípedo, además de serlo también el Hombre Mismo.

Además, las Formas serán modelos no solamente de las cosas sensibles, 30sino también de ellas mismas, por ejemplo, el género entendido como género de las especies. Por consiguiente, la misma cosa será a la vez copia y modelo.

991bAdemás, habría de juzgarse imposible que la entidad y aquello de que es entidad existan separados entre sí. Por tanto, ¿cómo iban a existir separadas las Ideas, si son entidades de las cosas?[59]

<7> Y, sin embargo, en el Fedón   se habla de esta manera, como que las Formas son causas del ser y de la generación. Pero, de una 5parte, aun existiendo las Formas, no se producirán las cosas que de ellas participan a no ser que exista lo que va a producir el movimiento y, de otra parte, se producen muchas otras cosas —una casa, por ejemplo, o un anillo— de las cuales no afirmamos que haya Formas: conque resulta evidente que las demás cosas pueden existir y producirse por las mismas causas que estas cosas que acabamos de mencionar.

BARNES

Above all one might discuss the question what on earth the Forms contribute to [10] sensible things, either to those that are eternal or to those that come into being and cease to be. For they cause neither movement nor any change in them. But again they help in no way towards the knowledge of the other things (for they are not even the substance of these, else they would have been in them), nor towards their being, if they are not in the particulars which share in them; though if they were, they [15] might be thought to be causes, as white causes whiteness in that with which it is mixed. But this argument, which first Anaxagoras and later Eudoxus and certain others used, is too easily upset; for it is not difficult to collect many insuperable, objections to such a view.

[20] But further all other things cannot come from the Forms in any of the usual senses of ‘from’. And to say that they are patterns and the other things share them is to use empty words and poetical metaphors. For what is it that works, looking to the Ideas? Anything can either be, or become, like another without being copied from it, so that whether Socrates   exists or not a man might come to be like Socrates  ; and [25] evidently this might be so even if Socrates   were eternal. And there will be several patterns of the same thing, and therefore several Forms, e.g. animal and two-footed and also man himself will be Forms of man. Again, the Forms are patterns not only of sensible things, but of themselves too, e.g. the Form of genus will be a genus of [30] Forms; therefore the same thing will be pattern and copy.

Again it must be held to be impossible that the substance and that of which it is [991b1] the substance should exist apart; how, therefore, can the Ideas, being the substances of things, exist apart?

In the Phaedo   the case is stated in this way—that the Forms are causes both of being and of becoming; yet when the Forms exist, still the things that share in them do not come into being, unless there is some efficient cause; and many other things [5] come into being (e.g. a house or a ring), of which we say there are no Forms. Clearly, therefore, even the other things can both be and come into being owing to such causes as produce the things just mentioned.

Annick JAULIN, Marie-Paule DUMINIL

De toutes les difficultés, la plus grande serait de dire enfin en quoi les formes sont utiles aux sensibles, qu’ils soient [10] éternels ou soumis à la génération et à la corruption, car elles ne sont, pour eux, causes d’aucun mouvement ni d’aucun changement. Mais de plus, elles n’aident en rien pour la science des autres choses (de fait, elles n’en sont pas la substance, car elles seraient en elles) et elles ne contribuent pas à leur être, puisqu’elles ne sont certes pas des constituants des choses qui participent d’elles. En effet, [15] peut-être serait-on d’avis qu’elles sont causes à la manière dont le blanc est cause de la blancheur de ce à quoi il est mêlé, mais il est trop facile d’ébranler cet argument qu’ont tenu d’abord Anaxagore, puis Eudoxe51 et d’autres, car il est facile de rassembler beaucoup d’impossibilités contre une telle opinion.

Mais il n’est pas vrai non plus que les autres choses proviennent des formes, [20] en aucun des sens habituels de « provenir ». Quant à dire qu’elles sont des modèles et que les autres choses participent d’elles, c’est parler pour ne rien dire et faire des métaphores poétiques. Qu’est-ce donc qui travaille les yeux fixés sur les Idées ? Il est possible que soit et que vienne à être une chose quelconque semblable à une autre sans en être une copie ; [25] par conséquent, que Socrate   existe ou qu’il n’existe pas, il viendrait à être un être tel que Socrate   ; il en irait ainsi évidemment même si Socrate   était éternel. Et il y aura plusieurs modèles d’une même chose, donc plusieurs formes, par exemple l’animal et le bipède pour l’être humain et, en même temps aussi, l’humain en soi. En outre, les formes seront les modèles non seulement des sensibles, [30] mais aussi d’elles-mêmes, par exemple le genre comme genre des espèces, de sorte que la même chose sera modèle et [991b] copie. En outre, il peut sembler impossible que la substance existe séparément de ce dont elle est la substance. En conséquence, comment les Idées, si elles sont les substances des réalités, existeraient-elles séparément ? Ainsi il est dit dans le Phédon   que les formes sont causes de l’être et de la génération ; pourtant, malgré l’existence des formes, [5] les choses qui en participent ne viennent pas à être s’il n’existe pas ce qui les mettra en mouvement, et il en vient à être beaucoup d’autres, comme une maison ou une bague, dont nous affirmons qu’il n’existe pas de forme. Par conséquent à l’évidence, il est possible aussi que les autres choses existent et viennent à être du fait de causes telles que celles qui produisent aussi les choses dont on vient de parler.


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