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The Condition of Man

Mumford (CM:152-155) – solução de continuidade entre Idade Média e Renascença

segunda-feira 25 de outubro de 2021

MUMFORD  , Lewis  . The Condition of Man (1944/1963)

tradução

Setecentos anos nos separam do apogeu da Idade Média; muitas camadas diferentes de experiência, muitas concepções falsas, ídolos e superegos em rivalidade uns com os outros?, vieram colocar?-se entre nós e o homem? medieval. Mas a transição da Unidade? do século XIII para a Multiplicidade? do século XX, conforme a descreveu Henry Adams, tem um sentido? quando é a continuidade? que se busca, e outro sentido quando se procura a descontinuidade.

As descobertas literárias e arqueológicas dos humanistas? têm sido, não raro, apresentadas como desafios diretos à ordem? medieval; tentativas de restabelecimento do homem em sua esfera? natural? e, em particular?, de ratificação de seus apetites naturais. Onde está, porém, a verdade?? A devoção à arqueologia começou no tempo? de Petrarca. João de Salisbury tinha por Platão  , no século XII, o mesmo? entusiasmo? que os Platônicos de Cambridge no século XVI, e o seu Polycraticus a todo momento? se refere, não apenas a filósofos acadêmicos, mas a Ovídio, Juvenal, Marcial, Ter?êncio. A própria fraqueza do Renascimento?, seu interesse? demasiado servil pelo precedente clássico, era? visível em Dante   mesmo, não como poeta?, mas como pensador político. Que era isso, senão uma continuação do hábito medieval de zelar mais pelo que se herdava, do que pelas próprias novas descobertas? A gente medieval lembrava-se demais e via muito pouco; por isso é que a compreensão teórica da política medieval e da vida? corporativa teve que aguardar a análise de Maitland, Gierke e Ashley no século XIX.

De certo ponto? de vista?, o Renascimento e a Reforma? apenas põem em prática as ideias? dominantes? da Idade Média, tal como os descobrimentos de Vasco da Gama e de Colombo apenas levam mais longe? a ousadia? de Leif Ericsson e as viagens da família Pólo. De outro ponto de vista, entretanto, todos os grandes movimentos que se seguiram ao século XIII atestam a desintegração da cultura? medieval e a derrocada do homem medieval.

A transformação de uma cultura é diferente de uma mudança nas estações ou de um colapso nos órgãos e funções somáticas. Podem, porém, estabelecer-se paralelos com ambos esses processos?. Como acontece com as estações, pode observar?-se, e até mesmo predizer-se, certa sucessão metódica de alterações. Como sucede com o corpo?, as instituições da sociedade? deixam de manter um equilíbrio dinâmico: estados mórbidos vão enfraquecendo as reações normais; e toda a cultura já não constitui mais aquele todo unificado no qual se funde a parte? individual?, como se funde na orquestra o tema?, a frase? melódica de um instrumento?. Uma vez? desfeito o sistema? global do sentido, o colapso torna-se inevitável. Mas precisamente porque as partes da cultura já não mais se unem é que as atividades? separadas, livres? da coação e moderação que a união lhes impunha, podem exibir uma vitalidade? exuberante. Daí este paradoxo?: a subversão da cultura como um todo pode conduzir a rápidos progressos nesta ou naquela de suas partes. Esse? fato social? se assemelha bem de perto ao que se segue quando se rompe um equilíbrio ecológico na natureza. A prosperidade excessiva da espécie intrusa é sinal? de desequilíbrio. Do mesmo modo?, a morte? de uma velha instituição, ou o aparecimento de uma nova, pode também romper o equilíbrio de uma cultura.

A noção de uma descontinuidade entre a Idade Média e o Renascimento não se fundamenta, todavia, apenas nas concepções errôneas dos historiadores do século XIX; houve, na realidade?, um choque físico que explica, em parte, o colapso social?. É que no século XIV todo o Mundo? Ocidental foi sacudido em seus alicerces pela pior das pestes de que há registro desde a ocorrida no Império Oriental no século VI: — a peste bubônica, conhecida como a Morte Negra. Essa moléstia apareceu na Europa Ocidental em 1347; no decorrer de poucos anos tinha vitimado e matado de um terço a um meio? da população. Os cálculos mais moderados não estimam o número em menos de um terço; e visto que isso se aplica à Europa como um todo, não há nenhuma razão para se duvidar? das autoridades locais? contemporâneas que registraram o extermínio de cinquenta por cento ou mais dos habitantes. A incidência da peste foi, sem dúvida, mais acentuada nas cidades? do que nas áreas rurais, e, portanto, precisamente ali onde máximo seria o dano para a cultura superior?.

Irrompendo abruptamente, desafiando o socorro médico, propagando-se velozmente e inexoravelmente de cidade a cidade, a Morte Negra lançava o terror? em todos os corações. Boccaccio deixou-nos um quadro extremamente idílico, no prólogo do Decameron, de damas e fidalgos de Florença que dissipavam o tempo no campo?, enquanto na cidade grassava a peste avassaladora e terrível. Das próprias cidades, porém, vem uma história diferente: maridos que abandonavam as esposas, mães que abandonavam os filhos, altos montes de cadáveres sem que ninguém ousasse removê-los, ao menos para diminuir os perigos decorrentes da putrefação. O terror e o desespero? quase faziam esquecer? o que fosse ser humano. Os efeitos dessa peste eram muito piores do que os da mais implacável e mortífera das guerras. Faça-se uma comparação com o mundo moderno?. Acrescentem-se aos oito milhões de mortos ria Primeira? Guerra? Mundial os sete e meio milhões que em todo o mundo morreram em consequência da epidemia de gripe de 1918, destruição cruel de vidas que ainda por muito tempo fará sofrer? nossa civilização. Mas nossa perda? atual? de vidas é insignificante quando comparada com a do século XIV. Para que assim não fosse, nossos dezesseis milhões de mortos teriam que ser elevados a seiscentos milhões.

Ora, essa calamidade caiu sobre uma sociedade que se sentia segura, que se havia habituado a um certo bom viver, gozando as "boas coisas? da vida". E eis que, de súbito, tudo desaparecia: segurança, esperança, amigos?, vizinhos, fortuna?, a vida mesma; desaparecia quase da noite para o dia, em nauseante desordem? e em horrenda miséria. A Peste Negra produziu o efeito? de uma "Blitz" prolongada. A brecha assim aberta marca uma linha divisória entre duas? épocas: de um lado, a unidade; e, do outro lado, a desintegração.

Uma tal subversão da sociedade europeia foi motivo? de devotas esperanças tanto quanto de terror: nisso, também, a Primeira Guerra Mundial apresenta um ponto de semelhança. Um cronista florentino da época, Mateo Villani, observava: "Aquela pouca gente discreta a quem a peste havia poupado esperava muitas coisas, a maior parte das quais, por causa das corrupções pecaminosas, falharam entre os homens, que tinham o espírito? maravilhosamente orientado na direção oposta. Acreditavam eles que aqueles a quem Deus? tinha salvo da morte, tendo assistido à destruição de seus semelhantes e tendo ouvido as mesmas notícias de todas as nações do mundo, passariam a viver em melhores condições, a ser virtuosos e católicos. . . e se sentiriam possuídos de amor? e caridade? para com outrem. Porém mal? a peste cessou, foi o contrário o que se viu; pois, sendo? poucos os homens, e possuidores, por sucessão hereditária, de copiosos bens? terrenos, logo esqueceram o passado como se nunca tivesse existido e entregaram-se a uma vida vergonhosa e desordenada como nunca antes tinham tido."

Essas palavras? recordam uma experiência semelhante? verificada na América depois da Guerra Civil e, tanto na América como na Europa, depois da devastação em grande escala da Primeira Guerra Mundial : foi a tendência a procurar alívio, a afogar nas libações sem medida? e na fornicação desenfreada a lembrança torturante dos horrores da guerra, a fugir? do rude contato com a realidade e a procurar abrigo numa evasão excessivamente indulgente. Até os fatos? de somenos importância podem causar semelhante colapso do superego?. Mas na Idade Média o desfibramento geral?, o espírito de deserção tinha as mesmas dimensões que a catástrofe; pois não somente se verificava o colapso do superego como também uma falta? real? de continuidade entre as gerações.

Os próprios historiadores se esquecem com demasiada facilidade de que a maior parte de cada cultura se transmite, não através de algumas instituições e de um punhado de textos, mas por um milhão de atos? cotidianos e práticas e imitações. Basta que se suprima uma terça parte da população e com essa terça parte desaparecerá uma multidão de experiências, uma vasta herança de conhecimentos práticos, uma farta soma? de discriminações sensoriais, passadas de pai? a filho, de mestre? a aprendiz, de vizinho a vizinho. Não existe substituto mecânico de uma tradição viva.

Resumindo: a Morte Negra produziu uma solução de continuidade na vida social, um esgotamento da herança social, entre o século XIII e o século XV; essa amnésia hipertrofiou a descontinuidade física existente. Quando a gente do século XV na Itália retomou a herança da Grécia e de Roma. tinha a ilusão de se estar? afastando de seus "góticos" ancestrais mergulhados nas trevas, quando o fato é que estava apenas recebendo mais uma vez os juros que tinham sido suspensos por efeito da peste e das insurreições sociais. Segundo Burdach, o termo? Idade Média, "media tempestas", apareceu pela primeira vez em 1469; "media aetas" surgiu em 1518. A uma comunidade? que havia perdido seu vínculo orgânico com o passado, parecia mais fácil e cômodo começar? sobre novas bases do que reatar antigas relações.

Mas, conquanto a Morte Negra tenha sido catastrófica, não se lhe deve atribuir uma influência demasiado decisiva nas transformações que se lhe seguiram. Não há dúvida que ela afrouxou as amarras com o passado imediato?, desfez antigos vínculos feudais, embargou o curso do desenvolvimento? medieval e acelerou a morte de toda a ordem reinante na Idade Média. Ora, uma doença debilitante que ocorra no período médio da vida e que pode interromper uma grande carreira não deve obscurecer o fato de poder? sempre a morte sobrevir em qualquer circunstância; assim também a mesma Peste Negra só fez apressar uma série de mudanças que eram visíveis e já em vias de realizar-se — mudanças provocadas pelas fraquezas inerentes à síntese medieval.

Pode-se observar esse fato na transformação da arquitetura?. Já mesmo o gótico do século XIII muito havia perdido do puro? e firme racionalismo? do romanesco do século XII: já anunciava a filigrana da pedra? do estilo? "flamboyant" e mostrava, pelo requinte do ornato externo?, uma carência de convicção interior?. Huizinga, em sua obra? clássica O Declínio da Idade Média, mostrou, com uma documentação cabal, os processos patológicos da sociedade feudal em sua última fase. Em verdade, o retorno aos métodos romanos de construção não foi devido apenas ao redescobrimento de Vitrúvio: foi, mais fundamentalmente, uma tentativa de fugir à corrupção progressiva da forma? medieval e de expurgar a imaginação mais completamente de vãs fantasias?. Esse processo de expurgo verificava-se em todos os setores da vida social. Em parte alguma foi mais rápido o processo de dissociação, em nenhum terreno houve uma nova mutação mais cheia de vida, do que no domínio da economia?.

Original

Seven hundred years separate us from the height of the Middle Ages: many different layers of experience, many rival super-egos and idola? have come between us and medieval man. But the passage from thirteenth century Unity to twentieth century Multiplicity, as Henry Adams described it, reads one way if one looks for continuity and another if one looks for discontinuity.

The literary and archaeological discoveries of the humanists have often been held up as outright challenges to the medieval order: attempts to restore man to his natural sphere and in particular to give sanction to his natural appetites. But what is the truth? Archaeological piety began in the time of Petrarch: John of Salisbury was as enthusiastic about Plato   in the twelfth century as Italian Platonists were in the sixteenth, and his Polycraticus refers continually not merely to academic philosophers? but to Ovid, Juvenal, Martial, Terence. The very weakness of the Renascence, its too slavish concern for classic precedent, was visible in Dante   himself, not as a poet but as a political thinker. What was this but a continuation of the medieval habit? of being more aware of its heritage? than of its own fresh discoveries? People remembered too much and saw too little: hence the theoretic grasp of medieval politics and corporate life awaited the analysis of Maitland, Gierke, and Ashley in the nineteenth century.

From one standpoint, the Renascence and the Reformation only carry out the leading ideas of the Middle Ages, as the discoveries of Vasco da Gama and Columbus only push further the daring of Leif Ericsson and the travels of the Polo family?. From another standpoint, however, all the great movements that followed the thirteenth century bear witness to the disintegration of medieval culture, and to the unseating of medieval man.

The transformation? of a culture is unlike either a change in the seasons or a breakdown in the body’s organs? and functions. But there are [153] parallels to both processes. As with the seasons, a certain orderly succession of changes can be observed and even predicted. As with the “body, the institutions of society cease to maintain a dynamic equilibrium: morbid conditions undermine normal? reactions; and the whole culture no longer forms a unified whole, into which the individual part blends like the theme of an instrument in the orchestra. Once the over all pattern of meaning dissolves, the breakdown becomes inevitable. But precisely because the parts of the culture are no longer united, separate activities, no longer restrained and moderated by their union?, may exhibit a bounding vitality. Hence this paradox: the downfall of the culture as a whole may lead to rapid advances in this or that part of it. This social fact is fairly close to what follows when an ecological balance in nature is upset. The excessive prosperity of the intruding species? is a sign? of imbalance. So the death of an old institution or the appearance of a new one may equally upset the balance of a culture.

The notion of a discontinuity between the Middle Ages and the Renascence does not, however, rest solely upon the misconceptions of nineteenth century historians: there was an actual physical shock that partly accounts for the social collapse. For in the fourteenth century the whole Western World was shaken to its foundations by the worst plague on record since that which occurred in the Eastern Empire in the sixth century: the bubonic plague, known as the Black Death. This disease appeared in Western Europe in 1347; in a short course of years it had stricken down and killed between a third and a half of the population. The most conservative estimates do not place the number? at less than a third; and since this applies to Europe as a whole, there is no reason? to cast doubt on contemporary local authorities who recorded the wiping out of fifty per cent or more of the inhabitants. The incidence of the plague was doubtless higher in the cities than in the rural areas: precisely where the damage to the higher culture would be greatest.

Coming suddenly, defying medical remedy, spreading swiftly and inexorably from town to town, the Black Death struck terror to every heart. Boccaccio has left us an extremely idyllic picture, in the prologue to The Decameron, of the ladies and gentlemen of Florence whiling their time away in the country while the plague raged in the city. But there is a different tale from the cities themselves: husbands deserted wives, mothers deserted their children: corpses were piled high without anyone’s daring to carry them away even to lessen the dangers from putrefaction. Out of terror and desperation people almost forgot what it was to be human. The effects of this plague were far worse than the most ruthless and murderous war. Take a modem comparison. Add to the eight million killed in the [154] First World War the seven and a half million who died throughout the world in the influenza plague of 1918: a grievous loss of life from which our civilization? will long suffer. But our own actual’loss is insignificant compared to that of the fourteenth century. To make? it comparable our sixteen million dead would have to be raised to at least six hundred million.

Now this visitation occurred in a society that felt secure, that had acquired a certain easy pleasure in the “good things of life.” Suddenly everything vanished: security, hope, friends, neighbors, fortune, life itself: vanished almost overnight, in foul? disorder and hideous misery. The Black Plague had the effect of a prolonged Blitz. The breach thus opened marks a line between two ages: on one side, unity and on the other disintegration.

Such a shaking up of European society was the occasion for pious hopes no less than for terror: in this, too, the First World War resembled it. A contemporary Florentine chronicler, Matteo Villani, observed: “those few discreet folk who remained alive expected many things, most of which, by reason of the corruptions of sin, failed among mankind, whose minds followed marvelously in the contrary direction. They believed that those whom God’s grace had saved from death, having beheld the destruction of their neighbors and having heard the same tidings from all the nations of the world, would become better conditioned, virtuous, and Catholic . . . and would be full of love and charity towards another. But no sooner had the plague ceased than we saw the contrary; for since men were few, and since, by hereditary succession they abounded in earthly? goods, they forgot the past as though it had never been and gave themselves to a more shameful? and disordered life than they had lived before.”

These words recall a similar experience that took place in America after the Civil War, and in both America and Europe after the wholesale devastation of the First World War: a tendency to seek relief from remembered horror in unbridled drinking and fornicating, and to swing from a harsh facing of reality into an over-indulgent escapism. Even minor events may cause? such a breakdown of the super-ego?. But in the Middle Ages the general letdown was of the same dimensions as the catastrophe; for not merely was the super-ego deflated but an actual loss of continuity between the generations took place.

Even historians forget too easily that the largest part of every culture is transmitted, not through a few institutions and a handful of texts, but by a million daily acts and observances and imitations. Remove even a third of the population, and with it will go a multitude of skills, a vast heritage of living knowledge?, an abundance of sensitive discriminations, passed [155] from parent to child, from master to apprentice, from neighbor to neighbor. There? is no mechanical substitute for a living tradition?.

In short, the Black Death produced a break in social continuity, an emptying out of the social heritage, between the thirteenth and the fifteenth century: this amnesia exaggerated the actual physical discontinuity. When the people of the fifteenth century in Italy again resumed the heritage of Greece? and Rome, they had the illusion? that they were departing from their benighted “Gothic” ancestors whereas in fact they were only taking up once more the interests that had lapsed as a result of plague and social upheavals. According to Burdach, the term Middle Ages, “media tempestas,” first appeared in 1469; “media aetas” appeared in 1518. To a community that had lost its living tie with the past, it seemed easier to begin? on fresh foundations than to resume old connections.

But though the Black Death was catastrophic, one must not give to it a too decisive influence? in the changes that followed it. Without doubt it loosened connections with the immediate past, unbound ancient feudal ties, checked the course of medieval development, and hastened the demise of the whole medieval order. But a crippling illness in middle life, which may cut short a great career, should not obscure? the fact that death was bound to happen in any event: so the Black Plague itself only hastened a series of changes that were already visible and already under way— changes brought about by the inherent weaknesses in the medieval synthesis?.

One can see this fact m the architectural transformation. Even thirteenth century Gothic had lost too much of the clean, sturdy rationalism of the twelfth century Romanesque: it already presaged the stony filigree of the Flamboyant style and showed a lack of spinal conviction? by an over-elaboration of external ornament. Huizinga, in his classic work, The Waning of the Middle Ages, has fully documented the morbid processes in late medieval society. Indeed, the return to Roman methods of construction was not due merely to the rediscover)" of Vitruvius: it was more fundamentally an attempt to escape the progressive corruption? of medieval form and to cleanse the imagination? more completely of meaningless fantasy. This cleansing process took place in every department of life. Nowhere was the process of dissociation more rapid, nowhere did a fresh mutation show? more vigorous life, than in the domain of economics.


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