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Schopenhauer (MVR1:30) – filosofia à serviço

sexta-feira 24 de setembro de 2021

Se por um lado os governos transformam a Filosofia? num meio? para seus fins estatais, por outro? os eruditos veem no professorado filosófico um ganho que os nutre como qualquer outro; portanto, acotovelam-se em torno do governo? sob a proteção da boa maneira de pensar?, vale dizer, a intenção de servir àqueles fins. E cumprem a palavra?. Não a verdade?, nem a clareza, nem Platão, nem Aristóteles, mas os fins para que foram contratados são a sua estrela-guia, que também se tornam de imediato? o critério do verdadeiro?, do valioso, do digno de consideração, bem como de seu contrário. O que portanto, não corresponde aos mencionados fins, mesmo que seja o mais importante e extraordinário em seu domínio de saber?, é condenado, ou, quando parece perigoso, sufocado por um desprezo unânime. Observe?-se a indignação em uníssono contra o panteísmo. Qual alma? cândida acreditará que isso provém de convicção? — Pergunte-se: como também em geral? a filosofia, decaída a ganha-pão, não deveria degenerar-se em sofística? Justamente porque se trata de coisa? inevitável, e a regra? “canto? a canção de quem me dá o pão de cada dia” valeu em todos os tempos, o ganhar dinheiro com a filosofia foi para os antigos a marca registrada do sofista?. — Ademais, já que neste mundo?, em toda parte?, nada? se espera, nada se exige e nada se obtém por dinheiro a não ser mediocridade?, temos de nos haver com esta também aqui. Em conformidade com [30] isso, vemos em todas as universidades? alemãs a adorada mediocridade esforçar?-se por instituir a filosofia ainda inexistente a partir de meios próprios, e no entanto segundo medida? e alvo prescritos; — um espetáculo diante do qual a zombaria quase seria cruel. [SCHOPENHAUER  , Arthur. O mundo como vontade? e como representação. Primeiro Tomo. Tr. Jair Barboza. São Paulo: Editora UNESP, 2005, p. 30]


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