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Simbolismo do tecido

segunda-feira 28 de setembro de 2020

Como afirma o filósofo Titus Burckhardt   (Ciencia? Moderna y Sabiduria Tradicional), o menor fenômeno participa de distintas continuidades ou dimensões que não podem ser medidas segundo os mesmos critérios. Em cada ponto? do tecido cósmico existe uma trama e uma urdidura que se entrelaçam, como expressa a antiga simbologia do tecido [Mircea Eliade (Images? et symboles. Essais sur le symbolisme magico-religieux) também desenvolve uma excelente análise sobre este tema? do tecido, no simbolismo? tradicional]: os fios da urdidura, que no tear tradicional correm verticalmente, representam as essências imutáveis das coisas?, as qualidades? ou formas? essenciais? dos seres; enquanto os fios da trama, que correm horizontalmente de um lado a outro?, articulando e unindo entre si os fios da urdidura, representam o elemento? variável e contingente?, ou seja, correspondem à continuidade substancial? ou material do mundo?, aos elementos? do “meio?” humano?, que configuram um estado? de manifestação de certo indivíduo.

Podemos ver na urdidura um símbolo dos princípios, que religam entre eles todos os estados de manifestação ou todos os mundos, cada um de seus fios religando, por conseguinte, pontos correspondentes nestes diferentes estados. A trama, por sua vez, representa os conjuntos de eventos em um mundo determinado. Sob um outro ponto de vista, podemos também ver que a manifestação de um ente? [um sendo] em um certo estado de existência é, como todo evento?, qualquer que seja, estabelecida pelo encontro de um fio da urdidura, com um fio da trama.

Cada fio da urdidura é, portanto, um ente observado? em sua natureza? essencial, que religa todos os estados, mantendo sua unidade? própria através da multiplicidade? indefinida destes estados. Neste caso, o fio da trama, que o fio da urdidura encontra, em um certo ponto, corresponde a um estado definido de existência; e a interseção dos dois fios define? as relações deste ente, quanto a sua manifestação neste estado, ou seja, com o “meio” no qual ele se situa sob esta relação [Guénon, Le symbolisme de la croix].


Ver online : TECEDURA