PhiloSophia

PHILO = Apreço + SOPHIA = Compreensão

Página inicial > Oriente > Xivaísmo de Caxemira > Isabelle Ratié (2011:36-37) – o conhecimento

Isabelle Ratié (2011:36-37) – o conhecimento

quarta-feira 5 de fevereiro de 2020

nossa tradução

O termo? jñāna? é um substantivo formado sobre a raiz? do verbo? jñā-, que geralmente denota a ação? de conhecer; e de fato?, o termo jñāna é frequentemente traduzido como "conhecimento". Essa tradução? é certamente conveniente, pois, dependendo dos vários contextos em que o termo é usado, pode significar "consciência?", "cognição", "saber?", "ciência?" ou mesmo "gnose" - em suma?, sempre se refere a uma forma? de conhecimento. Mas de que conhecimento os filósofos budistas e os de Pratyabhijñā? falam quando usam esse? termo?

Com esse termo, eles primeiro entendem a ação de conhecer. Nisso, eles apenas se inclinam para um modelo? filosófico indiano nascido da análise? praticada pelos gramáticos: "conhecer", como qualquer verbo, expressa uma forma de ação. E o ato? designado? pela raiz verbal jñā- é acima de tudo um ato de manifestação?. Porque a essência? da consciência é tornar as coisas? manifestas, fazê-las aparecer?: estar? ciente de um objeto?, seja percebendo-o, imaginando-o, conceituando-o, lembrando-o ou sonhando, é antes de tudo torná-lo um fenômeno? para a consciência. Por esse motivo?, a consciência é frequentemente referida nos textos indianos como prakāśa?. Este último? termo, em seu sentido? mais literal, designa "luz"; é que jñāna, traduzido como "cognição" no contexto desta discussão?, é o ato que "clareia" ou "ilumina" o objeto.

Mas a cognição não é apenas um ato de manifestação. De fato, em conformidade com a análise da ação praticada pelos gramáticos, a maioria dos filósofos brâmanes aplica-se para distinguir na ação de conhecer um sujeito? conhecedor (pramātṛ), um objeto de conhecimento (prameya), um instrumento? do conhecimento (pramāṇa) e um resultado do conhecimento (pramā, pramiti) [1]; mas os filósofos da escola? Dharmakīrti e os da Pratyabhijñā enfatizam que, no caso da consciência, essas distinções perdem sua relevância. De fato, jñāna, cognição, não é apenas o ato pelo qual uma coisa é assim manifestada ou iluminada (ato mais precisamente denotado pelos termos ābhāsana ou prakāśana): é também o fenômeno (ābhāsa?, prakāśa) que resulta deste ato de manifestação, e prakāśa também pode ter? esse significado?, pois designa não apenas o ato de manifestação, mas também o fato de ser manifesto que dele resulta para o objeto manifestado. Tanto os filósofos budistas quanto os pratyabhijñā consideram que esses são, na realidade?, dois aspectos da mesma experiência?: o ato pelo qual a consciência manifesta e a manifestação resultante são uma e a mesma realidade.

A cognição, para lógicos budistas e para filósofos de Pratyabhijñā, é ainda mais do que isso, porque ainda é o "meio? de conhecimento" (pramāṇa) através do qual a ação do conhecimento ocorre. Quando, por exemplo?, estou ciente de um objeto percebido, a percepção? (pratyaksa) é o meio ou instrumento particular? de conhecimento pelo qual o objeto se manifesta para mim, de modo? que a percepção constitui um tipo? particular de cognição. No entanto, é apenas artificialmente, em virtude? do que o escolasticismo europeu chamaria de distinção? da razão?, que assim distinguimos o que é para a consciência os meios de manifestar, o ato pelo qual ele se manifesta ou o resultado desse ato: na realidade, essas três coisas são uma, e é essa entidade? única que os budistas, como filósofos de Pratyabhijñā, chamam de "cognição" (jñāna).

Original

Le terme jñāna est un substantif formé sur la racine verbale jñā-, laquelle dénote, d’une manière générale, l’action de connaître ; et de fait, on? traduit souvent le terme jñāna par « connaissance ». Une telle traduction est certes commode dans la mesure où, selon les contextes variés dans lesquels le terme est employé, il peut signifier « conscience », « cognition », « savoir », « science » ou même « gnose » — en bref, il renvoie toujours à une forme de connaissance. Mais de quelle connaissance les philosophes bouddhistes et ceux de la Pratyabhijñā parlent-ils au juste lorsqu’ils emploient ce terme ?

Ils entendent d’abord par là l’action de connaître. En cela, ils ne font que se plier à un modèle philosophique indien né de l’analyse pratiquée par les grammairiens : « connaître », comme tout verbe, exprime une forme d’action. Et l’acte désigné par la racine verbale jñā- est avant tout un acte de manifestation. Car le propre de la conscience est de rendre les choses manifestes, de les faire apparaître : être conscient d’un objet, que ce soit en le percevant, en l’imaginant, en le conceptualisant, en se le rappelant ou en le rêvant, c’est d’abord en faire un phénomène pour la conscience. Pour cette raison, la conscience est souvent désignée dans les textes indiens comme prakāśa. Ce dernier terme, en son sens le plus littéral, désigne la « lumière » ; c’est que jñāna, traduit par « cognition » dans le contexte de cette discussion, est l’acte qui « éclaire » ou « illumine » l’objet.

Mais la cognition n’est pas seulement un acte de manifestation. En effet, se conformant à l’analyse de l’action pratiquée par les grammairiens, la plupart des philosophes brahmaniques s’appliquent à distinguer dans l’action de connaître un sujet connaissant (pramātṛ), un objet de la connaissance (prameya), un instrument de connaissance (pramāṇa) et un résultat de la connaissance (pramā, pramiti) [2] ; mais les philosophes de l’école de Dharmakīrti comme ceux de la Pratyabhijñā soulignent que dans le cas de la conscience, ces distinctions perdent de leur pertinence. En effet, jñāna, la cognition, n’est pas seulement l’acte par lequel une chose est ainsi manifestée ou illuminée (acte plus précisément dénoté par les termes ābhāsana ou prakāśana) : elle est aussi le phénomène (ābhāsa, prakāśa) qui résulte de cet acte de manifestation, et prakāśa peut aussi avoir ce sens, car il ne désigne pas seulement l’acte de la manifestation, mais encore le fait d’être manifeste qui en résulte pour l’objet manifesté. Les bouddhistes comme les philosophes de la Pratyabhijñā considèrent que ce sont là en réalité? deux aspects d’une même expérience : l’acte par lequel la conscience manifeste et la manifestation qui en résulte sont une seule et même réalité.

La cognition, pour les logiciens bouddhistes et pour les philosophes de la Pratyabhijñā, est même davantage que cela, car elle est encore le « moyen de connaissance » (pramāṇa) grâce auquel l’action de connaître a lieu. Lorsque, par exemple, je suis? conscient d’un objet perçu, la perception (pratyaksa) est le moyen ou l’instrument de connaissance particulier grâce auquel l’objet me devient manifeste, si bien que la perception constitue un type de cognition particulier. Cependant, ce n’est qu’artificiellement, par la vertu de ce que la scolastique européenne appellerait une distinction de raison, que nous distinguons ainsi ce qui est pour la conscience le moyen de manifester, l’acte par lequel elle manifeste, ou le résultat de cet acte : en réalité, ces trois choses n’en font qu’une, et c’est cette unique entité que les bouddhistes comme les philosophes de la Pratyabhijñā nomment « cognition » ( jñāna).


Ver online : LE SOI ET L’AUTRE