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Hulin (PEPIC:4) – ahamkara em sentido filosófico

sexta-feira 3 de janeiro de 2020

nossa tradução

Ahamkara?, no sentido? filosófico?, é então a estrutura? fundamental que dá a chave do egoísmo? universal?. Como cada um se faz de centro último? de referência? e que não pode ter? tantos absolutos quanto indivíduos?, é provável? que todos sejam vítimas da mesma ilusão?, forjem o mesmo? tipo? de ídolo?. O valor? de "forjar" contido em -kāra (raiz? KŖ) vem à tona aqui: o eu? não existiria na própria realidade?, mas seria um produto artificial -krtaka- e, como tal, -kŗtrima factício? - a atividade? mental dos sujeitos. Ao mesmo tempo?, deve, de uma maneira ou de outra, preexistir essa mesma produção?, pois, caso contrário, a distinção? mútua dos forjadores não se baseará em nada?. O ahamkara é, portanto, para cada sujeito?, ao mesmo tempo, uma certa maneira ilegítima de se afirmar em sua singularidade? em desprezo e em detrimento de outros, de se colocar? incessantemente no centro do mundo?, e uma estrutura já presente? como o próprio fundamento? de sua identidade? pessoal. Embora tenhamos escolhido aqui torná-lo convencional pelo termo? neutro e universal de "ego", o ahamkara designa em seu próprio egocentrismo psicológico? e metafísico?, tanto a reivindicação subjetiva da singularidade quanto o fato? primário? do ’um mundo? organizado (ainda que espacialmente)’ ao meu redor. Mas essa ambiguidade? também se manifestará na ordem? axiológica. O fenômeno? do ego não apenas nos leva a desviar?-se para os becos sem saída do desejo? que sempre recomeça e a luta de todos contra todos. Ao mesmo tempo, ele assinala em direção ao Si Mesmo, o Atman?, como em direção ao valor supremo? e arruína antecipadamente qualquer reivindicação a um "altruísmo? desinteressado", qualquer alienação? do sujeito a serviço de entidades abstratas (os deuses?, por exemplo?) que não seriam "ele próprio". O ahamkara é ao mesmo tempo revelação? absoluta e seu desvio imediato? na idolatria do corpo? e de suas afiliações. Representa a forma? mais sutil e, portanto, a mais temível, de ignorância metafísica e, ao mesmo tempo, serve como um fio comum? para a auto-realização. Todas as soteriologias indianas meditam nessa realidade híbrida e paradoxal, procurando analisá-la, para isolar? o ouro? puro? da absoluta ipseidade? da base do chumbo do egoísmo.

Original

L’ahamkāra, au sens philosophique, est alors la structure fondamentale qui donne la clef de l’égoïsme universel. Puisque chacun fait de soi-même le centre de référence ultime et qu’il ne saurait l’avoir autant d’absolus que d’individus, il est vraisemblable que tous sont victimes de la même illusion?, se forgent le même genre d’idole. La valeur de « fabrication » contenue dans -kâra (racine KŖ) passe ici au premier plan : le Je n’existerait pas dans la réalité? elle-même, mais serait un produit artificiel -krtaka- et, à ce titre, factice -kŗtrima- de l’activité mentale des sujets. En même temps, il lui faut, d’une manière ou d’une autre, préexister à cette fabrication même, puisqu’autrement la distinction mutuelle des fabricateurs ne reposerait sur rien. L’ahamkāra est donc, pour chaque sujet, tout à la fois une certaine manière illégitime de s’affirmer dans sa singularité au mépris et aux dépens d’autrui, de se replacer sans cesse au centre du monde, et une structure déjà présente comme le fondement même de son identité personnelle. Bien qu’on ait choisi ici de le rendre conventionnellement par? le terme neutre et passe-partout d’« ego », l’ahamkāra désigne en propre l’égocentrisme psychologique et métaphysique, tant la prétention subjective à la singularité que le fait primaire d’un monde disposé (ne serait-ce que spatialement) «autour» de moi. Mais cette ambiguïté se manifestera aussi bien dans l’ordre axiologique. Le phénomène de l’ego ne se contente pas de nous égarer dans les impasses du désir toujours recommencé et de la lutte de tous contre tous. Il fait signe en même temps vers le Soi, l’ātman, comme vers la valeur suprême et ruine d’avance toute prétention à un « altruisme désintéressé », toute aliénation du sujet dans le service d’entités abstraites (les dieux, par exemple) qui ne seraient pas « lui-même ». L’ahamkāra est à la fois la révélation absolue et son dévoiement immédiat dans l’idolâtrie du corps propre et de ses appartenances. Il représente la forme la plus subtile, et donc la plus redoutable, de l’ignorance? métaphysique et sert en même temps de fil conducteur vers la réalisation du Soi. Toutes les sotériologies indiennes méditent sur cette réalité hybride et paradoxale, cherchant à l’analyser, à isoler l’or pur de l’ipséité absolue du plomb vil de l’égoïsme.


Ver online : Le principe de l’ego dans la pensée indienne classique. La notion d’ahamkara.