PhiloSophia

PHILO = Apreço + SOPHIA = Compreensão

Página inicial > Modernidade > LusoSofia > Heraldo Barbuy (1913-1979) > Barbuy: Progresso (8) - Paraíso no futuro

O MITO DO PROGRESSO

Barbuy: Progresso (8) - Paraíso no futuro

“Revista Brasileira de Filosofia”, vol. I, fasc. 3, 1951

quinta-feira 7 de outubro de 2021

BARBUY  , Heraldo. O Problema do ser e outros ensaios. São Paulo: Convívio, 1984, p. 114-115.

8. O mito? do progresso? indefinido?, negando o pecado? original, a ordem? natural? e as essências? ônticas, não é outra cousa senão o produto de uma inversão pela qual se colocou, no futuro? da sociedade? terrestre, o Paraíso Perdido, que todas as tradições colocavam no passado. Tendo rejeitado a crença? bíblica no Paraíso que foi perdido, os sociólogos, historiadores, filósofos e reformadores progressistas, delinearam a maneira pela qual a sociedade terrestre deveria encontrar o paraíso a ser achado. A teoria? mais curiosa neste sentido? e que antevê o paraíso terrestre pré-fabricado no futuro, é o marxismo?, típica? expressão? da mentalidade? capitalista, para a qual a felicidade? tem uma natureza? econômica? e quantitativa, coincidindo a máxima felicidade com o máximo consumo; o marxismo, repelindo, como todo progressismo, o paraíso terrestre no passado, se reduz afinal de contas a uma alegoria? do paraíso terrestre no futuro, quando a felicidade há de coincidir com a supressão da luta de classes, com a total socialização? do indivíduo?, com a abolição do Estado? e com a cessação em suma? de todo movimento? histórico?; pois, se o movimento histórico é a dialética? da luta de classe?, a supressão dessa luta há de paralisar sem dúvida? a história?, de tal sorte? que, numa exata transposição? da doutrina do Paraíso Perdido e anterior à História?, [115] o marxismo é a teoria do paraíso achado e posterior à história, — Herbert Spencer pôde prever, depois da síntese? final evolutiva, um processo? de dissolução, de desintegração e de análise?, subordinando evolução? e dissolução à lei? do ritmo?; porém o marxismo foi a única teoria que pretendeu que o movimento histórico se paralisasse afim de confirmar as suas alegorias do paraíso terrestre no futuro.