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Diálogos de Platão

Platão - Fédon (74d-78b) – Experiência inteligível

A sobrevivência das almas

domingo 19 de setembro de 2021, por Cardoso de Castro

      

Platão. Obras. Tr. Carlos Alberto Nunes. (ebook)

Platon. Oeuvres. Tr. Émile Chambry

Platon. Oeuvres. Tr. Victor Cousin

Platon. Complete Works. Tr. Benjamin Jowett

      

Nunes

E então? Prosseguiu: que se passa conosco, com relação   aos pedaços de pau iguais e a tudo o mais a que nos referimos há pouco? Afiguram-se-nos iguais à igualdade em si, ou lhes falta alguma coisa para serem como a igualdade? Ou não falta nada?

Falta muito, respondeu.

Estamos, por conseguinte, de acordo  , que quando alguém vê um determinado objeto e diz: O objeto que tenho neste momento diante dos olhos aspira a ser como outro objeto real  , porém fica muito aquém dele, sem conseguir alcançá-lo, visto lhe ser inferior  : essa pessoa  , dizia, ao fazer semelhante observação  , tinha necessariamente o conhecimento do objeto com o qual ela disse que o outro se assemelhava, porém era inferior.

Forçosamente. E então? Não se passará a mesma coisa conosco, em relação às coisas iguais e à igualdade em si mesma?

Sem dúvida nenhuma.

É preciso, portanto, que tenhamos conhecido a igualdade antes do tempo   em que, vendo pela primeira vez objetos iguais, observamos que todos eles se esforçavam por alcançá-la porém lhe eram inferiores.

Certo.

Como também nos declaramos de acordo em que não poderíamos fazer semelhante observação nem ficar em condições de fazê-la, a não ser por meio da vista ou do tato  , ou de qualquer outro sentido. Não estabeleço diferenças.

De fato, Sócrates  , são equivalentes; pelo menos no que respeita ao tema em discussão.

De qualquer forma, é por meio dos sentidos que observamos tenderem para a igualdade em si todas as coisas percebidas como iguais, porém sem jamais alcançá-la. Ou que diremos?

Isso mesmo.

Logo, antes de começarmos a ver, a ouvir  , ou a empregar os demais sentidos, já devemos ter adquirido em alguma parte o conhecimento do que seja a igualdade em si, para ficarmos em condições de relacionar com ela as igualdades que os sentidos nos dão a conhecer e afirmar   que estas se esforçam por alcançá-la, porém lhe são inferiores.

É a consequência necessária, Sócrates, do que foi dito antes.

E não é certo que vemos e ouvimos e fazemos uso dos demais sentidos logo após o nascimento?

Perfeitamente.

Será preciso, então, é o que afirmamos, já termos antes disso o conhecimento da igualdade.

Certo.

Antes do nascimento, por conseguinte, ao que parece, é que necessariamente o adquirimos.

Parece, mesmo.

Logo, se o adquirimos antes do nascimento e nascemos com ele, é porque conhecemos antes do nascimento e ao nascer tanto o igual, o maior e o menor, como as demais noções da mesma natureza. Pois tanto é válido nosso argumento   para a igualdade como para o belo em si mesmo   e o bem em si mesmo, a justiça, a piedade   e tudo o mais, como disse, a que pusemos a marca   de O próprio   que é, assim nas perguntas que formulamos como nas respostas apresentadas. A esse modo, adquirimos necessariamente antes de nascer o conhecimento de tudo isso.

Certo.

E se, depois de adquirido tal conhecimento não o esquecêssemos, desde o nascimento o possuiríamos e o conservaríamos toda a vida. Pois conhecer, de fato, consiste apenas no seguinte: conservar o conhecimento adquirido, sem vir nunca a perdê-lo. O que denominamos esquecer, Símias, não será precisamente a perda do conhecimento?

Não será outra coisa, Sócrates, respondeu.

Se, em verdade  , segundo penso, antes de nascer já tínhamos tal conhecimento e o perdemos ao nascer, e depois, aplicando nossos sentidos a esses objetos, voltamos a adquirir o conhecimento que já possuíramos num tempo anterior  : o que denominamos aprender   não será a recuperação de um conhecimento muito nosso? E não estaremos empregando a expressão   correta, se dermos a esse processo o nome de reminiscência/?

Perfeitamente.

Pois já se nos revelou como possível, ao percebemos alguma coisa, pela vista ou pelo ouvido, ou por qualquer outro sentido, pensar   em outra de que nos havíamos esquecido, mas que se associa com a primeira por parecer-se com ela ou por lhe ser dessemelhante. Desse modo, como disse, uma das duas há de ser, por força: ou nascemos com tal conhecimento e o conservamos durante toda a vida, ou então as pessoas das quais dizemos que aprendem posteriormente, o que fazem é recordar, vindo a ser o conhecimento reminiscência.

Tudo se passa realmente desse modo, Sócrates.

Então, que escolhes, Símias? Nascemos com o conhecimento ou nos recordamos ulteriormente do que conhecemos ante?

Assim de pronto, Sócrates, não sei como decidir-me.

Como? Sobre isto podes perfeitamente decidir-te e dizer o que pensas: quem sabe, está em condições de dar as razões do que sabe, ou não?

Necessariamente, Sócrates, respondeu.

E és de parecer que todo o mundo possa dar as razões das questões que acabamos de tratar?

Tomara que o pudessem! Porém receio muito que amanhã a estas horas não haja aqui uma só pessoa em condições de fazê-lo.

Decerto, Símias, continuou, não és de opinião   que todos os homens entendam dessa questões.

De forma alguma.

Nesse caso, recordam-se do que aprenderam antes?

Necessariamente.

E quando é que nossas almas adquirem esses conhecimento? Não há de ser a partir do momento em que nascemos como homens.

Não, decerto.

Então é antes?

Sim.

Logo, Símias, as almas existem antes de assumirem a forma humana, separadas dos corpos, e possuírem entendimento.

A menos, Sócrates, que adquiramos tal conhecimento ao nascer, pois ainda falta considerar esse tempo.

Que seja, companheiro! Mas então, em que tempo perdemos esse conhecimento? Ao nascermos não dispomos dele, como acabamos de admitir. Ou será que o perdemos no momento exato em que o adquirimos? Poderás indicar outro tempo?

Não há jeito, Sócrates, sem o querer, disse uma tolice.

Nossa situação  , Símias, não será a seguinte? Se existe, realmente, tudo isso com que vivemos a encher a boca: o belo e o bom e todas as essências desse tipo, e se a elas referimos tudo o que nos chega por intermédio dos sentidos, como a algo preexistente, que encontramos em nós mesmos e com que o comparamos: será forçoso que , assim como elas, exista nossa alma   antes de nascermos, e que sem aquelas estas não existiriam?

Mais que exata, falou Símias, me parece, Sócrates, a mesma necessidade  ; é muito segura a posição   a que se acolhe o argumento, no que entende com a afinidade   entre as essências a que te referiste, e nossa alma, antes de nascermos. Não sei de nada tão claro como dizer que todos esses conceitos existem na mais elevada acepção do termo: o belo, o bem e tudo o mais que enumeraste há pouco. Essa demonstração me satisfaz plenamente.

E a Cebete? Perguntou; precisas também convencer Cebete.

A ele também satisfaz, respondeu Símias, segundo penso, muito embora seja o homem   mais difícil de aceitar   a opinião dos outros. Mas creio que já esse encontra convencido de que nossa alma existe antes de nascermos.

Porém Sócrates, que ela continue a existir depois de nossa morte é o que não me parece suficientemente demonstrado, pois ainda está de pé a opinião do vulgo a que Cebete se referiu há pouco: Quem sabe se no instante preciso em que o homem morre, a alma se dispersa, sendo esse, justamente, o seu fim? Que impede, de fato que ela nasça algures e se constitua de outros elementos   e exista antes de alcançar o corpo humano, mas depois de entrar no corpo, quando tiver de separar-se dele, também acabe de uma vez e venha a destruir-se?

Falaste bem, Símias, observou Cebete. Parece que só foi demonstrado metade do que era de mister, a saber: que nossa alma existe antes de nascermos; ainda falta provar, por conseguinte, que depois de morrermos ela não existirá menos do que antes do nascimento. Só assim ficará completa a demonstração.

Foi completada agora mesmo, Símias e Cebete, observou Sócrates; bastará juntardes o presente   argumento ao que admitimos antes, de que tudo o que vive só nasce do que é morto. Porque se as almas existem antes do nascimento e se, necessariamente, para começarem a vida e existirem, não poderão provir de outra parte a não ser da morte do que está morto, não será forçoso que continuem a existir depois da morte, para renascerem? Como disse, essa parte já foi demonstrada.

Porém verifico, Símias e Cebete, que ambos vós folgaríeis de examinar mais a fundo essa questão, pois, como as crianças, temeis, de fato, que o vento arraste a alma e a disperse no momento em que ela deixa o corpo, máxime se na hora em que morre alguém o céu não estiver sereno e soprar vento forte  .

E Cebete, desatando a rir, Faze de conta, Sócrates, observou, que estamos com medo, e procura convencer-nos. Ou melhor: será preferível admitires, não que temos medo, mas que talvez haja dentro de nós uma criança   que se assusta com essas cosias. Trata, por conseguinte, de convencê-la a não ter medo da morte como do bicho-papão.

Para tanto, lhes falou Sócrates, será preciso exorcizá-la diariamente, até passar o medo.

E onde, Sócrates, perguntou, encontraremos um bom exorcizador, uma vez que nos abandonas?

A Hélade é grande, Cebete, replicou, e nela há muitos homens de merecimento. Grandes também sãos as gerações bárbaras, que precisareis esquadrinhar para encontrar um mágico nessas condições, sem olhar despesas nem fadiga  , pois em nada mais poderíeis aplicar o vosso dinheiro  . Mas convém promoverdes essa busca também entre vós outros, pois talvez não seja fácil encontrar quem se desincumba disso melhor do que vós mesmos.

É o que faremos, falou Cebete. Porém se levares gosto   nisso, voltemos para o ponto em que ficamos antes.

Agrada-me a proposta, como não?

Chambry

XXI. — Alors lequel des deux choisis-tu, Simmias ? Naissons-nous avec des connaissances, ou bien nous ressouvenons-nous ensuite des choses dont nous avions pris connaissance auparavant ?

— Je suis incapable, Socrate, de faire ce choix sur-le-champ.

— Eh bien, voici une question où tu peux faire un choix et dire ton avis : un homme qui sait peut-il rendre raison de ce qu’il sait, ou ne le peut-il pas ?

— Forcément, il le peut, Socrate, dit-il.

— Te paraît-il aussi que tous les hommes puissent rendre raison de ces réalités dont nous parlions tout à l’heure ?

— Je le voudrais bien, ma foi, dit Simmias ; mais j’ai plutôt peur que demain à cette heure-ci il n’y ait plus un homme au monde qui soit capable de s’en acquitter dignement.

— Tu ne crois donc pas, Simmias, dit Socrate, que tous les hommes connaissent ces réalités

— Pas du tout.

— Alors ils se ressouviennent de ce qu’ils ont appris jadis ?

— Nécessairement.

— En quel temps nos âmes ont-elles acquis la connaissance de ces réalités ? Ce n’est certes pas depuis que nous sommes sous forme d’hommes.

— Non, certainement.

— C’est donc avant.

— Oui.

— Par conséquent, Simmias, les âmes existaient déjà avant d’être sous la forme humaine, séparées du corps et en possession de la pensée ?

— A moins, Socrate, que nous ne recevions ces connaissances au moment de notre naissance ; car il nous reste encore ce temps-là.

— Fort bien, camarade. Mais en quel autre temps les perdons-nous ? Nous ne naissons pas avec elles, nous venons d’en convenir. Les perdons-nous au moment même où nous les recevons ; ou peux-tu indiquer un autre temps ?

— Pas du tout, Socrate ; par mégarde, j’ai dit une sottise.

XXII. — Voici donc où nous en sommes, Simmias, reprit Socrate : si ces choses que nous avons toujours à la bouche, le beau, le bien et toutes les essences de cette nature existent réellement, si nous rapportons tout ce qui vient des sens à ces choses qui nous ont paru exister avant nous et nous appartenir en propre, et, si nous le comparons à elles, il faut nécessairement que, comme elles existent, notre âme existe aussi et antérieurement à notre naissance ; si elles n’existent pas, notre raisonnement tombe à plat. N’en est-il pas ainsi et n’est-ce pas une égale nécessité et que ces choses existent et que nos âmes aient existé avant nous, et que, si celles-là n’existent pas, celles-ci n’existent pas non plus ?

— C’est merveilleusement exact, à mon avis, Socrate, dit Simmias : c’est vraiment la même nécessité et ton argumentation a recours fort à propos à l’étroite liaison qu’il y a entre l’existence de l’âme avant notre naissance et l’essence dont tu parles. Car je ne vois rien de plus clair que ceci, c’est que le beau, le bien et toutes les autres choses de même nature dont tu parlais tout à l’heure existent d’une existence aussi réelle que possible. Et, pour ma part, je suis satisfait de la démonstration.

— Mais Cébès ? dit Socrate : car il faut aussi convaincre Cébès.

— Je pense, dit Simmias, qu’il est satisfait aussi, quoiqu’il soit le plus obstiné des hommes à se méfier des raisonnements. Cependant je crois qu’il est suffisamment persuadé que notre âme existait avant notre naissance.

XXIII. — Mais qu’elle doive encore exister après notre mort, je ne vois pas, moi non plus, Socrate, poursuivit-il, que cela soit démontré. Il reste à réfuter cette opinion du vulgaire dont Cébès parlait tout à l’heure. Le vulgaire, en effet, craint qu’au moment où l’homme meurt, son âme ne se dissipe et que ce ne soit là pour elle la fin de l’existence. Car qui empêche qu’elle ne naisse, qu’elle ne se forme de quelque autre chose et qu’elle n’existe avant d’entrer dans un corps humain, et que, lorsqu’elle y est entrée, puis s’en est séparée, elle ne finisse alors et ne périsse comme lui ?

— Bien parlé, Simmias, dit Cébès. Il me paraît en effet que Socrate n’a prouvé que la moitié de ce qu’il fallait démontrer, c’est-à-dire que notre âme existait avant notre naissance. Mais il fallait prouver aussi qu’elle n’existera pas moins après notre mort qu’avant notre naissance, pour que la démonstration fut complète.

— Elle est complète dès à présent, Simmias et Cébès, repartit Socrate, si vous voulez bien joindre cette preuve-ci à celle que nous avons approuvée précédemment, que tout ce qui vit naît de ce qui est mort. Si, en effet, l’âme existe déjà avant nous et si, quand elle vient à la vie et naît, elle ne peut naître d’aucune autre chose que de la mort et de ce qui est mort, ne faut-il pas nécessairement aussi qu’elle existe encore après la mort, puisqu’elle doit revenir à la vie ? Ainsi la preuve que vous demandez a déjà été donnée.

XXIV. — Je vois bien cependant que Cébès et toi, vous seriez bien aises d’approfondir encore davantage la question, et que vous craignez, comme les enfants, qu’au moment où l’âme sort du corps, le vent ne l’emporte et ne la dissipe réellement, surtout lorsqu’à l’heure de la mort le temps n’est pas calme, mais qu’il souffle un grand vent. »

Sur quoi Cébès, se mettant à rire : «Prends que nous avons peur, Socrate, dit-il, et tâche de nous persuader, ou plutôt imagine-toi, non que nous ayons peur, mais que peut-être il y a en nous un enfant que ces choses-là effraient, et tâche de le persuader de ne pas craindre la mort comme un croquemitaine.

— Eh bien, dit Socrate, il faut lui chanter des incantations tous les jours jusqu’à ce qu’il soit exorcisé.

— Où trouver, Socrate, répliqua-t-il, un bon enchanteur contre ces frayeurs, quand toi, dit-il, tu nous abandonnes ?

— La Grèce est vaste, Cébès, répliqua-t-il, et il s’y trouve des hommes excellents ; nombreuses aussi sont les races des barbares. Il faut fouiller tous ces pays pour chercher cet enchanteur, sans épargner votre argent ni vos peines ; car il n’est rien pour quoi vous puissiez dépenser votre argent plus à propos. Mais il faut aussi le chercher vous-mêmes les uns chez les autres ; car il se peut que vous ne trouviez pas non plus facilement des gens plus capables que vous de pratiquer ces enchantements.

— C’est ce que nous ferons, dit Cébès. Mais revenons, s’il te plaît, au point d’où nous sommes partis.

— Oui, cela me plaît ; comment cela ne me plairait-il pas ?

— A merveille, dit-il.

Cousin

— Mais dis-moi, reprit Socrate, en présence d’arbres qui sont égaux, ou des autres choses égales dont nous avons parlé, que nous arrive-t-il ? Trouvons-nous ces choses égales comme l’égalité même ? Et que s’en faut-il qu’elles ne soient égales comme cette égalité?

— Il s’en faut beaucoup.

— Nous convenons donc que lorsque quelqu’un, en voyant une chose, pense que cette chose-là, comme celle que je vois présentement devant moi, peut bien être égale à une certaine autre, [74e] mais qu’il s’en manque beaucoup, et qu’elle est loin de lui être entièrement conforme, il faut nécessairement que celui qui a cette pensée ait vu et connu auparavant cette autre chose à laquelle il dit que celle-là ressemble, et à laquelle il assure qu’elle ne ressemble qu’imparfaitement?

— Nécessairement.

— Cela ne nous arrive-t-il pas aussi à nous sur les choses égales, relativement à l’égalité?

— Assurément, Socrate.

— Il faut donc, de toute nécessité, que nous ayons vu cette égalité, même avant le [75a] temps où, en voyant pour la première fois des choses égales, nous avons pensé qu’elles tendent toutes à être égales comme l’égalité même, et qu’elles ne peuvent y parvenir.

— Cela est certain.

— Mais nous convenons encore que nous n’avons tiré cette pensée, et qu’il est impossible de l’avoir d’ailleurs, que de quelqu’un de nos sens, de la vue, du toucher, ou de quelque autre sens ; et ce que je dis d’un sens, je le dis de tous.

— Et avec raison, Socrate, du moins pour l’objet de ce discours.

— Il faut donc que ce soit des sens mêmes que nous tirions cette pensée, [75b] que toutes les choses égales qui tombent sous nos sens tendent à cette égalité intelligible, et qu’elles demeurent pourtant au-dessous. N’est-ce pas?

— Oui, sans doute, Socrate.

Or, Simmias, avant que nous ayons commencé à voir, à entendre et à faire usage de nos autres sens, il faut que nous ayons eu connaissance de l’égalité intelligible, pour lui rapporter comme nous faisons, les choses égales sensibles, et voir qu’elles aspirent toutes à cette égalité sans pouvoir l’atteindre.

— C’est une conséquence nécessaire de ce qui a été dit, Socrate.

— Mais n’est-il pas vrai que d’abord, après notre naissance, nous avons vu, nous avons entendu, et que nous avons fait usage de tous nos autres sens?

— Très vrai.

— [75c] Il faut donc qu’avant ce temps-là nous ayons eu connaissance de l’égalité?

— Sans doute.

— Et par conséquent il faut, de toute nécessité, que nous l’ayons eue avant notre naissance.

— Il semble.

— Si nous l’avons eue avant notre naissance, nous savons donc avant que de naître, et d’abord après notre naissance nous avons connu, non-seulement ce qui est égal, ce qui est plus grand, ce qui est plus petit, mais beaucoup d’autres choses de cette nature : car ce que nous disons ici n’est pas plus sur l’égalité que sur le beau en lui-même, sur le bien, [75d] sur le juste, sur le saint, et, pour le dire en un mot, sur toutes les choses que, dans tous nos discours, nous marquons du caractère de l’existence, de sorte qu’il faut nécessairement que nous en ayons eu connaissance avant que de naître.

— Cela est certain.

— Et si, après avoir eu ces connaissances, nous ne venions pas à les oublier toutes les fois que nous entrons dans la vie, nous naîtrions avec la science, et nous la conserverions toute notre vie ; car savoir n’est autre chose que conserver les connaissances une fois acquises, et ne pas les perdre ; et oublier, n’est-ce pas perdre les connaissances acquises?

— [75e] Sans difficulté, Socrate.

— Que si, ayant eu ces connaissances avant de naître et les ayant perdues en naissant, nous venons ensuite à les rapprendre ces connaissances que nous avions jadis, en nous servant du ministère de nos sens, ce que nous appelons apprendre, n’est-ce pas ressaisir des connaissances qui nous appartiennent, et n’aurons-nous pas raison d’appeler cela ressouvenir?

— Tout-à-fait, Socrate.

— [76a] Car nous sommes convenus qu’il est très possible que celui qui à senti une chose, c’est-à-dire qui l’a vue, entendue, ou enfin perçue par quelqu’un de ses sens, pense, à l’occasion de celle-là, à une autre qu’il a oubliée, et à laquelle celle qu’il a perçue a eu quelque rapport, soit qu’elle lui ressemble, ou qu’elle ne lui ressemble point ; de manière qu’il faut nécessairement de deux choses l’une, ou que nous naissions avec ces connaissances, et que nous les conservions tous pendant la vie, ou que ceux qui, selon nous, apprennent, ne fassent que se ressouvenir, et que la science ne soit qu’une réminiscence.

— Il le faut nécessairement, Socrate.

— Que choisis-tu donc, Simmias ? Naissons-nous avec des connaissances, [76b] ou nous ressouvenons-nous ensuite de ce que nous connaissions déjà?

— En vérité, Socrate, je ne sais présentement que choisir.

— Mais que penseras-tu, et que choisiras-tu sur ceci ? Celui qui sait peut-il rendre raison de ce qu’il sait, ou ne le peut-il pas?

— Il le peut sans aucun doute, Socrate.

— Et tous les hommes te paraissent-ils pouvoir rendre raison des choses dont nous venons de parler?

— Je le voudrais bien, répondit Simmias, mais je crains fort que demain il n’y ait plus un homme capable de le faire.

— [76c] Il ne te paraît donc pas, Simmias, que tous les hommes possèdent ces connaissances?

— Non, assurément.

— Ils ne font donc que se ressouvenir de ce qu’ils ont appris jadis?

— Il le faut bien.

— Et en quel temps nos âmes ont-elles donc appris ces connaissances ? car ce n’est pas depuis que nous sommes nés.

— Non, certainement.

— C’est donc avant ce temps-là.

— Sans doute.

— Et par conséquent, Simmias, nos âmes existaient auparavant, avant qu’elles parussent sous cette forme humaine ; elles existaient sans enveloppe corporelle : dans cet état, elles savaient.

— À moins que nous ne disions, Socrate, que nous avons acquis toutes ces connaissances en naissant ; car voilà le seul temps qui nous reste.

— [76d] Bien ! mon cher ; mais en quel autre temps les avons-nous perdues ? Car nous ne les avons plus aujourd’hui, comme nous venons d’en convenir. Les avons-nous perdues dans le même temps que nous les avons apprises ? ou peux-tu marquer un autre temps?

— Non, Socrate, et je ne m’apercevais pas que ce que je disais ne signifie rien.

— Il faut donc tenir pour constant, Simmias, que si toutes ces choses, que nous avons toujours dans la bouche, existent véritablement, je veux dire le bon, le bien, et toutes les autres essences du même ordre, s’il est vrai que nous y rapportons toutes les impressions des sens, [76e] comme à leur type primitif, que nous trouvons d’abord en nous-mêmes ; et s’il est vrai que c’est à ce type que nous les comparons, il faut nécessairement, dis-je, que, comme toutes ces choses-là existent, notre âme existe aussi, et qu’elle soit avant que nous naissions : et si ces choses-là n’existent point, tout notre raisonnement porte à faux. Cela n’est-il pas constant, et n’est-ce pas une égale nécessité que ces choses existent, et que nos âmes soient avant notre naissance, ou qu’elles ne soient pas et nos âmes non plus?

— Assurément, c’est une égale nécessité, Socrate, et grâce à Dieu  , la conséquence de tout ceci [77a] est que l’âme existe avant notre apparition dans ce monde, ainsi que les essences dont tu viens de parler ; car, pour moi, je ne trouve rien de si évident que l’existence du beau et du bien ; et cela m’est suffisamment démontré.

— Et Cébès ? dit Socrate ; car il faut que Cébès soit aussi persuadé.

— Je pense aussi, dit Simmias, qu’il trouve tes preuves très suffisantes, quoique ce soit bien l’homme le plus rebelle à la conviction. Cependant je le tiens convaincu que notre âme est [77b] avant notre naissance ; mais qu’elle soit après mort, c’est ce qui ne me paraît pas à moi-même assez prouvé ; car tu n’as pas encore réfuté cette opinion vulgaire dont Cébès parlait tantôt, qu’après la mort de l’homme l’âme se dissipe et cesse d’être. En effet, qu’est ce qui empêche que l’âme naisse, qu’elle existe à part dans quelque lieu, qu’elle soit avant de venir animer le corps de l’homme, et qu’après qu’elle est sortie de ce corps, elle finisse comme lui et cesse d’être?

— [77c] Tu dis fort bien, Simmias, ajouta Cébès ; il me paraît que Socrate n’a prouvé que la moitié de ce qu’il fallait prouver : car il a bien démontré que notre âme existait avant notre naissance ; mais pour achever sa démonstration, il devait prouver aussi qu’après notre mort notre âme n’existe pas moins qu’elle a existé avant cette vie.

— Mais je vous l’ai démontré, Simmias et Cébès, reprit Socrate, et vous en conviendrez si vous joignez cette dernière preuve à celle que vous avez admise, que les vivants naissent des morts ; car s’il est vrai [77d] que notre âme existe avant notre naissance, et s’il est nécessaire qu’en venant à la vie elle sorte, pour ainsi dire, du sein de la mort, comment n’y aurait-il pas la même nécessité qu’elle existe encore après la mort, puisqu’elle doit retourner à la vie ? Ce que vous demandez a donc été démontré. Cependant il me paraît que vous souhaitez tous deux d’approfondir davantage cette question, et que vous craignez, comme les enfants, que quand l’âme sort du corps les vents [77e] ne l’emportent, surtout quand on meurt par un grand vent.

Sur quoi Cébès se mettant à rire :

— Eh bien ! Socrate, prends que nous le craignons, ou plutôt que ce n’est pas nous qui le craignons, mais qu’il pourrait bien y avoir en nous un enfant qui le craignît ; tâchons donc de lui apprendre à ne pas avoir peur de la mort, comme d’un masque difforme.

— Il faut, reprit Socrate, employer chaque jour des enchantements, jusqu’à ce que vous l’ayez guéri.

— [78a] Mais, Socrate, où trouverons-nous un bon enchanteur, puisque tu nous quittes?

La Grèce est grande, Cébès, répondit Socrate, et l’on y trouve beaucoup d’habiles gens. D’ailleurs il y a bien d’autres pays que la Grèce, il faut les parcourir tous et les interroger pour trouver cet enchanteur, sans épargner ni travail ni dépense ; car il n’y a rien à quoi vous puissiez employer votre fortune plus utilement. Il faut aussi que vous le cherchiez parmi vous réciproquement ; car peut-être ne trouverez-vous personne plus capable de faire ces enchantements que vous-mêmes.

— Nous n’y manquerons pas, Socrate ; mais reprenons le discours [78b] que nous avons quitté, si tu le veux bien.

— Comment donc ! très volontiers, Cébès.

— À merveille, Socrate.

Jowett

But what would you say of equal portions of wood and stone, or other material equals ? and what is the impression produced by them ? Are they equals in the same sense   as absolute equality ? or do they fall short of this in a measure ?

Yes, he said, in a very great measure, too.

And must we not allow that when I or anyone look at any object, and perceive that the object aims at being some other thing, but falls short of, and cannot attain to it — he who makes this observation must have had previous knowledge of that to which, as he says, the other, although similar, was inferior ?

Certainly.

And has not this been our case in the matter of equals and of absolute equality ?

Precisely.

Then we must have known absolute equality previously to the time when we first saw the material equals, and reflected that all these apparent equals aim at this absolute equality, but fall short of it ?

That is true.

And we recognize also that this absolute equality has only been known, and can only be known, through the medium   of sight or touch, or of some other sense. And this I would affirm of all such conceptions.

Yes, Socrates, as far as the argument is concerned, one of them is the same as the other.

And from the senses, then, is derived the knowledge that all sensible   things aim at an idea   of equality of which they fall short — is not that true ?

Yes.

Then before we began to see or hear or perceive in any way, we must have had a knowledge of absolute equality, or we could not have referred to that the equals which are derived from the senses — for to that they all aspire, and of that they fall short ?

That, Socrates, is certainly to be inferred from the previous statements.

And did we not see and hear and acquire our other senses as soon as we were born ?

Certainly.

Then we must have acquired the knowledge of the ideal equal at some time previous to this ?

Yes.

That is to say, before we were born, I suppose ?

True.

And if we acquired this knowledge before we were born, and were born having it, then we also knew before we were born and at the instant of birth not only equal or the greater or the less, but all other ideas ; for we are not speaking only of equality absolute, but of beauty, goodness, justice, holiness, and all which we stamp with the name of essence in the dialectical process, when we ask and answer questions. Of all this we may certainly affirm that we acquired the knowledge before birth ?

That is true.

But if, after having acquired, we have not forgotten that which we acquired, then we must always have been born with knowledge, and shall always continue to know as long as life lasts — for knowing is the acquiring and retaining knowledge and not forgetting. Is not forgetting, Simmias, just the losing of knowledge ?

Quite true, Socrates.

But if the knowledge which we acquired before birth was lost by us at birth, and afterwards by the use of the senses we recovered that which we previously knew, will not that which we call learning be a process of recovering our knowledge, and may not this be rightly termed recollection by us ?

Very true.

For this is clear, that when we perceived something, either by the help of sight or hearing, or some other sense, there was no difficulty in receiving from this a conception of some other thing like or unlike which had been forgotten and which was associated with this ; and therefore, as I was saying, one of two alternatives follows : either we had this knowledge at birth, and continued to know through life ; or, after birth, those who are said to learn only remember, and learning is recollection only.

Yes, that is quite true, Socrates.

And which alternative, Simmias, do you prefer ? Had we the knowledge at our birth, or did we remember afterwards the things which we knew previously to our birth ?

I cannot decide at the moment.

At any rate you can decide whether he who has knowledge ought or ought not to be able to give a reason for what he knows.

Certainly, he ought.

But do you think that every man is able to give a reason about these very matters of which we are speaking ?

I wish that they could, Socrates, but I greatly fear that to-morrow at this time there will be no one able to give a reason worth having.

Then you are not of opinion, Simmias, that all men know these things ?

Certainly not.

Then they are in process of recollecting that which they learned before.

Certainly.

But when did our souls acquire this knowledge ? — not since we were born as men ?

Certainly not.

And therefore previously ?

Yes.

Then, Simmias, our souls must have existed before they were in the form of man — without bodies, and must have had intelligence.

Unless indeed you suppose, Socrates, that these notions were given us at the moment of birth ; for this is the only time that remains.

Yes, my friend, but when did we lose them ? for they are not in us when we are born — that is admitted. Did we lose them at the moment of receiving them, or at some other time ?

No, Socrates, I perceive that I was unconsciously talking nonsense.

Then may we not say, Simmias, that if, as we are always repeating, there is an absolute beauty, and goodness, and essence in general, and to this, which is now discovered to be a previous condition of our being, we refer all our sensations, and with this compare them — assuming this to have a prior existence, then our souls must have had a prior existence, but if not, there would be no force in the argument ? There can be no doubt that if these absolute ideas existed before we were born, then our souls must have existed before we were born, and if not the ideas, then not the souls.

Yes, Socrates ; I am convinced that there is precisely the same necessity for the existence of the soul before birth, and of the essence of which you are speaking : and the argument arrives at a result which happily agrees with my own notion. For there is nothing which to my mind   is so evident as that beauty, goodness, and other notions of which you were just now speaking have a most real and absolute existence ; and I am satisfied with the proof.

Well  , but is Cebes equally satisfied ? for I must convince him too.

I think, said Simmias, that Cebes is satisfied : although he is the most incredulous of mortals, yet I believe that he is convinced of the existence of the soul before birth. But that after death the soul will continue to exist is not yet proven even to my own satisfaction. I cannot get rid of the feeling of the many to which Cebes was referring — the feeling that when the man dies   the soul may be scattered, and that this may be the end of her. For admitting that she may be generated and created in some other place, and may have existed before entering the human body, why after having entered in and gone out again may she not herself be destroyed and come to an end ?

Very true, Simmias, said Cebes ; that our soul existed before we were born was the first half of the argument, and this appears to have been proven ; that the soul will exist after death as well as before birth is the other half of which the proof is still wanting, and has to be supplied.

But that proof, Simmias and Cebes, has been already given, said Socrates, if you put the two arguments together — I mean this and the former one, in which we admitted that everything living is born of the dead. For if the soul existed before birth, and in coming to life and being born can be born only from death and dying, must she not after death continue to exist, since she has to be born again ? surely the proof which you desire has been already furnished. Still I suspect that you and Simmias would be glad to probe the argument further ; like children, you are haunted with a fear that when the soul leaves the body, the wind may really blow her away and scatter her ; especially if a man should happen to die in stormy weather and not when the sky is calm.

Cebes answered with a smile : Then, Socrates, you must argue us out of our fears — and yet, strictly speaking, they are not our fears, but there is a child within us to whom death is a sort of hobgoblin ; him too we must persuade not to be afraid when he is alone with him in the dark.

Socrates said : Let the voice of the charmer be applied daily until you have charmed him away.

And where shall we find a good charmer of our fears, Socrates, when you are gone ?

Hellas  , he replied, is a large place, Cebes, and has many good men, and there are barbarous races not a few : seek for him among them all, far and wide, sparing neither pains nor money ; for there is no better way of using your money. And you must not forget to seek for him among yourselves too ; for he is nowhere more likely to be found.

The search, replied Cebes, shall certainly be made. And now, if you please, let us return to the point of the argument at which we digressed.


Ver online : Oeuvres complètes (Brisson)


Platão - Fédon (61c-62c) – Suicídio
Platão - Fédon (62c-63e) – Como se justifica a atitude do filósofo
Platão - Fédon (63e-65a) – Definição da morte
Platão - Fédon (65a-68b) – O obstáculo corporal
Platão - Fédon (68b-69e) – A verdadeira virtude
Platão - Fédon (69e-72e) – A sobrevivência das almas
Platão - Fédon (72e-74d) – A reminiscência
Platão - Fédon (74d-78b) – Experiência inteligível