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A Filosofia no Tempo.

Pessoa: CRÍ TICA DA TEORIA DE PLATÃO

António Quadros (org.)

domingo 27 de julho de 2014, por Cardoso de Castro

      

Excertos do livro organizado por António Quadros, "A procura da verdade oculta". A Filosofia no Tempo.

      

Erra Platão quando diz que só a Beleza é Bela, que só a Brancura é verdadeiramente branca. Pois ser belo significa «participar na Beleza» e ser branco significa «participar na brancura», possuir a brancura nalgum grau. Mas a Beleza não possui Beleza, nem a Brancura possui o branco.

Quando, vendo que o infinito   contém todos os números, dizemos que ele é o único número   verdadeiro, estamos a cometer o mesmo erro   de Platão, pois que, sendo de uma natureza completamente diferente, o infinito não é nenhum número.

Vê-se facilmente a origem   deste erro  , quando consideramos as séries. Elas tentam-nos a dizer que o infinito é superior a qualquer número. Eis aqui o erro de Platão. O infinito não é nem superior nem inferior   a qualquer número, porque superioridade   e inferioridade dependem do número, do grau.

Mas nem sequer é o Infinito diferente do número. Pois o princípio da diferença   é o grau; o grau é numérico: o infinito não é um número.