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O Homem de luz no sufismo iraniano

Corbin (HLSI): A Luz Verde

6. A Luz Verde

segunda-feira 1º de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

    

Tradução em português de Antonio Carneiro

    

Antonio Carneiro

Luzes que sobem e baixam: o dhikr desce ao poço   do coração   e simultaneamente faz sair o místico   do poço das trevas. Na simultaneidade destes momentos concêntricos anuncia-se a a aparição e o crescimento do organismo sutil   de luz. As descrições se complicam e se entremisturam para resolver-se em Najm Kobrâ na visio smaragdina que estes movimentos preludiam. «Nosso método é o método da alquimia  , afirma o sheikh; trata-se de extrair o organismo sutil de luz das montanhas sob as quais jaz prisioneiro»( 12). «Pode ocorrer que te visualizes a ti-mesmo como se estivesse no fundo de um poço, e como se o poço se animasse com um movimento   descendente de cima para baixo. Na realidade, és tu quem está subindo»(ibid.) Este ascenso (recorde-se da visão   de Hermes   em Sohravadî, seu ascenso nas ameias do Trono) é a saída progressiva das montanhas que, como se viu anteriormente (supra IV, 2), eram as quatro naturezas elementais, constitutivas do organismo físico. Os estados interiores concomitantes com esta saída se traduzem nas visualizações de desertos, inclusive «de cidades, de países, de casas, que descendo do alto até ti e que depois desaparecem por debaixo de ti, como se visse um dique que se funde na margem do mar e desaparece nele»( 12).

Esta correspondência é precisamente o que proporciona ao místico um meio de controle decisivo sobre a realidade das visões, uma garantia contra as ilusões, pois rege o equilíbrio de uma balança rigorosa. «Ocorre que contemplas com teus olhos aquilo do que não tinhas todavia mais que um conhecimento teórico por meio da mente  . Quando visualizas um mar em que estás fundido mas que estás atravessando, sabe que se trata do aniquilamento das exigências supérfluas que se originam no elemento   água. Se o mar é límpido e tem nele sóis emergidos ou luzes ou um resplendor, sabe que é o mar da gnose mística. Quando visualizas uma chuva que desce, sabe que é um orvalho que cái dos lugares da Misericórdia   divina, para verificar as terras dos corações adormecidos na morte. Quando visualizas um resplendor que está em princípio fundido e do qual logo te liberas, sabe que é o aniquilamento do supérfluo que se origina no elemento fogo  . Por fim, quando visualizas ante ti um espaço grande e amplo, uma imensidão abrindo-se nas lonjuras, enquanto que por cima de ti tem um ar límpido e puro e no horizonte   percebes cores, verde, vermelho, amarelo, azul, sabe que isto anuncia a passagem pelas alturas desse ar até o campo   dessas cores. Agora bem, essas cores são as dos estados espirituais interiormente experimentados. A cor verde é o signo   da vida do coração; a cor do fogo ardente e puro é o signo da vitalidade da energia espiritual, o que quer dizer capacidade de realização  . Se o fogo carece de brilho, põe de manifesto   no místico um estado   de fadiga   e de adversidade   subsequente ao combate   com o eu   inferior   e com o demônio. O azul é a cor desse eu inferior. O amarelo assinala um relaxamento. Tudo isto são realidades super-sensíveis que dialogam com aquele que as experimenta na dupla linguagem do sentimento   interior (dhawq  ) e a percepção visionária. São duas testemunhas complementárias, pois, experimentas interiormente em ti-mesmo o que visualizas por tua visão interior o que precisamente experimentas em ti-mesmo»( 13).

O sheikh formula assim a lei da balança que permite controlar essas visões de luzes coloridas, e que é tanto mais necessária quanto que se trata não de percepções ópticas, mas sim de fenômenos percebidos pelo órgão da visão interior; a balança permite discriminá-las e distingui-las das «alucinações». A discriminação   se estabelece com efeito na medida em que se verifica o estado interior realmente experimentado, e em que este estado interiormente experimentado está em correspondência com aquele que procuraria a percepção exterior de uma ou outra cor. Nesta medida se trata não de uma ilusão   mas sim de uma visualização real e de um sinal, quer dizer, da coloração de objetos e acontecimentos reais, cuja realidade, se entende, não é física mas sim super-sensível, psico-espiritual. Por este motivo estes fotismos coloridos são em pleno   sentido da palavra testemunhas, testemunhas do que tu és do que vale tua visão, e prefiguram a visão da «testemunha celestial» pessoal. A importância da cor verde (a cor do polo) ressalta em todo este contexto, posto que é a cor do coração e da vitalidade do coração (14); e agora então, o coração é o homólogo do Trono, o polo que é o umbral do mais além. Assim reconhecemos aqui mais um traço já refletido no relato sohravardiano do exílio  .

«A cor verde é a última cor que persiste. Desta cor emanam raios   que brilham com destelhos resplandescentes. Esta cor verde pode ser absolutamente pura, pois pode ocorrer que seu brilho se deva à um retorno das trevas da natureza (15). Assim como a montanha   de Qâf (a montanha psico-cósmica, supra III,1) toma integralmente a coloração da Rocha de esmeralda que é seu cume (o polo, o norte   cósmico  ), assim também»o coração é um órgão sutil que absorve o reflexo das coisas e as realidades super-sensíveis que fazem círculo   ao redor dele. A cor do objeto se reproduz no órgão sutil (latîfa) frente ao que está colocado, o mesmo que as formas se refletem nos espelhos ou em uma água perfeitamente pura... O coração é uma luz na profundidade do poço da natureza, como a luz   de José no poço em que havia sido lançado" (16).

Eis aqui, pois, como forma as peripécias da saída do poço. A primeira vez que esse poço se revela à ti, te revela uma profundidade à que nenhuma profundidade percebida fisicamente possa se comparar. Ainda que no estado de vigília estivesse em condições de familiarizar-se com ele, quando o visualizas em estado de «união  » com os sentidos ( ou de «ausência  », quer dizer no super-sensível, ghayba), te sentes enternecido por um espanto   tal que crês a ponto de entregar a alma  . E logo, na abertura começa a brilhar a extraordinária luz verde. Desde esse momento, se mostram a ti maravilhas que já não poderás esquecer: as de Malakût (o mundo das animae caelestes, o esotérico dos céus visíveis) as de Jabarût (o mundo dos Querubins, dos Nomes Divinos  ). Experimentas os sentimentos mais contraditórios: exultação, pavor, atração. Ao fim da via mística, verás o poço por debaixo de ti. Então, o poço inteiro se metamorfoseia em poço de luz ou de cor verde. «Trevas ao começo, pois era a morada   dos demônios, ei-lo aí agora radiante de luz verde, pois se converteu em um lugar onde descem os anjos   e a compaixão divina»( 17). Najm Kobrâ dá testemunho aqui das angelofanias que foram dispensadas: a saída do poço sob a guia   de quatro anjos que o rodeiam: a descida do sakîna (a Shekhina), grupo de anjos que descem ao coração: ou bem a visão de um único anjo que o leva em direção ao alto como foi levado o Profeta ( 19-21).

E estes são todos os céus espirituais, os céus interiores da alma, os sete planos do ser que têm seus homólogos no homem   de luz e que mostram suas iriações no arco íris da visão smaragdina. "Sabe que o existir não está limitado a um ato único. Não há ato de ser tal que não se descubra por cima dele um ato de ser todavia mais determinado e mais belo que o precedeste, até que se chega ao ser divino. Para cada ato de ser, no curso da via mística, tem um poço. As categorias   do ser estão limitadas a sete; isto faz alusão ao número   das terras e dos céus. Quando tens realizado a ascensão   dos sete poços nas diferentes categorias do existir, se te mostra o céu da condição soberana (robûbîya) e da potência. Sua atmosfera é uma luz verde, que tem o verdor de uma luz vital, recorrida por ondas em eterno movimento. Tem nessa cor verde tal intensidade que as inteligências humanas não têm forças suficientes para suportá-la, o que não as impede deleitar-se dele com um amor místico. E na superfície deste céu se mostram pontos de um vermelho mais intenso que o fogo, o rubi ou a cornalina e que aparecem colocados em grupo de cinco  . O místico ao vê-los, experimenta nostalgia e ardente desejo, e aspira a unir-se com eles(18).

Original

Lumières qui montent et lumières qui descendent : le dhikr descend dans le puits du cœur et simultanément fait sortir le mystique du puits de ténèbres. Dans la simultanéité de ces mouvements concentriques s’annoncent l’éclosion et la croissance de l’organisme subtil de lumière. Les descriptions se compliquent et s’enchevêtrent pour se résoudre chez Najm Kobrâ en la visio smaragdina à laquelle préludent ces mouvements. « Notre méthode est la méthode de l’alchimie, déclare le shaykh; il s’agit d’extraire l’organisme subtil de lumière de dessous les montagnes sous lesquelles il gît prisonnier (§ 12). » « Il peut arriver que tu te visualises toi-même comme te trouvant au fond d’un puits, et comme si le puits s’animait d’un mouvement descendant de haut en bas. En réalité, c’est toi qui es en train de monter (ibid.). » Cette ascension (que l’on se rappelle la [88] vision d’Hermès chez Sohravardî, son ascension aux créneaux du Trône), c’est la sortie progressive hors des montagnes dont on a vu précédemment (supra IV, 2) qu’elles étaient les quatre natures élémentaires, constitutives de l’organisme physique. Les états intérieurs concomitants de cette sortie se traduisent en visualisations de déserts, voire « de cités, de pays, de maisons, qui descendent d’en haut vers toi et qui ensuite disparaissent au-dessous de toi, comme si tu voyais une digue sur le rivage de la mer s’effondrer et disparaître dans celle-ci (§ 12). »

Cette correspondance est précisément ce qui fournit au mystique un moyen de contrôle décisif sur la réalité de ces visions, une garantie contre les illusions, car elle commande l’équilibre d’une balance rigoureuse. « Il arrive que tu contemples de tes yeux ce dont tu n’avais encore qu’une connaissance théorique par l’intellect. Lorsque tu visualises une mer où tu es plongé mais que tu es en train de traverser, sache que c’est l’anéantissement des exigences superfétatoires s’originant à l’élément Eau  . Si la mer est limpide et qu’il y ait en elle des soleils immergés ou des lumières ou un flamboiement, sache que c’est la mer de la gnose mystique. Lorsque tu visualises une pluie qui descend, sache que c’est une rosée qui descend des lieux de la Miséricorde divine, pour vivifier les terres des cœurs ensommeillés dans la mort. Lorsque tu visualises un flamboiement dans lequel tu es tout d’abord enfoncé et dont ensuite tu te dégages, sache que c’est l’anéantissement des superfétations qui s’originent à l’élément Feu. Enfin, lorsque tu visualises devant toi un grand et large espace, une immensité s’ouvrant sur les lointains, tandis qu’au-dessus de toi il y a un Air limpide et pur et qu’à l’extrême horizon tu perçois des couleurs, verte, rouge, jaune, bleue, sache que cela annonce le passage par la hauteur de cet Air jusqu’au champ de ces couleurs. Or ces couleurs, ce sont celles des états spirituels intérieurement éprouvés. La couleur   verte est le signe de la vie du cœur; la couleur du feu ardent et pur est le signe de vitalité de l’énergie spirituelle [1], ce qui veut dire puissance de réaliser. Ce feu est-il terne, il dénonce chez le mystique un état de fatigue et d’adversité consécutif au combat avec le moi inférieur et le Démon. Le bleu est la couleur de ce moi inférieur. Le jaune signale un relâchement. Tout cela, ce sont des réalités suprasensibles qui dialoguent avec celui qui les éprouve dans le double langage du sentiment intérieur (dhawq) et de l’aperception visionnaire. Ce sont là deux témoins complémentaires, car tu éprouves intérieurement en toi-même ce que tu visualises par ta vue intérieure, et réciproquement tu visualises par ta vue intérieure ce que précisément tu éprouves en toi-même (§ 13). »

[89] Le shaykh formule ainsi la loi même de la balance qui permet de contrôler ces visions de lumières colorées, et d’autant plus nécessaire qu’il s’agit non pas de perceptions optiques, mais de phénomènes perçus par l’organe de la vue intérieure; la balance permet de les discriminer et de les distinguer des « hallucinations ». La discrimination s’établit en effet dans la mesure où l’on vérifie l’état intérieur réellement éprouvé, et où cet état intérieurement éprouvé est en correspondance avec celui que procurerait la perception extérieure de telle ou telle couleur. Dans cette mesure il s’agit bien non pas d’une illusion, mais d’une visualisation réelle et d’un signe, c’est-à-dire de la coloration d’objets et d’événements réels, dont la réalité, s’entend, est non pas physique mais suprasensible, psycho-spirituelle. C’est pourquoi ces photismes colorés sont au plein sens du mot des témoins, témoins de ce que tu es, de ce que vaut ta vision, et préfigurent la vision du « Témoin céleste » personnel. L’importance de la couleur verte (la couleur du pôle) ressort de tout ce contexte, puisqu’elle est la couleur du coeur et de la vitalité du cœur (§ 14); or le cœur est l’homologue du Trône, le pôle qui est le seuil de l’Au-delà. Aussi bien reconnaissons-nous ici plus d’un trait déjà porté dans le récit sohravardien de l’Exil.

« La couleur verte est l’ultime couleur qui persiste [2]. De cette couleur émanent des rayons, fulgurant en éclairs étincelants. Cette couleur verte peut être absolument pure; il arrive qu’elle se ternisse. Sa pureté annonce la dominante de la lumière divine ; sa ternissure provient d’un retour des ténèbres de la nature (§ 15). » De même que la montagne de Qâf (la montagne psycho-cosmique, supra III, I) prend tout entière la coloration du Rocher d’émeraude qui en est le sommet (le pôle, le nord cosmique), de même « le cœur est un organe subtil qui prend le reflet des choses et des réalités suprasensibles qui font cercle autour de lui. La couleur de la chose se reproduit dans l’organe subtil (latîfa) auquel elle fait face, de même que les formes se réfléchissent dans les miroirs ou dans une eau parfaitement pure... Le cœur est une lumière dans la profondeur du puits de la nature, comme la lumière de Joseph dans le puits où il avait été jeté (§ 16). »

Dès lors voici qu’à cette lumière, prennent figure les péripéties de l’ascension hors du puits. La première fois que le puits se révèle à toi, il te révèle une profondeur à laquelle ne peut se comparer aucune profondeur perçue physiquement. Tandis qu’à l’état de veille, tu étais en passe de te familiariser avec lui, lorsque tu le visualises en état de ligature des sens (ou d’« absence », c’est-à-dire dans le suprasensible, [90] ghayba), tu es ébranlé par une telle frayeur que tu te crois sur le point de rendre l’âme. Et puis, voici qu’à l’orifice commence à briller l’extraordinaire lumière verte. Dès ce moment, se montrent à toi des merveilles que tu ne pourras plus oublier : celles du Malakût (le monde des Animae caelestes, l’ésotérique des Cieux visibles), celles du Jabarût (le monde des Kerubim, des Noms divins). Tu éprouves les sentiments les plus contradictoires : exultation, effroi, attirance. Au terme de la voie mystique, tu verras le puits au-dessous de toi. D’ici là, le puits tout entier se métamorphose en puits de lumière ou de couleur verte. « Ténèbres au début, parce qu’il était la demeure des démons, le voici maintenant lumineux de lumière verte, parce qu’il est devenu le lieu où descendent les Anges et la Compatissance divine (§ 17). » Najm Kobrâ atteste ici les angélophanies qui lui furent dispensées : la sortie du puits sous la conduite de quatre Anges qui l’entourent; descente de la sakîna (la shekhina), groupe d’Anges qui descendent dans le cœur; ou bien vision d’un Ange unique l’enlevant comme fut enlevé le Prophète (§§ 19-21) [3].

Et ce sont tous les Cieux spirituels, les Cieux intérieurs de l’âme, les sept plans de l’être   ayant leurs homologues dans l’homme de lumière, qui s’irisent dans l’arc-en-ciel de la visio smaragdina. « Sache que l’exister n’est pas limité à un acte unique. Il n’y a point d’acte d’être tel que l’on ne découvre au-dessus de lui un acte d’être encore plus déterminé et plus beau que le précédent, jusqu’à ce que l’on aboutisse à l’Etre divin. Pour chaque acte d’être, sur le parcours de la voie mystique, il y a un puits. Les catégories de l’être sont limitées à sept ; c’est ce à quoi fait allusion le nombre des Terres et des Cieux [4]. Lors donc que tu as fait l’ascension des sept puits dans les différentes catégories de l’exister, voici que se montre à toi le Ciel de la condition suzeraine (robûbîya) et de la puissance. Son atmosphère est une lumière verte dont la viridité est celle d’une lumière vitale, parcourue d’ondes éternellement en mouvement les unes vers les [91] autres. Il y a dans cette couleur verte une telle intensité que les esprits humains n’ont pas la force de la supporter, ce qui ne les empêche pas de s’éprendre pour elle d’un amour mystique. Et à la surface de ce Ciel se montrent des points d’un rouge plus intense que le feu, le rubis ou la cornaline, et qui apparaissent rangés en groupes de cinq. Le mystique éprouve à leur vue nostalgie et ardent désir; il aspire à se conjoindre avec eux (§ 18). »


Ver online : Excertos de «O Homem de luz no sufismo iraniano»


[1La himma : cf. suora n. 71.

[2Majdoddîn Baghdâdî (cit. F. Meier, p. 244), dans sa Tohfat al-barara, mentionne également le propos d’un shaykh caractérisant la couleur verte comme l’ultime voile de l’âme. Sur la précellence de cette couleur chez Semnânî, cf. infra VI, I.

[3« Sache que vers celle station mystique — Demeure de la condition seigneuriale et de ta puissance — quatre Anges enlèvent le mystique : un à sa droite, un à sa gauche, un au-dessus de lui, un au-dessous de lui... (§ 19). » Sur cette quaternité, figurant un symbolisme du centre, cf. notre commentaire des « Confessions extatiques de Mir Dâmad » (ci-dessus n. 20) ; une même tétrade angélique figure dans le Summum Bonum de Robert Fludd, éd. 1629. « Le plus souvent les Anges surviennent par derrière. Parfois ils viennent d’en haut. De même la Sakîna : c’est un groupe d’Anges qui descendent dans le cœur ; leur survenue fait éprouver dans le cœur quiétude et apaisement. Ils te ravissent si totalement à toi-même qu’il ne te reste plus aucune liberté de te mouvoir ni de parler, aucune possibilité de penser à autre chose qu’à l’Etre divin (!) 21). » « Un Ange m’enleva. Il vint dans mon dos, me prit dans ses bras et m’enleva ; puis il se tourna devant mon visage et me donna un baiser. Sa lumière étincelait dans mon regard intérieur. Ensuite il dit : Au nom de Dieu tel qu’il n’en est point d’autre que lui, le Compatissant, le Miséricordieux. Puis il monta encore un peu avec moi. Puis il me déposa de nouveau (§ 23). »

[4Sur les sept Cieux, cf. Qorân 67: 3 et 78 : 12 ; sur les sept Terres, Safinat Bihar al-Anwâr, 1, 661. Sur l’amplification de ce thème dans l’école shaykhie. cf. notre livre Terre céleste, p. 133, n. 86.