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O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo.

Schopenhauer (MVR2:605-606) – a morte

Suplementos Livro IV Capítulo 41

terça-feira 14 de setembro de 2021

[Excerto de SCHOPENHAUER  , Arthur. O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo. Suplementos aos quatro livros do primeiro tomo. Tradução, Apresentação, Notas e índices Jair Barboza. São Paulo: Unesp, 2015, p. 605-606]

A morte? é a grande correção que a Vontade? de vida?, e o egoísmo? essencial? a esta, recebem durante o curso da natureza?; morte que pode ser? concebida como uma punição? para a nossa existência?; é o desatar doloroso do nó que a procriação amarrou com volúpia e é a destruição violenta, vinda de fora, do erro? fundamental de nosso ser: é a grande desilusão. No fundo somos algo que não deveria ser: por isso cessamos de ser. — O egoísmo consiste em verdade? no fato? de que o ser humano? limita toda a realidade? à sua pessoa?, pois se imagina existir? apenas nesta pessoa, não nas outras. A morte o ensina algo de melhor, na medida? em que suprime essa pessoa, de modo? que a essência? do humano, que é a sua vontade, não existirá doravante senão nos outros indivíduos, enquanto o seu intelecto?, que pertencia ele mesmo apenas à aparência?, isto é, ao mundo? como representação?, e era só a forma? do mundo exterior?, continuará a existir como ser-representação, isto é, no ser OBJETIVO? das coisas? ENQUANTO TAIS, portanto, só na existência daquilo que até então foi o mundo exterior. Todo? o seu eu?, por conseguinte, doravante vive apenas naquilo que ele até então considerava como não-eu?, já que cessa a diferença? entre exterior e interior. Recordemos aqui que o humano melhor é aquele que faz a mínima diferença entre si e os outros e não os considera como não-eu absoluto?, enquanto para o humano mau essa diferença é grande e mesmo absoluta; — como o demonstrei no ensaio de concurso Sobre o fundamento? da moral?. E conforme essa diferença que se determina, de acordo? com o exposto acima, o grau? com que a morte pode ser vista como a aniquilação de um humano. — Mas se partirmos do princípio? de que a diferença entre o que é exterior a mim e o que é interior em mim, enquanto espacial, reside apenas na aparência, não na coisa em si, e que, portanto, não é absolutamente real?, então veremos na perda da própria individualidade? apenas a perda de uma aparência, portanto, apenas uma perda ilusória. Por mais realidade que tenha essa diferença na consciência? empírica, ainda assim, do ponto? de vista metafísico, as sentenças?: “eu pereço, mas o mundo perdura” e “o mundo perece, mas eu perduro” não são no fundo verdadeiramente diversas.


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