zizek:absoluto-finito
6. O absoluto finito
MML
- Falha decisiva na rejeição de Fichte como ponto extremo do idealismo alemão, entendido como idealismo em sua pior forma, por reduzir sua posição a uma figura de loucura abstrata sem conteúdo.
- Lugar-comum segundo o qual Hegel seria o momento do delírio sistemático de um saber absoluto, mas ainda assim forneceria intuições concretas e valiosas sobre história, política, cultura e estética.
- Lugar-comum segundo o qual Fichte apareceria como versão precoce e ainda mais insana dessa pretensão hegeliana, restando-lhe apenas a loucura sem compensação de conteúdo, como na caricatura atribuída a Bertrand Russell.
- Reforço do estigma por alusões laterais em que o solipsismo radical é tomado como loucura que nenhum homem sábio defenderia, incluindo menções episódicas em Lacan.
- Elogios a Fichte que, mesmo quando positivos, tendem a vê-lo como formulação extrema da subjetividade moderna, reforçando o registro de exagero e unilateralidade.
- Aparência imediata de uma construção especulativa abstrata que começa com Eu = Eu e progride por passagens que parecem meros exercícios formais sustentados por referências matemáticas e oscilações entre saltos estranhos e senso comum pobre.
- Partida na autoposição do Eu como Eu = Eu, apresentada como gesto inaugural que, em leitura rápida, parece hipertrofiar o Eu.
- Passagem ao não-Eu como etapa subsequente que, sem mediação prática, aparece como derivação verbal e não como necessidade experiencial.
- Continuação em raciocínios abstratos com apoio de alusões matemáticas e argumentações que soam ridículas, produzindo a impressão de especulação sem contato com o real.
- Paradoxo segundo o qual a especulação abstrata se converte em intuição substancial quando reconduzida à experiência concreta, como ocorre em Kant, Schelling e em todo o idealismo alemão.
- Condição dessa conversão consistindo em ligar as fórmulas especulativas ao modo efetivo como o sujeito vive e age, e não em tomá-las como deduções exteriores à vida.
- Reinterpretação do que parecia puro formalismo como descrição concentrada de estruturas de experiência e de engajamento.
- Sentido experiencial da tese segundo a qual o pôr do Eu ideal absoluto pelo Eu finito faz ocorrer a oposição do não-Eu, compreendida como descrição do engajamento prático do sujeito finito.
- Posição de uma meta ideal prática, inatingível, como operação pela qual a realidade finita fora do sujeito aparece como não-Eu, isto é, como obstáculo a ser superado e transformado.
- Dependência da aparição do obstáculo em relação ao projeto, de modo que a oposição ao não-Eu não é traço natural de um sujeito enquanto coisa, mas traço de um sujeito enquanto empenhado.
- Primado da razão prática formulado como tese de que a percepção da realidade depende do projeto prático, de modo que sem projeto não há obstáculo e o reconhecimento cognitivo é sempre colorido pelo fim prático.
- Exemplificação do primado do prático pela transformação do campo perceptivo segundo o ideal assumido, onde o real se organiza conforme aquilo que importa ao projeto.
- Caso do profissional de saúde em que o ideal de salvar vidas faz emergir como coisas relevantes entidades como pressão alta e colesterol, isto é, objetos práticos que passam a estruturar o ver.
- Caso do capitalista que atravessa uma periferia em limusine e não vê a pobreza e a miséria, mas vê preguiça e dependência de assistência, isto é, objetos ideológicos moldados por seu projeto e posição.
- Consequência de que o real percebido não é um dado indiferente, mas um campo recortado pelas coordenadas de engajamento.
- Formulação sartreana da assunção integral da situação e do coeficiente de adversidade como expressão fichteana da dependência da adversidade em relação à decisão de si.
- Situação com coeficiente de adversidade compreendida como algo a ser assumido inteiramente pelo para-si, mesmo quando insuportável.
- Decisão de si como aquilo que decide adversidade e imprevisibilidade das coisas, deslocando a adversidade do estatuto de propriedade objetiva para o estatuto de índice do engajamento.
- Origem bachelardiana do coeficiente de adversidade como crítica à fenomenologia husserliana por ignorar a inércia resistente dos objetos, e deslocamento sartreano que liga essa inércia ao projeto.
- Reconhecimento da inércia do em-si como idiota do real, isto é, como resistência que não se deixa absorver por intenção subjetiva.
- Experiência dessa inércia como adversidade ocorrendo apenas em relação a projetos determinados, de modo que a resistência não é mera presença, mas obstáculo ao esforço.
- Escolha de fins implicando escolha de obstáculos, pois a decisão de escalar a montanha transforma fraqueza do corpo e inclinação do rochedo em obstáculos que não existiam enquanto se contemplava do conforto da cadeira.
- Primazia do prático como chave para compreender a redução fichteana da coisa percebida à atividade de perceber, isto é, o esforço de gerar o percebido a partir do perceber.
- Redução da coisa ao perceber não como negação do real, mas como descrição da forma pela qual o real aparece como tal dentro do campo de um projeto.
- Trabalho longo e árduo pelo qual o sujeito aprende a distinguir, no campo de suas representações, entre aparência ilusória e modo como a coisa que aparece é ela mesma.
- Em-si do objeto como resultado desse trabalho discriminante e, por isso, como categoria do aparecer, isto é, como modo mediado de aparecer e não como imediatidade independente do aparecer.
- Externalização de um quantum de realidade pelo Eu como condição para que o não-Eu apareça como independente, mediante a posição do não-Eu como não-posto.
- Transferência de parte da atividade do Eu para fora de si, externalizando-a em um não-Eu.
- Não-Eu aparecendo como não-posto, isto é, como independente do Eu, embora essa independência seja efeito da própria operação de externalização.
- Objetividade como efeito formal de uma atividade que se aliena e se devolve ao sujeito como resistência.
- Paradoxo segundo o qual as modalidades de objetivação do não-Eu decorrem da finitude do Eu e não da reflexividade enquanto tal, invertendo a leitura que veria no Eu um fundamento infinito de tudo.
- Eu preso em círculo de objetivizações não por ser fundamento divino, mas por ser finito, de modo que sua clausura não é excesso de potência, mas marca de impossibilidade estrutural.
- Ligação paradoxal entre infinitude enquanto ausência de limitação externa e finitude, pois toda limitação deve ser autolimitação não por infinitude divina, mas por incapacidade finita de perceber o limite externo.
- Impossibilidade de o Eu finito pisar sobre o próprio ombro ou saltar sobre a própria sombra, isto é, de colocar-se fora de si para ver o limite como limite.
- Círculo do saber absoluto finito como nome dessa constelação em que finitude e infinitude deixam de ser opostas e se implicam.
- Encontro do obstáculo como consciência brutal da finitude que, ao mesmo tempo, revela uma infinitude interna sob a forma do dever infinito que assombra o núcleo do ser.
- Obstáculo como choque que não apenas limita, mas faz emergir a experiência de finitude como ferida que remete a algo infinito no interior.
- Infinitude interna não como posse substancial, mas como dever que não se esgota e que persiste no centro da existência.
- Perda do ponto fichteano no reproche padrão de que não se pode deduzir a necessidade do choque, pois o choque deve surgir do nada precisamente por causa da finitude radical.
- Choque como intervenção do Fora radical que, por definição, não pode ser deduzida, já que dedução integral reconduziria ao sujeito-substância metafísico que gera tudo a partir de si.
- Lacuna inevitável na dedução categorial convertida em força suprema do sistema, pois a necessidade só pode ser deduzida do ponto de vista prático, e essa dependência do prático é ela mesma necessária.
- Transformação da falta dedutiva em princípio, onde o que parece fraqueza teórica se torna condição de consistência prática.
- Coincidência de contingência e necessidade, de liberdade e limitação, como ápice do edifício fichteano no choque simultaneamente impossível e necessário do não-Eu sobre o Eu.
- Choque descrito como impossível por não poder ser deduzido nem inscrito como objeto dentro de uma cadeia de razões teóricas.
- Choque descrito como necessário porque sem ele não há início efetivo de atividade do Eu e, portanto, não há liberdade.
- Dissolução da oposição entre finitude e liberdade, já que apenas através do encontro chocante com o obstáculo o Eu se torna livre.
- Exigência de que o Eu infinito se finitiza, aparecendo como Eu limitado, e dividindo-se em Eu absoluto e Eu finito oposto ao não-Eu, invertendo a tentação de fazer do Eu parte do não-Eu.
- Fórmula segundo a qual todo não-Eu é não-Eu de um Eu, mas nenhum Eu é Eu de um não-Eu, estabelecendo prioridade do Eu na estrutura de correlação.
- Rejeição do dogmatismo que insere o Eu como elemento da objetividade, dissolvendo sua espontaneidade na substância do não-Eu.
- Necessidade de evitar a tentação ainda mais sutil do realismo transcendental de hipostasiar o Eu absoluto como meta-sujeito ou substância noumenal que engendra o sujeito finito como aparência empírica.
- Hipóstase do Eu absoluto conduzindo à ausência de objetos reais, pois tudo se tornaria fantasmagoria produzida pelo jogo circular do Eu consigo mesmo.
- Caricatura do idealismo absoluto como Eu único na casa que põe obstáculos para superá-los, secretamente ciente de ser o único agente.
- Recusa dessa caricatura por exigir precisão no estatuto do Eu absoluto, que não é fundamento real-ideal de tudo.
- Estatuto do Eu absoluto como ideal radical e como pressuposição ideal do Eu finito praticamente engajado, sendo o engajamento a única realidade efetiva do Eu.
- Eu absoluto como hipótese prática do sujeito finito tético, e não como ens realissimum positivamente dado.
- Realidade do Eu adquirida apenas através da autolimitação no encontro com o obstáculo do não-Eu, deslocando o absoluto para o registro de presupposto regulativo.
- Idealismo moral de dever infinito como consequência: liberdade não coexiste substancialmente com o Eu, mas deve ser adquirida por luta, cultura e autoeducação.
- Eu infinito como processo de vir-a-ser infinito, e não como substância pronta, identificando o absoluto com o próprio movimento de formação.
- Solução fichteana do solipsismo como ultrapassagem apenas prática, pois no nível teórico o Eu pode imaginar-se monada solitária, enquanto no nível prático a resistência do objeto impõe a crença na realidade.
- Passividade receptiva no nível da observação teórica contrastando com intervenção ativa no nível prático, sem que isso permita uma refutação teórica do solipsismo.
- Fórmula segundo a qual sem esforço não há objeto, instaurando a objetividade como correlato da prática e não como dado autônomo.
- Coerção moral como única coerção possível para um ser livre, pela qual a crença na realidade se impõe, deslocando a necessidade do real para a dimensão ética.
- Ética como dimensão do real em que equilíbrios imaginários e simbólicos se desarranjam, articulando o real como aquilo que insiste e rompe acomodações.
- Recusa da solução kantiana das antinomias dinâmicas por alocar necessidade e liberdade em níveis distintos, uma vez que isso encobre o fato de que a própria realidade fenomênica é o mundo da luta pela liberdade.
- Mundo fenomênico como campo de intervenção e de atos livres, e não como mero teatro de necessidade natural.
- Obscurecimento da liberdade prática quando se reserva a liberdade ao noumênico e se entrega o fenômeno à necessidade, pois a liberdade deve operar precisamente onde se vive e se age.
- Clarificação da confusão kantiana sobre o acesso ao noumênico e o risco de tornar-se marionete, mediante a redefinição do Eu como espontaneidade de autoposição e não como substância noumenal.
- Eu como espontaneidade pura de autoposição, cuja autolimitação pode ser deduzida imanentemente, sem apelo a Deus transcendente que manipule a limitação do conhecimento para favorecer crescimento moral.
- Autolimitação como estrutura interna do engajamento, impedindo que a liberdade dependa de uma economia transcendente.
- Reconhecimento de que a ênfase na ruptura Kant-Fichte deve ser acompanhada pela percepção de uma ruptura não menos radical entre Fichte e Schelling, decorrente do ponto de vista único da finitude.
- Projeto de Schelling, compartilhado pelo jovem Hegel, de suplementar idealismo subjetivo por idealismo objetivo para alcançar imagem completa do absoluto sujeito-objeto.
- Perda do ponto de vista fichteano da finitude, pois a síntese em Fichte só pode ser dada como esforço prático e como esforço infinito, jamais como dado contemplativo.
- Em Fichte, síntese do finito e do infinito dada no esforço infinito do sujeito finito, e o Eu absoluto como hipótese do sujeito finito prático.
- Em Schelling, absoluto como indiferença sujeito-objeto dado originariamente, e sujeito-oposto-ao-objeto como queda do absoluto, de modo que o retorno ao absoluto não é esforço prático, mas submersão estética e auto-superação.
- Leitura fichteana dessa passagem como regressão ao realismo idealista pré-kantiano, em que o absoluto volta a ser entidade noumenal positiva e os entes finitos são seus resultados.
- Fidelidade fichteana ao núcleo kantiano das formas a priori da sensibilidade, impedindo concepção platônica ingênua do material como versão confusa do inteligível.
- Tempo e espaço como formas a priori implicando heterogeneidade irredutível entre sensibilidade e inteligibilidade.
- Esquematismo transcendental como irreduzível, impedindo deduzir materialidade a partir das categorias da razão pura.
- Realidade material como plenamente constituída e dotada de consistência própria, e não como borrão de um reino noumenal verdadeiro.
- Radicalização kantiana no estatuto da natureza como obstáculo à atividade prática do Eu, de modo que a natureza existe como matéria de atividade moral e só pode ser justificada teleologicamente.
- Realidade primariamente experimentada como obstáculo implicando que a inércia material é correlato do agir moral.
- Justificação da natureza como prática-teleológica e não especulativa, conduzindo à rejeição de uma filosofia especulativa da natureza.
- Ridicularização schellinguiana do teleologismo prático pela hipótese de que ar e luz existiriam apenas para que indivíduos morais se vejam e interajam, e resposta fichteana por explosão sarcástica de riso.
- Riso fichteano como inversão do riso de senso comum que apela ao óbvio contra especulações, pois aqui o riso se dirige contra a pretensão realista de que ar e luz simplesmente estão aí.
- Estranheza desse riso por ressoar o gesto realista de apelo à evidência, mas operando para desautorizar essa evidência como argumento filosófico.
- Problema do sentido desse riso exigindo localizar o núcleo conceitual que o sustenta na explicação entre parênteses sobre o não-Eu.
- Rejeição da explicação usual do não-Eu como conceito abstrato obtido por generalização a partir de tudo o que é representado, substituída pela tese de que a objetidade exige um X originário no sujeito representador.
- Necessidade de opor o objeto ao que representa para que algo seja representado como objeto, exigindo no objeto um X que o apresente como representável e não como representador.
- Impossibilidade de um objeto ensinar que ele não é o que representa, pois para pôr algo como objeto essa diferença já deve ser conhecida previamente.
- Localização desse saber prévio no sujeito representador antes de toda experiência possível, como condição transcendental do pôr de objetos.
- Consequência segundo a qual o excedente do objeto sobre as representações, precisamente por não ser abstração delas, deve residir no sujeito como condição de objetivação.
- Justificação da leitura do não-Eu segundo o juízo infinito kantiano, distinguindo negação de predicado e afirmação de não-predicado, com abertura de um terceiro domínio monstruoso.
- Diferença entre não mortal e não-mortal como diferença entre simples negação e afirmação de um não-predicado, paralela à diferença entre não morto e morto-vivo.
- Não humano distinguido de inumano, onde o inumano não é exterioridade simples, mas excesso aterrador inerente ao humano.
- Hipótese de que a revolução kantiana desloca o excesso a ser combatido para a imanência do núcleo da subjetividade, tornando a noite metáfora do seu centro.
- Não-Eu fichteano como não simples não-ser-do-Eu, mas como não-Eu, isto é, afirmação de um não-predicado, devendo ser traduzido como não-Eu e não apenas como não-Eu no sentido privativo.
- Transformação do não-Eu em não-Eu como coisa apenas quando se passa à terceira proposição de delimitação mútua, em que o não-Eu se torna algo determinado.
- Sequência fichteana em que Eu = Eu é juízo tético de pura imanência e Tat-Handlung, e a emergência do não-Eu é conversão formal anterior à delimitação, exigindo o Anstoß para produzir o objeto como não-Eu.
- Eu = Eu como pura vida, puro devir e autoposição, coincidência plena entre o posto e o pôr, onde o Eu é apenas o processo de pôr-se.
- Intuição intelectual como fluxo místico inacessível à consciência, pois toda consciência exige algo oposto a si.
- Emergência do não-Eu como conversão formal semelhante à passagem hegeliana de ser a nada, onde Eu e não-Eu são ainda ilimitados e absolutos.
- Passagem do não-Eu ao objeto como não-Eu ocorrendo por meio do Anstoß enquanto obstáculo ex-timo.
- Anstoß não sendo não-Eu que inclui o Eu nem objeto exteriormente oposto ao Eu.
- Anstoß não sendo absolutamente nada nem algo delimitado, mas nada contado como algo, segundo lógica de sutura.
- Anstoß como nada em conteúdo e algo em forma, isto é, nada na forma de algo.
- Operação mínima de distinção entre forma e conteúdo como condição para a necessidade do não-Eu e como fundamento do próprio trânsito entre as primeiras teses.
- A = A como forma pura do gesto de autoidentidade, autoidentidade de uma forma consigo mesma.
- Não-Eu como oposto simétrico enquanto conteúdo informe, instaurando assimetria mínima.
- Necessidade do pôr do não-Eu decorrendo do hiato mínimo entre forma e conteúdo, pois sem essa fenda Eu absoluto e não-Eu absoluto se sobreporiam diretamente.
- Proximidade entre o argumento kantiano de que não pode haver aparência sem algo que apareça e a tese hegeliano-lacaniana de uma aparência enquanto aparência, isto é, aparência em que nada aparece, aproximando-se do Anstoß como nada que aparece como algo.
- Limitação do saber especulativo a objetos de experiência acompanhada pela exigência de ao menos pensar coisas em si, sob pena de concluir absurdamente que há aparência sem algo que aparece.
- Leitura dessa exigência como abertura para o suprassensível como aparência enquanto aparência, onde além do véu está apenas o que o sujeito põe.
- Anstoß como caso paradigmático de aparência sem algo que apareça, positividade mínima de uma falta, análogo ao objet petit a como causa do desejo.
- Peso decisivo da distinção entre pensar e conhecer quando aplicada ao Anstoß, que pode apenas ser pensado e não conhecido como objeto determinado de representação.
- Comparação kantiana da coisa-em-si como ens rationis com raiz quadrada de número negativo, aplicada à compreensão do Anstoß como entidade conceitual necessária mas não objetivável.
- Impossibilidade de conhecer o Anstoß como objeto determinado, preservando-o como limite interno do conhecimento e como condição prática de objetividade.
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