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Yahou, Houyhnhnm e a Prova da Razão

DIÉGUEZ, Manuel de. La caverne. Paris: Gallimard, 1974

  • Rememoração de uma travessia anterior como marco narrativo e como dispositivo de autenticidade memorial
    • A cena de partida é reativada por referência a uma data e a uma hora precisas, de modo a conferir aparência de registro rigoroso
    • A evocação de uma página numerada de maneira hiperbólica estabelece um regime de memória que oscila entre exatidão formal e desmesura, produzindo efeito de desorientação calculada
    • A descrição técnica do deslocamento combina vento, remos, vela e maré, e faz da prudência uma estratégia de sobrevivência em meio à contingência
    • A permanência do mestre e de seus amigos na praia e o chamado do pequeno cavalo de carga fixam um vínculo afetivo, ao mesmo tempo em que reinscrevem o narrador na condição de Yahou advertido e tutelado
  • Declaração de intenção do presente escrito como relato da aplicação dos conselhos do mestre
    • O projeto do livro é apresentado como execução prática de orientações recebidas, deslocando a narração para o plano de um exercício dirigido
    • A demência cósmica da espécie do narrador é tomada como espetáculo determinante, que força a tentativa de esclarecimento
    • O narrador assume a pertença à própria espécie como desonra dolorosa, o que introduz uma postura de autoacusação estrutural
    • A razão é designada como brilho desagradável, isto é, como claridade problemática e ameaçadora, cuja ambiguidade se torna eixo da investigação
  • Formulação de um juízo zoológico sobre a espécie Yahou e sua incapacidade de autocompreensão
    • A hipótese de validar o juízo do mais sábio dos zoologistas houyhnhnms é colocada como possibilidade racionalmente coerente
    • A espécie Yahou é apresentada como a mais estúpida e menos capaz de se compreender, não por falta de operações, mas por organização de um sacrifício colossal de si mesma
    • O sacrifício é qualificado como gigantesco, ridículo e estrondoso, articulando simultaneamente grandeza material, nulidade de sentido e estrondo de efeito
    • A referência aos astros mortos amplia o alcance do diagnóstico, sugerindo uma escala cósmica da autodestruição
  • Lembrança da sedução exercida pela convivência com o Houyhnhnm Jonathan e do desvio produzido por sua benevolência
    • A compaixão do mestre e a acolhida doméstica são descritas como condições que tornam o narrador permeável à persuasão
    • A boa vontade do mestre é acompanhada de perguntas hábeis e sugestões astuciosas, o que instaura um jogo pedagógico que beira a manipulação
    • O tratamento que eleva o narrador acima do demérito de sua espécie cria uma exceção que reconfigura a autopercepção do Yahou
    • A conclusão gradativa é a de que a cegueira do narrador e de seus congêneres teria algo de estranho no universo monótono de causas e efeitos, introduzindo a ideia de anomalia no determinismo
  • Descrição do interesse experimental do mestre pela técnica material do Yahou e pela metamorfose mítica da regularidade em razão
    • A habilidade do Yahou em usar as rotas cegas da matéria é reconhecida como competência instrumental, separada de qualquer elevação espiritual
    • A razão é apresentada como nome mítico dado à regularidade quando esta se deforma em delírio dentro do Yahou
    • O narrador percebe que é objeto de experiência no laboratório mental do mestre, configurando uma assimetria entre observador e observado
    • A cena de escuta às portas expõe uma deliberação coletiva na qual se considera a possibilidade de uma inteligência verdadeira, porém tateante e obscura, que buscaria passagem pela via obtusa do suicídio universal
    • A imagem de um espírito que golpeia eternamente a bigorna das trevas formula a razão como trabalho de chamamento do impossível, onde a noite é solicitada a receber um apelo
  • Apresentação da hipótese audaciosa e da incredulidade dos pares, seguida do convite à autoverificação
    • A hipótese do mestre é definida como audaciosa e isolada, pois encontra apenas espanto e descrença entre os zoologistas
    • A verificação é deslocada para o próprio narrador, considerado a criatura mais indigna da caverna, de modo que a prova se torna autoexperimento degradante
    • O convite à verificação transforma o narrador em instrumento de demonstração, submetendo-o à exigência de produzir evidência contra si mesmo
  • Coerção existencial e exigência paradoxal de cooperação do narrador na demonstração da razão oculta
    • O narrador descreve-se como colocado contra a parede e absolutamente incapaz de cumprir o pedido do mestre
    • O mestre sustenta que a hipótese não pode tomar corpo sem a ajuda do Yahou, o que converte a prova em dependência do objeto investigado
    • A razão é figurada como sombra enterrada na espessura yahouica, e a tarefa do narrador é solicitá-la para que se demonstre sua existência
    • A forma da razão é declarada misteriosa e inapreensível ao entendimento do narrador, o que instala um círculo: para provar, seria preciso já possuir aquilo que se quer provar
  • Analogização náutica do problema da impotência cognitiva
    • A barca com vela pode usar a tempestade para ser conduzida ao porto, estabelecendo uma imagem de instrumentalidade inteligente diante do caos
    • A barca sem vela nem remos permanece imóvel ou deriva ao acaso, traduzindo a ausência de meios internos de condução
    • O narrador identifica-se com a barca desprovida de instrumentos, o que dramatiza a impossibilidade de orientar a própria mente
    • A tristeza profunda decorre do reconhecimento da vaidade do esforço do mestre e do desejo extremo de verificar a hipótese a ponto de dar a vida por isso
  • Emergência de uma primeira elevação: a passagem do desespero à interrogatividade como acontecimento contra a natureza
    • O narrador oscila entre desespero e fervor e interpreta o definhamento do mestre como efeito de sua surdez aos apelos
    • Um gesto de audácia é descrito como elevar-se até uma inter-rogação, apresentada como feito estranho à natureza yahouica
    • A causa imediata do gesto é atribuída ao espetáculo da dor do mestre, que sofre tanto da cegueira do Yahou quanto do sarcasmo dos colegas
    • Os colegas acusam o mestre de afirmar não apenas a existência de uma luz de razão no Yahou, mas a capacidade de o próprio Yahou atiçar secretamente esse fogo
  • Invenção etimológica e semântica de um termo para nomear o ato de voltar a demanda para o interior
    • A questão é qualificada como estranha e memorável, e o termo inter-rogação é apresentado como fabricação verbal
    • O componente rogação define a operação típica dos Yahous como demandar e tomar algo fora de si, isto é, apropriar-se do objeto
    • O componente inter indica a tentativa de apreender algo em si mesmo, deslocando a direção do ato cognitivo
    • A construção do termo assume função performativa: nomear o ato é já tentar instituí-lo como capacidade
  • Formulação da pergunta central sobre a substância e a estrutura do órgão cerebral e sobre a possibilidade de variação classificatória
    • A interrogação é descrita como rude e animal, e justamente por isso é tomada como medida do esforço inusitado do Yahou
    • O problema é se o órgão cerebral é composto de uma única substância universal, que imporia estrutura causativa e determinativa a todo o universo animal do espírito
    • A alternativa é a de que acidentes biológicos possam produzir, em alguns espécimes, classificações houyhnhnmiques em lugar de classificações rudimentares
    • A pergunta insinua uma ruptura do determinismo uniforme pela emergência localizada de uma capacidade classificatória nova
  • Diagnóstico do modo de pensar yahouico como generalizante e espacializante, e como fantasia de potência
    • A incapacidade de pensar o particular é apresentada como traço estrutural: o particular permanece inteiramente estranho
    • A expansão da generalidade é descrita como pensamento que se torna mais fino ao cobrir maior superfície, e que por isso mesmo se sente poderoso
    • A potência é associada ao sonho de extensão e ao sonho de força, isto é, à identificação entre amplitude e domínio
    • O tempo é igualmente convertido em grande espaço para estender poder, o que dissolve a temporalidade em territorialidade
    • A possibilidade de que a espécie seja um sonho do espaço e do tempo condensa a tese de que o Yahou é efeito do próprio regime de abstração
  • Espanto diante do surgimento do particular e reconhecimento da ambivalência narcisista dessa novidade
    • A surpresa é justificada pelo fato de a tentativa ter sido orientar-se para uma inteligência em si mesmo, e não ocupar matéria e tempo até o infinito e a eternidade
    • A emergência do particular aparece como ruptura momentânea do padrão de ubiquidade abstrata
    • Contudo, a novidade é imediatamente apropriada como orgulho, pois a solidão de um pensamento singular é convertida em pedra triunfal
    • A superioridade sentida provém de trocar a imensidão comum ao grupo pela singularidade que isola, o que já antecipa uma consequência social
  • Advertência do mestre sobre a perda de poder entre os congêneres e sobre a solidão dolorosa como cura da vaidade
    • O mestre descreve uma alteração de destino na caverna: a atenção ao real e ao único destruiria o poder do narrador entre os Yahous
    • A passagem da rogation para a interrogação é vinculada a suavização e profundidade, e a diminuição de ubiquidade animal
    • A consequência seria uma solidão tão dolorosa que curaria a vaidade, instaurando um custo existencial da individuação
    • A mente yahouica é caracterizada como rogatória: lança comissões rogatórias na natureza para trazer um butim arrogante, definindo conhecimento como pilhagem
  • Reversão pedagógica: humilhação como tentativa de desencorajamento e, ao mesmo tempo, intensificação do apego do narrador à luz mínima
    • O mestre parece agora empenhar-se em desanimar o narrador por meio de humilhação, precisamente quando surge a primeira luz interior
    • O narrador, porém, agarra-se à clareza ínfima com mais tenacidade do que a um império, deslocando o desejo de domínio para o desejo de lucidez
    • A decisão de não largar a luz é apresentada como cair, sem saber, nas seduções houyhnhnmiques já advertidas, o que conserva a ambiguidade entre libertação e captura
  • Paradoxo afetivo: o abandono como delícia e a dor como doçura sob o aumento do esmagamento racional
    • Quanto mais o mestre apresenta razões irrefutáveis, mais o narrador encontra prazer na nova condição de abandono
    • A dor singular é qualificada como plena de doçura, o que transforma sofrimento em modo de gozo e confirma a sedução do exercício
    • A dinâmica é a de um apego reforçado pela própria adversidade, como se a resistência do mestre alimentasse a obstinação do Yahou
  • Argumento biológico-político do mestre: a exceção cognitiva seria frágil, impotente e fatalmente exterminada
    • O mestre propõe que, se massas cerebrais se distinguissem do modelo animal universal, a raridade e a fragilidade da metamorfose a condenariam à morte
    • Cérebro transfigurado pela interrogação pereceria por complexidade superior, ligando elevação cognitiva a inviabilidade orgânica
    • A superioridade mental é descrita como falta de autoridade política entre Yahous, pois o poder se confunde com o peso das massas mentais
    • As decisões coletivas são atribuídas à opinião como pitonisa selvagem, cujo oráculo é a média estatística do grande mistura, convertendo política em cálculo de massa
    • A sobrevivência dos raros seria possível apenas pela invisibilidade, pois entre Yahous só é visível o que exerce potência sangrenta
  • Reforço do contraste entre regimes sociais: exceção como melhora coletiva entre Houyhnhnms e massa como confirmação fatal da cegueira entre Yahous
    • O narrador percebe como privilégio viver onde a exceção melhora o destino de todos, o que opõe normatividade de qualidade a normatividade de quantidade
    • A vergonha pela espécie aumenta à medida que a regularidade da massa confirma a regra da própria cegueira
    • A obstinação yahouica é apresentada como dança em torno da luz pobre, com esforço de domesticar os sons primitivos da inter-rogação e torná-los mais doces e mais nus
  • Aparição de uma segunda chama: o dúvida como clareza desnudada e como método de busca de precedentes na caverna
    • A passagem do tentar apreender uma centelha em si para ser apreendido por uma clareza marca uma inversão do sujeito: o narrador é tomado pelo ato
    • O termo dúvida é escolhido por sua harmonia sonora e por oposição à rudeza assegurada da interrogalion, o que indica uma sensibilidade formal emergente
    • A dúvida conduz a investigar arquivos tenebrosos para buscar vestígios de mutantes que tenham alcançado ordem de inteligência houyhnhnmique
    • A pesquisa é concebida como busca de traços, pois a performance desses mutantes, se existiu, deveria ter deixado marca
  • Confissão de limites: obstinação em verificar a hipótese e persistência de um entendimento naturalmente yahou
    • Apesar da insistência, reconhece-se internamente que o entendimento permanece yahouico e incapaz de resultados verdadeiros
    • Conhecimento efetivo é associado a objetos que seriam unanimemente metodológicos e racionais na caverna, o que implica que o narrador só consegue operar sob padrões de regularidade de massa
    • O reconhecimento limita o alcance do projeto sem o abandonar, mantendo tensão entre desejo de singularidade e dependência do unânime
  • Introdução de uma narrativa de outra caverna como ampliação do horizonte e como figuração de uma ciência das sombras
    • No momento em que o mestre está prestes a renunciar e confessar a loucura do pari, o narrador suplica um último esforço com humildade verdadeira
    • O mestre então narra a existência de uma caverna famosa em que se elabora, há dois milênios, uma ciência minuciosa de sombras, simulacros e figuras
    • O estudo é descrito como sistemático e voltado a antecedentes e consequentes, estabelecendo um modelo de inteligibilidade causal
    • O narrador desconhecia o antro, mas sente uma percepção interior que o povoa, sugerindo que o relato do mestre produz imagens internas como quase reminiscência
  • Explicação da corporalidade invisível: corpo como figura e aprisionamento na própria imagem
    • A caverna é descrita como girando em torno de seus fantasmas, o que sugere circuito autorreferencial de representações
    • A noção de corporeidade ou corporalidade é usada para indicar que há um corpo de carne que permanece invisível aos habitantes
    • Os prisioneiros se acorrentam à própria imagem, de modo que seu corpo é sua figura, e a carne visível é a imagem mesma
    • A impossibilidade de ver a carne-imagem define uma ontologia em que natureza e representação se confundem
  • Exigência brutal de inteligibilidade por meio da visão de execuções e de assassinatos necessários
    • O narrador cai em desespero e se arrepende de ter interrogado, pois não compreende os termos do mestre
    • O mestre associa a abertura da inteligência à necessidade de ver os assassinatos e as figuras que deles procedem
    • A caverna é apresentada como máquina que produz execuções capitais necessárias, ligando causalidade a extermínio e conhecimento a violência
    • A razão animal do Yahou é descrita como fechamento que só seria rompido pela confrontação com tais mortes
  • Retomada da obstinação: tentativa de progredir na compreensão do assassinato causativo e da corporalidade imagética
    • Após dias de abatimento, o narrador reencontra coragem e reinveste a tenacidade, agora sob pressão direta da lição
    • O objetivo torna-se compreender o assassinato como processo causativo, exterminativo e necessário, indicando tríplice determinação: causa, finalidade destrutiva e inevitabilidade
    • O narrador tenta aproximar-se do fenômeno pelo caminho do que lhe é próprio: a engenharia do universo, isto é, o maquinarismo cosmológico dos Yahous
  • Estratégia inicial de investigação: observar os corpos cerebrais dos sábios e seguir os assassinatos até a vítima
    • A primeira etapa é tentar ver as corporalidades cerebrais dos savants de sua espécie, partindo do pressuposto de que ali se decide a violência necessária
    • A hipótese metodológica é que os assassinos conduzem à vítima, logo onde há assassinatos haverá rastros observáveis de mutantes exterminados
    • A busca passa a ser uma arqueologia do extermínio, como se o desaparecimento fosse o índice de uma exceção cognitiva
  • Experiência de abandono e persistência em meio à secura: a paciência do mestre como enigma e como tormento
    • O mestre mostra-se convencido de que só receberá decepções, e o narrador abandona a expectativa de agradá-lo
    • Ainda assim o mestre continua paciente de modo incansável, e essa paciência é percebida como milagre incompreensível
    • A indiferença do mestre intensifica o abandono do narrador entre nobres Houyhnhnms, produzindo tormento e perseverança na aridez
  • Prescrição metodológica do mestre: renúncia à velocidade rogativa e adoção de círculos lentos como forma de ver o invisível
    • O mestre recomenda abandonar instrumentos dos corredores sábios, ligados a uma ciência infusa da velocidade e a escritos de rogation
    • A orientação é percorrer círculos lentamente para observar de perto os extra-rogatários em seus giros cerebrais velozes, instaurando observação contra a pressa
    • Os círculos atentos e pacíficos seriam capazes de se alargar e formar uma espiral ascensional, isto é, um progresso por repetição transformada
    • O mestre insiste que à luz do narrador conserva a marca da repetição animal, e que a monotonia é o alimento da mente yahouica
    • A proposta é tirar proveito do próprio nada, como cavalos de manège que imprimem no cérebro o giro pela repetição do círculo
    • O resultado esperado é ver corpos invisíveis deslocarem-se no ar e derramarem sangue ao longo de grandes extensões de tempo, articulando visualização e violência em escala temporal
  • Impossibilidade de fuga e submissão ao itinerário imposto
    • O narrador quase abandona o mestre, mas reconhece não ter para onde ir, pois não conhece outro Houyhnhnm e a ilha não oferece refúgio
    • A barca ainda não foi construída, o que reforça o tema da falta de meios de saída
  • Profecia do mestre sobre a posição intermediária do narrador e sua confirmação como estrutura do relato futuro
    • O mestre prediz elevação limitada: acima do Yahou, mas sem alcançar meio caminho entre Yahou e Houyhnhnm
    • O narrador afirma não precisar sublinhar a exatidão, pois o leitor verificará no próprio texto, anunciando que a narrativa seguinte será prova
    • A referência a páginas numeradas de milhões delimita o bloco do que será contado, reforçando o jogo entre precisão formal e desmesura irônica
  • Última confidência do mestre: a inteligibilidade como cera cartesiana e a metamorfose pela ação do fogo
    • O mestre fala de inteligibilidade como algo a ser retomado sob forma de cera de um Chevalier Des-Cartes, Yahou célebre na caverna
    • A cera é apresentada como matéria a ser tomada no estado em que foi deixada, quase recém extraída da colmeia da memória, ainda com doçura e odor de flores
    • A descrição enumera propriedades sensíveis do corpo: cor, figura, grandeza, dureza, frieza, tangibilidade e sonoridade, estabelecendo o critério do corporal distinto
    • A transformação subsequente pela aproximação do fogo dissolve sabor e odor, altera cor e figura, aumenta grandeza e torna líquido, aquecido e silencioso, produzindo uma metamorfose total do mesmo corpo
    • A analogia com a memória do narrador é explicitada: a memória funde como cera, e o esquecimento, por ter sido aproximado do fogo, torna-se memória, configurando uma reversão paradoxal
  • Encerramento em forma de confissão e de programa de busca: queimar e procurar a cera da razão yahouica
    • O narrador declara não conseguir recordar mais as coisas ininteligíveis, afirmando o avanço do esquecimento como sombra
    • Resta, porém, a certeza de que desde então queima, isto é, permanece sob um fogo que impulsiona a busca
    • O objetivo é descobrir a cera de que é feita a razão do Yahou, descrita como inocente, transparente, justiceira e rogatória, o que une pureza moral a mecanismo de apropriação
    • A promessa final é a de oferecer autópsias de cemitérios, onde se tentará observar a cera de memória e de esquecimento dos Yahous, transferindo a investigação para o terreno dos restos e do extermínio
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