demiurgo (PM:262-263)
SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Philosophie de la mythologie. Tradução: Alain Pernet. Grenoble: J. Millon, 1994.
A segunda figura sob a qual aparece o Deus único é o Deus no momento da expansão, da separação (Auseinanderhalten), da tensão das potências, o Deus em seu desdobramento demiúrgico, onde mantém a tensão das potências ao mesmo tempo que (sua) unidade. Este segundo dos deuses inteligíveis é, no sistema egípcio, Ptah (Phthas entre os gregos, mas isso é apenas a desinência grega, como se vê na transcrição grega desse nome na pedra de Roseta). O nome que os gregos geralmente lhe dão, e que Heródoto 1) já lhe atribui, é Hefesto; ele lhe apareceu como Hefesto, de fato, devido à sua qualidade de demiurgo. Hefesto é considerado, em certas representações gregas, como sendo igualmente uma potência demiúrgica. É ele quem mantém o Todo, impondo-se com rigor (opondo-se à separação das potências em conflito). Quanto a Heródoto, foi sobretudo a ícone de Ptah que parece tê-lo levado a aproximá-lo do Hefesto grego. Ele viu essa ícone no templo do deus em Mênfis e a menciona quando conta a história do rei persa Cambises, que desencadeou sua fúria contra os santuários do Egito (a conquista de Cambises foi a primeira a perturbar a felicidade do povo egípcio, então retraído sobre si mesmo há tantos séculos; Cambises, adepto do sabismo persa e do culto às divindades anicônicas, foi inflamado por uma raiva fanática contra os ídolos egípcios). Heródoto nos conta (Heródoto: III, 37) que Cambises, após entrar no templo de Ptah, [263 (397)] explodiu em gargalhadas ao ver sua imagem. Na verdade, ela se assemelha aos Patèques fenícios, ícones dos deuses tutelares que os fenícios costumavam colocar na popa de seus navios, e para aqueles que não a viram, ele acrescenta que era πυγμαίου ἀνδρος μίμησις (Heródoto: III, 37), a imitação de um homem anão. Encontra-se em uma frisa do templo de Idfû, mencionada na Descrição do Egito, bem como por Creuzer nas reproduções que ilustram sua obra, um ícone semelhante de Ptah que Creuzer interpreta manifestamente de forma errada como um Tifão, mas Hirt, com mais razão, como um ícone do demiurgo egípcio: com seu rosto inchado e seu abdômen protuberante, ele pode ter causado, proporcionalmente, em Cambises a impressão de um homem anão, provocando seu riso. Por que (den Grund) o demiurgo egípcio tinha uma forma tão bizarra, pode-se explicar muito simplesmente pelo fato de que o Deus que contém as energias cósmicas, as potências desarticuladas, mantendo-as ainda reunidas, o Deus que as impede de se desarticular completamente, não poderia ser reproduzido de outra forma. O primeiro turgor, vitalis, para usar essa fórmula física, o turgor, a tensão das energias cósmicas que o demiurgo ainda contém em si mesmo, é o que se expressa nessa turgescência do próprio Deus. Assim, essa conformação do Ptah egípcio, atestada por Heródoto e que pode ser vista em esculturas ainda existentes (vorhanden), serve para justificar, por sua vez, a interpretação segundo a qual Ptah é o Deus em desenvolvimento, na tensão das potências demiúrgicas, em suma, o Deus no momento da criação. Tanto quanto à segunda figura.
