schelling:ontologia-comeco-schuback
A ontologia do começo ou a liberdade do fundamento
SCHUBACK, Marcia Sá Cavalcante. O Começo de Deus. A filosofia do devir no pensamento tardio de F.W.J. Schelling. Petrópolis: Editora Vozes, 2021.
- Delimitação do problema do começo como núcleo da ontologia positiva
- A questão do começo não é abordada como problema cronológico, mas como problema ontológico fundamental
- O começo designa aquilo a partir do qual o ser pode vir a ser, sem já estar determinado como ente
- A ontologia do começo implica uma reformulação radical da relação entre ser, devir e fundamento
- Limite interno da filosofia negativa e exigência do horizonte positivo
- A filosofia negativa permanece vinculada à necessidade de prosseguimento e à estrutura do devir lógico
- Seu limite reside na incapacidade de pensar o fato da existência enquanto tal
- O começo, enquanto começo do ser, não pode ser deduzido, apenas acolhido como dado originário
- Essência do devir como problema do começo
- O devir repousa na questão do começo próprio
- O começo não é simplesmente o primeiro momento do tempo, mas aquilo que sempre começa
- O começar implica retração, ocultamento e reserva do fundamento
- O absoluto como começo e não como substância
- O absoluto não é compreendido como algo dado previamente
- Ele é o próprio começar do ser
- O absoluto é começo enquanto liberdade de poder-ser
- Estrutura paradoxal do começo
- O começo não começa a partir de outro
- Ele é começo de si mesmo
- Começar significa começar a começar
- Passado originário e fundamento velado
- O começo implica um passado que nunca foi presente
- Esse passado não é superado, mas permanece como fundamento
- O fundamento sustenta o devir justamente por não se manifestar plenamente
- Retração do fundamento como condição da existência
- O fundamento deve retirar-se para que algo possa existir
- Essa retração não é negação, mas condição positiva
- A existência nasce do recuo do fundamento
- Simultaneidade originária do tempo
- O absoluto não está no tempo
- Ele é simultaneidade de todos os tempos
- O tempo emerge como diferenciação interna dessa simultaneidade
- Eternidade como simultaneidade e não como duração infinita
- Eternidade não significa ausência de tempo
- Significa a simultaneidade de passado, presente e futuro
- O absoluto é eterno porque é simultâneo
- Começo como decisão e não como necessidade
- O começo não é exigido por nenhuma necessidade lógica
- Ele ocorre por liberdade
- A liberdade é a essência do começo
- Filosofia positiva como filosofia da liberdade
- A filosofia positiva pensa o ser a partir da liberdade
- O começo é compreendido como ato livre
- A liberdade antecede toda determinação
- Liberdade de poder-ser e não-ser
- O começo implica a possibilidade de ser e de não-ser
- Essa possibilidade constitui a não-liberdade pertencente à liberdade
- O mundo nasce dessa ambiguidade originária
- O pertencimento como estrutura do começo
- Começar é pertencer ao começo
- O pertencimento não é posse, mas exposição
- O ser pertence ao começo sem dominá-lo
- Saber do começo como experiência do limite
- O começo não pode ser conhecido conceitualmente
- Ele só pode ser experimentado como limite
- O saber do começo é um saber do limite do saber
- Experiência como exteriorização do limite
- Toda experiência é experiência de limite
- O limite não é obstáculo externo, mas condição interna
- A vida é essencialmente vida no limite
- Conhecimento como autoexteriorização do devir
- Conhecer é exteriorizar-se
- O devir se conhece ao sair de si
- O começo se manifesta no movimento de exteriorização
- Interiorização como retorno ao começo
- O saber verdadeiro não se fixa no exterior
- Ele retorna ao interior como reconhecimento do começo
- O interior não é subjetividade psicológica, mas pertencimento ontológico
- Ser como pertencer
- Ser não é simplesmente estar
- Ser é pertencer ao começo
- A ontologia transforma-se em ontologia do pertencimento
- Sistema como sistema de liberdade
- O sistema não é totalidade fechada
- Ele é abertura articulada do começo
- Um sistema verdadeiro preserva a liberdade do começo
- Crítica à concepção moderna de sistema
- O sistema moderno tende à totalização
- Ele elimina a abertura originária
- O sistema da liberdade recusa essa clausura
- Unidade orgânica como modelo ontológico
- O todo não precede as partes
- O todo emerge da relação viva entre as partes
- Cada parte contém o todo enquanto pertencimento
- Relação entre começo e mundo
- O mundo é o acontecer do começo
- O mundo não esgota o começo
- O começo permanece excedente em relação ao mundo
- Privação essencial como condição do devir
- O devir implica uma privação originária
- Essa privação não é defeito, mas força
- A falta é condição de possibilidade do movimento
- Fome de ser como expressão do começo
- O começo manifesta-se como desejo de ser
- Esse desejo nunca se satisfaz plenamente
- A vida é tensão permanente com o começo
- Sistema como preservação do não-ser
- O sistema não elimina o não-ser
- Ele o preserva como condição do ser
- A liberdade consiste em manter aberta essa tensão
- Liberdade de pertencer e autonomia do limite
- Pertencer não é submissão
- É a forma mais alta de autonomia
- O limite não aprisiona, mas possibilita
- Conclusão ontológica do começo
- O começo não é princípio explicativo
- Ele é o próprio acontecer do ser
- Pensar o começo é pensar a liberdade como fundamento
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