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INTERAÇÃO DOS DOIS POLOS: O SER PRÉ-TEMPORAL DE DEUS (BROWN)

BROWN, Robert F. The later philosophy of Schelling: the influence of Boehme on the works of 1809-1815. Lewisburg [Pa] London: Bucknell university press Associated university presses, 1977.

Resumos:


  • O Deus vivo só é encontrado na interação entre necessidade e liberdade, porque a tríade de potências do polo necessário só pode tornar-se ser quando a natureza eterna é subordinada a um princípio mais alto.
    • A natureza eterna, tomada apenas como alternância interminável de potências, não alcança ser estável, e por isso requer subordinação para que a vitalidade necessária se converta em ser.
    • A presença do polo da liberdade provoca na natureza eterna um desejo intenso de libertar-se do ciclo infinito de alternância, sem que a liberdade execute um movimento eficiente, pois permanece como puro querer de si.
    • O efeito produzido pela mera presença do mais alto é descrito como despertar do anseio de liberdade no interior da necessidade, no qual a paixão como impulso se abranda em anseio e o desejo indomado se dissolve numa aspiração a aliar-se com a vontade que nada quer.
    • A direção introduzida pela liberdade não elimina a energia turbulenta da necessidade, mas orienta essa turbulência para uma forma de ordenação em que a natureza necessária se torna substrato de expressão da liberdade.
  • A natureza necessária torna-se substrato da expressão da liberdade ao desdobrar-se numa separação distinta de potências, e essa separação configura uma hierarquia na qual o semelhante atrai o semelhante e repele o dessemelhante.
    • A separação substitui a lógica de substituição recíproca por uma diferenciação na qual as potências podem ocupar posições relativas e duráveis.
    • A hierarquia resultante define relações ordenadas entre as potências, de modo que a organização interna da necessidade deixa de ser pura competição circular.
    • A terceira potência constitui o vínculo entre necessidade e liberdade, e a segunda desempenha mediação entre a terceira e a primeira, estabelecendo um encadeamento interno na estrutura separada.
    • O polo da liberdade não opera como causa eficiente da separação, mas funciona como presença que evoca a separação como resposta da necessidade e, ao mesmo tempo, oferece o critério pelo qual a hierarquia se determina.
  • A separação das potências possui três aspectos articulados, porque não basta um despertar de anseio, mas é necessária confirmação voluntária e estabilização por determinação eterna da natureza eterna.
    • O anseio produz apenas um começo e um primeiro esforço interior em direção à separação, sem que isso equivalha ainda à efetivação do novo regime.
    • A separação é confirmada quando a relação ao mais alto realmente surge a partir desse começo interior, de modo que o movimento inicial se converte em vínculo efetivo.
    • A separação torna-se duradoura quando a natureza eterna, libertada pela separação confirmada, torna-se capaz de decidir e, por um querer ou determinação eternos, alia-se eternamente e inseparavelmente ao mais alto como seu sujeito imediato.
    • A permanência do vínculo transforma a natureza eterna em ser permanente e em substrato duradouro para o mais alto, de modo que a subordinação não é apenas um evento, mas uma estrutura estabilizada.
  • O resultado da separação é a transformação da relação entre as potências, que deixa de ser unidade alternante por substituição mútua e torna-se expressão simultânea, isto é, totalidade coexistente.
    • A concorrência autodestrutiva da necessidade cega é anulada, e em seu lugar se estabelece uma coexistência coordenada entre as potências.
    • O ato de anulação da competição recorre eternamente, o que implica que a separação e sua estabilidade pertencem à estrutura eterna do ser divino e não a um episódio temporal.
  • Na separação consumada, a terceira potência constitui o substrato imediato para a deidade pura, enquanto a segunda e a primeira formam o aspecto externo de Deus, situado entre Deus e as criaturas como fundamento eterno de tudo o que está fora de Deus.
    • O fundamento separado que se interpõe entre Deus e as criaturas garante que as criaturas tenham liberdade em relação a Deus, pois sem essa separação não haveria um espaço ontológico para a liberdade criada.
    • A função da primeira e da segunda potências na hierarquia repete a função do fundamento que não é o próprio Deus, assegurando liberdade criada por meio de uma base distinta do polo da liberdade.
  • A primeira ou mais baixa potência na separação é a potência de contração, destinada a formar o possível substrato da natureza visível, e a força centrípeta é apresentada como poder originário e primário de tudo o que é corpóreo.
    • O poder de atração dá forma ao corpóreo, limita-o em posição e corporifica algo que, em si, seria espiritual e intangível.
    • Essa força centrípeta é o fundamento e o começo da natureza, e o desenvolvimento só ocorre quando ela é complementada e contraposta pela potência expansiva da segunda.
    • Na natureza efetiva, ambas as potências estão presentes, mas a contração é dominante, e por isso ela é o ponto verdadeiro de começo em qualquer relação sequencial entre as potências.
  • A potência de contração não é Deus, mas apenas um aspecto da natureza necessária de Deus, e por isso o que é logicamente primeiro no processo de vida divino não é o princípio mais alto, o que marca o afastamento decisivo em relação às doutrinas de emanação.
    • As doutrinas de emanação tendem a conceber um limite inferior como grau mínimo de realidade, quase uma sombra, que mal pode ser dito ser.
    • O não-ser entre os neoplatônicos é interpretado como esse limite inferior, associado a uma leitura que já não compreende o sentido verdadeiro de Platão.
    • O percurso aqui afirmado segue a direção oposta, porque reconhece um limite abaixo do qual nada há, mas esse limite não é o último e sim o primeiro, um começo eterno a partir do qual tudo começa.
    • Esse primeiro não é mera deficiência ou carência de realidade, mas negação ativa, e por isso o começo não é passividade, mas potência efetiva de negar.
  • A primeira potência não é exclusivamente contração, pois contém em si a antítese da potência expansiva, e a contração é precisamente o refreamento da expansão, comprimindo o afirmativo em si e intensificando o esforço do outro poder para romper.
    • A compressão do afirmativo pelo poder contrativo aumenta a pressão interna da tendência expansiva, de modo que a unidade da primeira potência é atravessada por contradição interna.
    • Essa contradição interna não pode ser liberada por si mesma, de modo que a primeira potência permanece presa a um conflito de que não dispõe, por si, de saída estável.
  • A saída da contradição consiste em transformar a antítese ou exclusão mútua em coexistência, numa relação orgânica, mas isso só ocorre na primeira potência quando ela assume sua posição própria como subordinada à segunda potência.
    • O reconhecimento da segunda potência como superior permite que a primeira passe de negação autoderrotante a sequência de conteúdos, pois a negação deixa de querer ser tudo e passa a operar dentro de um regime ordenado.
    • A primeira potência torna-se multiplicidade real de momentos, ainda sob hegemonia da tendência de contração, mas já como um múltiplo organizado e não como um impulso único e indiferenciado.
    • A hierarquia obtida pela separação produz subordinação entre as potências, e essa subordinação permite que cada potência se diferencie e se torne um múltiplo genuíno, em vez de permanecer uma única tendência.
    • A subordinação conduz a uma relação orgânica, isto é, a uma totalidade estável de elementos, e um esquema análogo vale para a segunda potência na hierarquia separada.
  • A segunda potência na separação é a potência de expansão, destinada a formar o possível substrato do mundo do espírito, e ela revela a essência afirmativa enquanto refreia o poder negativo.
    • A segunda potência contém em si a antítese fundamental porque o poder negativo procura escapar da repressão, de modo que o conflito está inscrito também na expansão.
    • A segunda potência não pode escapar desse conflito sem ser libertada por um poder mais alto, o que exige que ela se subordine à terceira potência, situada acima dela.
    • Pela relação à potência superior, a segunda potência pode diferenciar-se em múltiplo e exercer influência sobre a natureza inferior, de modo que a ordem hierárquica conecta os níveis e torna possível atuação descendente.
    • A terceira potência anima a totalidade das potências e torna possível que a totalidade seja um todo orgânico, porque fornece o princípio de unidade operante no conjunto hierarquizado.
  • A terceira potência é o poder que une as duas primeiras, sua identidade e o vínculo destinado a constituir o elo entre Deus e o mundo, mas ela só pode estabilizar o conjunto ao subordinar-se diretamente ao princípio mais alto, a liberdade em Deus.
    • Na necessidade em Deus, a terceira potência permanece em conflito e alternância com as outras, e por isso não possui, por si só, a estabilidade interna requerida para ser unidade duradoura.
    • Ao subordinar-se à liberdade, a terceira potência adquire estabilidade interna e pode exercer a função de unidade persistente que lhe corresponde.
    • A terceira potência é, assim, simultaneamente parte da necessidade e conexão entre necessidade e liberdade, pois pertence à natureza eterna e, ao mesmo tempo, opera como ponto de junção com o polo livre.
    • No mundo criado, a potência da terceira potência operará como alma do mundo, entendida como alma universal que anima o universo e, por sua relação imediata com a deidade, está de posse de si e constitui vínculo entre natureza e mundo do espírito e entre mundo e Deus.
    • A alma universal é descrita como instrumento imediato pelo qual Deus trabalha na natureza e no mundo do espírito, de modo que a ação divina no criado se realiza por mediação dessa potência unificante.
  • A alternância no polo necessário apresenta um arquétipo do tempo por meio de um antes e depois relativos e eternos, e a separação que torna as potências coexistentes apresenta um arquétipo do espaço por meio de uma relação de acima e abaixo.
    • A passagem de antes e depois para acima e abaixo indica uma mudança de tipo de relação ontológica, de sequência alternante para hierarquia simultânea.
    • As relações ontológicas no ser eterno de Deus fornecem os fundamentos de espaço e tempo, embora Deus não seja espacial nem temporal, pois os fundamentos são estruturais e não condições de localização ou sucessão temporal de Deus.
  • A deidade pura, o polo da liberdade, é subjetiva em relação à vida da natureza eterna, enquanto a natureza eterna é o polo necessário como conjunto de potências separadas, transmutadas e coexistentes, e os dois polos juntos constituem o Deus vivo como autorrealização e autoconstituição divina.
    • A deidade pura é livre em relação à natureza eterna e, contudo, inseparável dela, o que preserva simultaneamente transcendência e vínculo.
    • O polo da liberdade é Deus no sentido mais alto, como absolutamente transcendente, e a natureza eterna subordinada é o ser divino realizado, no qual a vida divina se possui como ser próprio.
    • Deus não se torna ser por uma transição temporal do caos à realização, porque a subordinação da necessidade à liberdade e a separação das potências ocorrem eternamente.
    • A tríade em alternância incessante é designada como passado eterno de Deus, uma condição logicamente anterior ao ser divino realizado, mas que nunca subsiste separadamente dele.
  • O passado primordial é posto como passado pela deidade, e esse passado é passado eterno, que não primeiro se tornou passado, mas é passado primordialmente e desde toda a eternidade.
    • Deus nunca vem a ser, pois é desde a eternidade, e disso se segue que a separação também aconteceu desde a eternidade.
    • O necessário está submetido à liberdade desde a eternidade, e o estado primordial de contradição, fogo selvagem e vida de paixão e desejo é posto como passado pela essência sobrenatural da liberdade.
    • Como a deidade, sendo desde a eternidade, não pode começar a ser, o estado primordial é posto como passado eterno, isto é, uma estrutura de anterioridade lógica que não resulta de um virar-se temporal.
  • A crítica às doutrinas de emanação é retomada ao declarar-se ininteligível como uma deidade que é pura quietude eterna poderia mover-se para fora e tornar-se ser revelado e vivo, e por isso a revelação não pode abolir o ocultamento nem eliminar a transcendência do polo livre.
    • Deus não pode revelar-se de modo que deixe de estar oculto, isto é, não pode tornar-se meramente idêntico à própria revelação.
    • Em Deus não há mudança e viragem, de modo que a liberdade não pode converter-se em outra coisa que não ela mesma.
    • A liberdade só pode revelar-se, ou tornar-se, em relação a algo outro que seja ser para ela, e esse outro deve estar como não-ser relativo diante da liberdade.
    • A deidade pura não deriva esse outro de si, pois o outro está simplesmente aí como tríade de potências ao lado da liberdade.
    • A dualidade do divino consiste em que a liberdade, pela sua presença, evoca da necessidade a separação de potências que constitui o ser de Deus.
  • A liberdade é descrita como causa primordial essencial e imóvel do outro, não como causa eficiente, de modo que por sua pureza ela põe imediatamente, sem movimento, o outro que é ser para ela.
    • A deidade é vontade em repouso e, se essa vontade é, então o outro deve ser necessariamente e imediatamente.
    • A causalidade atribuída não é produção por ação transitiva, mas fundamento essencial silencioso pelo qual a presença do puro determina a presença do subordinado.
    • A fórmula conceitual estabelece que, se a deidade pura é A e o outro é B, o conceito completo da divindade viva que é não é apenas A, mas A mais B.
  • O conhecimento de Deus não ocorre fora da relação com uma natureza eterna subordinada a ele, porque essa síntese é o primeiro e mais antigo modo de pensamento, e não se conhece outro Deus senão o Deus vivo.
    • A conexão entre a vida espiritual mais alta e uma vida natural é apresentada como segredo originário da individualidade divina e como milagre de vida indissolúvel.
    • A vida divina não é mera espiritualidade abstrata, mas síntese em que o polo livre e o polo necessário, ordenado, compõem um único Deus vivo.
  • A doutrina não submete Deus ao tempo nem opõe tempo ao ser eterno, porque a eternidade verdadeira contém o tempo submetido a si como tempo eterno, e a vida eterna de Deus consiste em relações ontológicas que formam arquétipo do tempo.
    • Em Deus, os elementos que fundam o tempo não se sucedem de modo a se estranharem, enquanto o tempo atual implica separação, de modo que a eternidade divina é superação do tempo.
    • A eternidade de Deus é processo de vida e, portanto, envolve oposição e sua conquista, em analogia estrutural com outros processos vitais, mas com características próprias.
    • A primeira característica própria é a indissolubilidade das relações ontológicas em Deus, pois elas não podem ser dissolvidas como nas criaturas, e por isso Deus não pode recair sob o domínio do não-ser, mantendo estabilidade eterna.
    • A segunda característica própria é que, na eternidade divina, a sucessão de momentos é real e, contudo, não temporal, e a ordem de precedência é real enquanto os momentos coexistem num todo único.
  • Ao realizar seu próprio ser, Deus torna-se autoconsciente, e toda consciência implica dualidade de sujeito e objeto, correspondendo em Deus respectivamente à liberdade e ao ser realizado.
    • Deus não é consciência eterna entendida como puro saber ou puro conhecer, pois isso seria abstração, e o divino é ser vivo.
    • A autoconsciência divina é ser consciente ou tornar-se consciente como processo vivo, e essa consciência é construída sobre uma inconsciência que ela conquista.
    • O consciente exclui aquilo de que é consciente como não sendo ele mesmo, e ao mesmo tempo deve atraí-lo novamente como aquilo de que é consciente, como ele mesmo sob outra forma.
    • Toda consciência tem o inconsciente como fundamento, e no tornar-se consciente esse inconsciente é posto como passado por aquilo que se torna consciente de si.
    • É concebível que o inconsciente e o consciente em Deus sejam compreendidos no mesmo ato indivisível de tornar-se consciente, no qual o consciente é eternamente presente e o inconsciente possui caráter de passado eterno.
  • Aquele que posteriormente deve revelar-se deve primeiro possuir-se, tendo um ser próprio e sendo consciente de si em e por meio desse ser, de modo que a consciência viva é dualidade em que a oposição é encontrada e superada como alegria eterna de encontrar e ser encontrado.
    • A posse de si antecede estruturalmente a revelação, porque a revelação supõe um ser que se mantém e se reconhece.
    • A vida consciente é descrita como superação da oposição, não como eliminação da diferença, e essa superação é alegria eterna, isto é, estabilidade dinâmica de um processo de encontro.
  • A liberdade relaciona-se com a natureza eterna de três modos, ao pô-la como passado eterno, ver-se nela como presente eterno e antever um ato futuro de vontade cuja estrutura encontra esboço na própria natureza eterna.
    • A tríplice relação articula passado, presente e futuro como formas internas de posicionamento da natureza eterna diante da liberdade.
    • A fórmula de autoexpressão afirma a identidade daquele que foi, é e será, articulando temporalidades como dimensões estruturais contidas e submetidas.
    • A liberdade não se relaciona com a natureza eterna como alma com corpo, porque a natureza eterna é totalidade de corpo, espírito e alma, isto é, das três potências, e a natureza humana é um todo comparável.
    • Assim como o humano requer impacto do espírito divino para reconciliar sua desarmonia, as potências da natureza eterna são reconciliadas entre si pela influência da liberdade.
  • A subordinação iniciada pela liberdade eterna é mantida permanentemente pela submissão voluntária da natureza eterna, e essa submissão poderia, em tese, ser suspensa, com recaída no ciclo do desejo.
    • A manutenção do vínculo não é coação unilateral, mas perseverança de um querer da própria natureza eterna, que confirma o regime de separação.
    • A possibilidade teórica de suspensão garante que a submissão é voluntária e, portanto, que a estrutura do divino inclui um elemento de liberdade no polo necessário.
  • A natureza eterna, ao abraçar voluntariamente seu ser, possui fundamento próprio de automovimento e liberdade, e a liberdade eterna não pode cancelar essa independência sem cancelar a própria vida.
    • A vida de Deus não é constituída por mera repressão, mas por reconciliação livre e contínua, caracterizada como alegria eterna.
    • A preservação de independência no polo necessário é condição de uma vida que é síntese viva e não imobilidade por absorção.
  • Tudo depende de compreender uma unidade em Deus que é ao mesmo tempo dualidade, ou uma dualidade que é ao mesmo tempo unidade, porque nem a identidade pura nem a exterioridade pura correspondem ao conceito apresentado.
    • Se Deus fosse idêntico à sua natureza eterna ou ligado a ela de modo tal que não houvesse distinção, haveria apenas unidade e a vida se reduziria a uma simplicidade sem dualidade.
    • Se Deus e sua natureza eterna fossem completamente externos e separados, haveria apenas dualidade e a unidade viva se perderia.
    • O conceito requerido é o de uma unidade voluntária que, por ser voluntária, inclui dualidade, e essa forma de unidade é descrita como estranha ao modo de pensar da época.
  • A tríade originária na vida cega da necessidade não é mal, e o mal só é possibilidade porque a subordinação da natureza eterna é fato e a oportunidade de anulá-la é genuína, embora em Deus não haja mal porque a subordinação é mantida eternamente.
    • A ausência de mal em Deus decorre do domínio bem-sucedido sobre aquilo que poderia manifestar-se como mal no mundo.
    • A hipótese de mundo implica que, pelo exercício da liberdade, as potências pacificadas em Deus poderiam romper e tornar-se mal efetivo, o que define o mal como possibilidade vinculada à liberdade e à reversibilidade do vínculo.
  • Em lugar da esterilidade da filosofia moderna desde Descartes, é aconselhado retorno a escritos sagrados antigos e doutrinas veneráveis para compreender os começos primordiais de todas as coisas, escolhendo-se o Antigo Testamento como via interpretativa.
    • Propõe-se que os dois principais nomes divinos ali empregados ensinam a verdade da unidade e da dualidade divinas.
    • O nome Jeová identifica o espírito puro da liberdade, enquanto Elohim nomeia a unidade de potências na substância divina.
    • A concepção de dualidade além da trindade de pessoas na unidade da essência divina, bem como a doutrina de um presente eterno e de um passado eterno, são ditas estar tecidas nas fibras mais íntimas da linguagem do Antigo Testamento.
  • Com o quadro de Deus apresentado como completo até este ponto, o próximo passo é voltar-se ao fundamento imediato da criação, isto é, ao correspondente da doutrina tradicional das ideias no intelecto divino.
    • A transição anunciada indica que a criação requer uma mediação conceitual específica, distinta da exposição da constituição pré-temporal.
    • O fundamento imediato da criação é preparado como tema subsequente, mantendo a continuidade do encadeamento estabelecido pela articulação entre liberdade e necessidade.
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