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Heidegger

SAFRANSKI, Rüdiger. Ein Meister aus Deutschland: Heidegger und seine Zeit. München: Carl Hanser Verlag, 1994.

1. A longa história da vida e da filosofia de Heidegger abriga as paixões e as catástrofes de todo o século.

2. Filosoficamente vindo de longe, Heidegger tratou Heráclito, Platão e Kant como contemporâneos, aproximando-se deles a ponto de ouvir e traduzir em linguagem o que neles permanecera não dito, de modo que nele ainda está presente toda a maravilhosa metafísica, mas no instante de seu emudecimento ou de sua abertura para outra coisa.

3. A paixão de Heidegger consistia em perguntar e não em responder, e durante toda a sua vida filosófica ele formulou uma única pergunta, a pergunta pelo ser, cujo sentido é devolver à vida o mistério que a época moderna ameaça fazer desaparecer.

4. Iniciando como filósofo católico, Heidegger aceitou o desafio da modernidade e desenvolveu a filosofia de um ser-aí lançado sob um céu vazio e sob o poder devorador do tempo, mas capaz de projetar a própria vida, uma filosofia que interpela o indivíduo em sua liberdade e responsabilidade e leva a sério a morte, embora sua pergunta pelo ser, concebida para levantar âncoras rumo ao mar aberto, tenha muitas vezes perdido na posteridade esse traço libertador e passado a intimidar o pensamento, inibição que é preciso superar para poder responder ao riso da criada trácia diante de certas sagacidades infelizes desse gênio filosófico.

5. As andanças políticas de Heidegger, que por razões filosóficas o tornaram transitoriamente revolucionário nacional-socialista, ainda provocam espasmos, mas sua própria filosofia ajudou-o a libertar-se das maquinações políticas e fez de seu erro uma lição, levando seu pensamento a girar em torno da sedução do espírito pela vontade de poder, num percurso que vai da resolução, passando pela metafísica do grande instante histórico, até o abandono místico e um pensamento do contato protetor com o mundo.

6. Martin Heidegger foi um mestre da Alemanha.

7. Heidegger foi verdadeiramente um mestre da escola do místico Mestre Eckhart, pois manteve aberto como nenhum outro o horizonte para uma experiência religiosa numa época não religiosa e encontrou um pensamento próximo das coisas que, ao mesmo tempo, preserva da queda na banalidade.

8. Tão alemão quanto o Adrian Leverkühn de Thomas Mann, Heidegger viveu uma nova história de Fausto, na qual se revelam o caráter atraente, fascinante e abissal de um caminho filosófico especificamente alemão que se tornaria acontecimento europeu, e, por suas andanças políticas, ele também guardava algo daquele mestre da Alemanha evocado na poesia de Paul Celan.

9. O nome de Martin Heidegger evoca o capítulo mais excitante da história do espírito alemão neste século, que merece ser narrado no que tem de bom e de mau, e para além do bem e do mal.

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