Real
ROSSET, Clément. Le réel: traité de l'idiotie. Paris: Éditions de Minuit, 1977.
As linhas a seguir propõem algumas incursões no campo do real, com o qual nos referimos, em primeiro lugar, à existência como fato singular, sem reflexo nem duplo: uma idiotia, portanto, no sentido primário do termo.
Uma ideia, entre outras, nos motivou: que o pensamento de tal “idiotia” ainda está, talvez para sempre, por vir; isso apesar de certas aparências de uma filosofia moderna que, em geral — por meio, por exemplo, das figuras do ilusionista e do incurável —, permanece sempre bem decidida a manter, custe o que custar, significados imaginários.
Em *A Ilha da Razão*, de Marivaux, todos acabam abandonando suas ilusões e se rendendo à evidência; todos, exceto um: o filósofo. Pode-se, sem dúvida, afirmar que o fato de dar razão ao real constitui o problema específico da filosofia: no sentido de que é sua tarefa, mas também de que ela, enquanto tal, nunca é totalmente capaz de enfrentá-lo. Provavelmente porque tal reconhecimento pressupõe uma virtude que o gênio filosófico, por si só, não pode produzir nem substituir.
- ADVERTÊNCIA
- DE UM REAL AINDA POR VIR
- 1. Sob o vulcão
- 2. A confusão dos caminhos
- 3. Monotonias
- 4. Das significações imaginárias
- 5. Idiotia do real
- 6. O ilusionista
- 7. O incurável
- 8. Epílogo
- APROXIMAÇÕES DO REAL
- I. - A ESCRITA GRANDILOQUENTE
- II. - ESCRITA E REALIDADE
- III. - O REAL E SUA REPRESENTAÇÃO
- 1. O caso geral: a representação tardia
- 2. Dois casos particulares: a representação antecipada e a representação pânica
- POST-SCRIPTUM AO “REAL E SEU DUPLO”
- 1. Nota breve sobre a tolice
- 2. O fetiche roubado ou o original inencontrável
