rosset:1977:1.5
1.5 Idiotice do real
ROSSET, Clément. Le réel: traité de l'idiotie. Paris: Éditions de Minuit, 1977.
- Retoma-se o Cônsul de Malcolm Lowry, suando álcool por todos os poros no restaurante do salão Ofélia, jantando com a mulher, Yvonne, e com Hugh, seu meio-irmão, que discutem animadamente os problemas da hora, notadamente a guerra da Espanha e a oportunidade ou não de uma ajuda internacional; o Cônsul não os escuta, ou só os ouve como rumor distante, separado de sua realidade pelo intervalo modesto de uma mesinha de restaurante.
- Ele se pergunta o que faz ali, por que está “sempre, mais ou menos, aqui”: sentado, todo vestido, sem mexer um músculo, gostaria de um espelho para colocar-se a pergunta, mas não há espelho, só pedra; talvez também não haja tempo nessa retiro de pedra, talvez fosse essa a eternidade de que tanto fizera caso, a eternidade já, da variedade Svidrigailov, só que em vez de uma casa de banhos cheia de aranhas no campo, era uma cela monástica de pedra onde se sentava, coisa estranha, ele mesmo.
- Os bêbados têm fama de ver dobrado: o homem tem dois olhos e, portanto, duas imagens do real que normalmente se sobrepõem, e na embriaguez a sobreposição falha, daí duas garrafas dançarem diante do bêbado em vez de uma; essa duplicação é porém fenômeno puramente somático e não engaja em profundidade a percepção bêbada do real.
- O bêbado percebe simples, e é antes o sóbrio que habitualmente percebe dobrado: o bêbado está pasmo com uma coisa singular e única que mostra com o indicador tomando os presentes por testemunhas (“olhem, há uma flor, é uma flor, já disse que é uma flor”), coisa apreendida como singularidade estupefaciente, emergência insólita no campo da existência.
- Nisso a embriaguez pode ser invocada como via de acesso possível à experiência ontológica, ao sentimento do ser, pois o bêbado vê que há a rosa e que ela é sem porquê, como dizia Heidegger citando Angelus Silesius: a rosa é sem porquê, floresce porque floresce, não cuida de si, não deseja ser vista.
- O que o bêbado percebe é a coisa em sua singularidade, unicidade que a faz aparecer como prodígio (daí vociferar e atrair a atenção dos passantes) e como fenômeno incognoscível: a coisa é tão única, bastando-se e encerrando-se em si, que lhe falta qualquer outra coisa a partir da qual interpretá-la, é isso e nada mais, ali e nada mais.
- No limite é impossível de ver (“não deseja ser vista”), e é o que o bêbado “vê”: que seu olhar permanecerá, como toda coisa do mundo, estranho ao que vê, sem contato com ele; um poeta grego escreveu, em tradução: insensato fui ao crer que meus olhos captariam teu corpo, ó Virgem, pois meu olho nada é e teu corpo é tudo.
- Não é só a Virgem, mas toda coisa é virgem enquanto singular, escapando, por resumir-se a ser isso e nada mais, aos olhos do corpo e à interpretação do espírito; uma palavra exprime esse duplo caráter, solitário e incognoscível: idiotia, pois idiótes (idiôtès) significa simples, particular, único, e depois, por extensão semântica de grande alcance filosófico, pessoa desprovida de inteligência, ser sem razão.
- Toda coisa e toda pessoa são idiotas ao existir só em si mesmas, incapazes de aparecer de outro modo que onde estão e como são, incapazes, em primeiro lugar, de refletir-se no duplo do espelho; é sina de toda realidade não poder duplicar-se sem tornar-se outra, pois a imagem do espelho não é sobreponível à realidade que sugere.
- É o caso do universo, que Ernst Mach descreveu numa fórmula estranha e profunda como “um ser unilateral cujo complemento em espelho não existe ou, ao menos, não nos é conhecido”: nenhum espelho capta o reflexo do universo, nenhum olho capta o corpo da Virgem, o universo é sem alhures, o corpo da Virgem é tudo aos olhos de quem o contempla; o mundo e todos os corpos que contém carecem para sempre de seu complemento em espelho e são para sempre idiotas.
- Essa idiotia do real confronta o Cônsul no salão Ofélia, enquanto lhe zumbem nos ouvidos as falas de Yvonne e Hugh: idiotia de estar ali, de estar sempre necessariamente aqui, pois não é uma flor nem uma virgem cuja existência “idiota” ele entrevê, mas ele mesmo, apreendendo-se como idiota inapreensível.
- Para apreender-se, saber quem é e por que está ali, seria preciso um espelho, mas o mundo só lhe oferece pedra, que reaparece com insistência ao longo da passagem; a oposição entre espelho e pedra é achado que resume em duas palavras a diferença entre o modo habitual de perceber as coisas e o do bêbado.
- Há duas grandes possibilidades de contato com o real: o contato rugoso, que tropeça nas coisas e delas só tira o sentimento de sua presença silenciosa, e o contato liso, polido, em espelho, que substitui a presença das coisas por sua aparição em imagens; o contato rugoso é sem duplo, o liso só existe com o reforço do duplo.
- O contato bêbado pertence à primeira categoria: percepção rugosa, incapaz de ver dobrado (apesar do desdobramento ocasional das imagens, mero efeito de superfície), visão pétrea, com a dureza, a frieza e a precisão do seixo, tudo duro e resistente por não poder ser distanciado pelo olhar, e eminentemente a própria pessoa, a única coisa do mundo impossível de olhar, só se deixando tocar por tal visão pétrea.
- A coisa é para sempre tal como em si mesma, sem que dela transpire sinal ou significação, e não há aqui “valor agregado”; essa rugosidade da pedra o Cônsul opõe à visão em espelho de seus comensais, que lhe falam de coisas que são apenas imagens, às quais se pode emprestar certo sentido e a ilusão efêmera de um interesse.
- “Vocês dois fedem de alma” (both your souls stink), diz-lhes o Cônsul num momento: feder é transpirar, exalar, transbordar; as imagens transpiram e exalam significações, conotações psicológicas, incitações à ação que vão do engajamento à devassidão, ao passo que as coisas nada cheiram, um dos privilégios de sua idiotia.
- A percepção bêbada pode razoavelmente ser descrita como via de acesso ao real, não a única nem provavelmente a mais recomendável, e para não se suspeitar que se liga secretamente a clara percepção das coisas à prática da embriaguez, mencionam-se outras.
- Uma é a do homem mergulhado em súbito e violento desarranjo amoroso: após abandono do outro ou fuga própria, encontra-se num mundo tornado frio e desconhecido, incapaz de receber a menor mensagem dele, como se sofresse a operação ubuesca do “descerebramento” (décervelage); o corpo continua a viver no mundo como a rã descerebrada pelo professor de ciências naturais que ainda saltita algum tempo sobre a mesa, e o cérebro funciona a vazio, oco, ausente de um mundo de que nada mais o impressiona.
- Valery Larbaud, que se inspirou desse estado para escrever Tan callando, descreve-o como down in the world, caído para fora do mundo como de um trem ou navio em marcha: não é bem solidão, mas uma espécie de advento do nada, consecutivo a um vasto golpe de esponja que varreu toda a representação que se fazia do real; não se está só no mundo, não há mais mundo.
- O real, isto é, o uso que dele se fazia, deixou de ter curso e caiu em desuso; será preciso recomeçar do zero, reaprender pouco a pouco o que se sabia e se esqueceu de repente, recuperar peça a peça os retalhos do real até poder, mais tarde, reconstituir-lhe o tecido, começando pelas coisas simples e elementares: reaprender, de manhã, o despertar (existo, existe um mundo em volta de mim), o banheiro (existem pias, existe água), a cozinha (existe café, existe açúcar); é pequeno nariz a nariz matinal com o real, que talvez nunca se tivesse encontrado tão de perto se a aventura amorosa não se houvesse interrompido bruscamente.
- Outra via é a obra de arte, enquanto mais reveladora das coisas deste mundo que ocasião de evadir-se; opõem-se duas grandes concepções da arte: a romântica, para a qual o acesso às coisas é fácil mas fastidioso e a arte está aí para trazer “outra coisa”, como diz Baudelaire, esperando dela que o leve para anywhere out of the world, e a clássica, para a qual o acesso às coisas é difícil mas precioso, pois o caminho das coisas próximas é, para nós homens, o mais longo de todos os tempos e por isso o mais difícil, e a arte está aí para ajudar.
- Heidegger diz que a realidade mais próxima da obra de arte é o substrato coisal, mas para apreender esse elemento coisal os conceitos tradicionais de coisa são insuficientes, pois eles mesmos passam ao largo da coisidade (choséité).
- Quarta via possível é a filosófica, que resume, acrescentando-lhe sua marca específica, as três anteriores: o estado filosófico, segundo o próprio Platão, supõe um estado perpetuamente ébrio, apaixonado e artista.
- Fora desses casos privilegiados de contato vivaz e rugoso com o real, a percepção costumeira só se oferece o espetáculo do real com o reforço do jogo de todos os seus reflexos possíveis, com a cumplicidade do Duplo, que permite ao mesmo tempo distanciamento e acréscimo de sentido.
- A percepção ordinária do real só vale enquanto põe implicitamente em xeque o princípio de identidade segundo o qual A = A, verdade anódina, evidente demais para nela se deter, banal demais para dela se inquietar: é o perigo das verdades admitidas de saída deixarem-se facilmente desconhecer, o transgressor não percebendo que pode transgredi-las, por causa da própria fé no princípio que o põe, julga, a salvo de toda traição nos fatos, razão pela qual, segundo Maquiavel, quem teve longa e laboriosa aliança de obter é mais confiável que quem se aliou logo ao Príncipe.
- Na percepção costumeira, A não é só igual a A, é também, e sobretudo, igual a todos os seus duplos, pois ela precisa deles, de repousar na imagem desses reflexos, sempre que o contato direto com a coisa se revela indesejável; distingue-se sumariamente uma tripla função do Duplo.
- Primeira, função prática, de afastamento: a imagem serve para recusar o real, afastá-lo, e é operatória nas situações de urgência, quando se enfrenta uma realidade que deve, sob pena de crise grave, ser imediatamente evacuada ou deslocada; a brutalidade do evento é amortecida pelo espetáculo de sua interpretação: há A, mas esse A não significa só A, significa mil outras coisas.
- A história de Édipo, em Sófocles, ilustra esse mecanismo de relegação da coisa em seu reflexo: Édipo matou o pai e casou com a mãe, é parricida e incestuoso, é o que A diz, mas Édipo acrescenta que o que se lê em A é caricatura do que lhe aconteceu, significando, como se verá, não que a imagem deforme o real, mas que o real é caricatura de sua imagem, retorno de sentido que é a habitual denegação do real operada pela mediação do duplo.
- Ao saber que um oráculo predissera que mataria o pai e casaria com a mãe, tomou todas as providências para evitar que se cumprisse, mas, por infeliz erro sobre a identidade real dos pais, tomou providências que coincidiam tragicamente, sem que ele soubesse, com as que tomaria quem se decidisse a matar o pai e violentar a mãe; conclui-se que, na realidade, matou o pai e casou com a mãe, enquanto Édipo busca em vão palavras e razões, desejoso de fazer aparecer diferença entre o destino predito e o que foi de fato o seu.
- Há aqui um curioso tremor do real, uma espécie de ensaio fantasmático de dissolver o princípio de identidade, dissociar o evento real do que poderia ou deveria ter sido (seu duplo): o oráculo dizia que mataria o pai e casaria com a mãe, o evento diz que matou e casou; a realidade faz outra coisa que confundir-se consigo mesma?
- O evento tal como se realizou parece dotado de significação perversa que contradiz a verdade anunciada pelo oráculo, pois Édipo cometeu parricídio e incesto, mas não sabia; o oráculo, porém, não dissera que devia saber, dissera só que mataria o pai e casaria com a mãe de qualquer modo, isto é, de qualquer modo de uma certa maneira, como diria Lowry, e é o que aconteceu: Édipo cumpriu seu destino como o Cônsul, ao mesmo tempo somehow e anyhow.
- Era matar o pai e casar com a mãe de maneira qualquer, mas determinada, e Édipo sai-se muito bem: a maneira como cumpre a predição é a mais simples e direta, pois mal soube os termos do oráculo lança-se de corpo perdido às estradas, cruza o rei de Tebas, seu pai, que mata depressa, e entra em Tebas para casar logo com a viúva do rei, sua mãe, liquidando a tarefa da maneira mais elegante, como um problema de matemática resolvido em três linhas enquanto outros enchem quatro páginas de razões.
- Subsiste o sentimento de que Édipo foi enganado pelo oráculo, de que o A que realizou não coincide com o A que lhe fora anunciado: entre o evento anunciado e o realizado surgiu o fantasma do Duplo, e admite-se o evento por ocorrer de qualquer modo, mas não por poder ocorrer de maneira qualquer (notadamente a que de fato ocorre): o anyhow é admitido, o somehow é riscado, graças ao duplo que faz cintilar no horizonte da coisa a infinidade de suas duplicações possíveis.
- O que acontece a Édipo é “idiota”, como tudo o que acontece, entendendo o termo em todas as acepções: estúpido, sem razão, como a infinidade dos possíveis, mas também simples, único, como a totalidade do real; Macbeth, em Shakespeare, sofre infortúnio semelhante, pois a profecia se realiza, isto é, mostra-se-lhe um real que não pode deixar de coincidir consigo mesmo, toda possibilidade de duplo afastada (“a floresta de Birnam marcha sobre Dunsinane”), e ele tira a lição: “A vida é uma história contada por um idiota.”
- Segunda, função metafísica, de interpretação: a realidade é idiota por ser solitária, única de sua espécie (privilégio ontológico do que é, ser imitável à vontade sem nunca imitar nada), e basta-lhe ser dois para deixar de ser idiota e tornar-se suscetível de receber sentido.
- É o próprio da metafísica, desde Platão, compreender o real por tal duplicação: dobrar o aqui num alhures, o isto num outro, a opacidade da coisa em seu reflexo, devolvendo ao mundo unilateral, na expressão de Ernst Mach, seu complemento em espelho; os objetos do mundo constituem então um conjunto incompleto cuja significação aparecerá com a série de seus complementos em espelho.
- Todos os metafísicos propõem uma dupla série, a das coisas e a das mesmas coisas em espelho, imagens que figuram a realidade das coisas e permitem compreendê-las: de um lado o sensível (Platão), a matéria e os acidentes (Aristóteles), o real aparente (Hegel), os “entes” (Heidegger); do outro, as ideias, a forma e as essências, o real racional, o ser.
- Terceira, função fantasmática, de produção de um objeto faltante para dar conta do desejo: o problema do desejo é análogo ao da metafísica, problema de falta, de faltar de; o sujeito do desejo experimenta-se como carente de complemento, no caso de complemento de objeto, e em nenhuma outra circunstância afirma-se com tanta força o sentimento do outro, a fantasia do duplo.
- Desejo sempre o “outro”, nunca isto, sempre outra coisa, e, se me é concedida, ainda outra: Vênus é vulgívaga, como diz Lucrécio, vagabunda que resvala de objeto em objeto sem parar em nenhum e erra à aventura entre todo o mundo e todas as coisas (vulgus, vagor); sendo o desejo incapaz de fixar-se num objeto (sob pena de deixar de ser desejo), está sempre carente de objeto, de complemento de objeto, e resta indagar a natureza desse “objeto” e dessa “falta”.
- No Banquete de Platão, antes de expor pela boca de Diotima suas teses sobre o amor, Sócrates conduz uma conversa preliminar com Agatão e lhe propõe questão prévia a toda discussão séria: o amor é amor de algo ou de nada? Agatão responde logo que de algo, e as consequências se seguem: se o objeto que o amor deseja é algo e não nada, chegar-se-á necessariamente a mostrar que a experiência do amor e do desejo testemunha uma privação, assinala uma classe de objetos e bens altamente desejáveis que faltam ao mundo.
- Recusar Platão nesse terreno metafísico exige recusá-lo desde a primeira palavra: responder resolutamente que o amor é amor de nada; Sócrates faria o espantado, pois mostrara, e Agatão concordou, que o pai é necessariamente pai de alguém, a mãe e o irmão também, e assim fez admitir ao leviano Agatão que o amor é necessariamente amor de algo, nada sendo porém menos evidente nem seguro.
- Confundem-se duas classes de desejos: os precisos e formuláveis, com complemento de objeto assinalável, como a fome e a sede, e os não precisados e difíceis de formular, que carecem de complemento de objeto assinalável, como o amor e toda pulsão que faz intervir a mediação (e a imprecisão) da fantasia; a primeira não interessa ao debate, pois água e pão fazem parte do mundo e não se infere da sede ou da fome indício de incompletude nas coisas, mas a segunda, a que pertence o amor, admite duas interpretações, materialista ou metafísica.
- Interpretação materialista, como a de Lucrécio no Livro IV do De rerum natura: o mundo é completo, nenhum objeto lhe falta, e os objetos do desejo só faltam porque o sujeito deles se desvia sem cessar, não por faltarem em si; o enigma do desejo vem da natureza do homem e da estrutura de suas fantasias eróticas, não de uma estrutura defeituosa do universo, e aqui o duplo não intervém.
- Interpretação metafísica, como a de Platão no Banquete: o mundo é incompleto, falta-lhe ao menos uma classe de objetos, os do desejo (vias de acesso à ideia e ao ser no sentido platônico), que faltam por efetivamente fazerem falta; aqui o duplo intervém, e o desejo do outro, do objeto faltante, uma vez assegurado que é desejo de algo (verdade de que Sócrates exige de Agatão confissão pública e solene), só se elucida por uma réplica do real deficiente, pela tese de uma insuficiência da realidade que, privada de seu complemento em espelho, pareceria inexplicável, votada ao não sentido e prisioneira de sua idiotia solitária.
- Quando o desejo do outro se ergue em desejo de algo, em visada do Duplo, significa claramente sua recusa a apreender a realidade, qualquer que seja, como singular, idiota: alega a existência/ausência de um aquilo porque o isto para o qual poderia dirigir-se é logo identificado como único de sua espécie, idiota, sem reflexo que o ilumine e o torne eroticamente significante.
- O objeto tal como em si mesmo aparece não desejável por não ter nada a dizer, por ser incapaz de “dar a pensar”, como dizia Kant em contexto muito diverso; é provavelmente vão explicar pelo hábito ou pelo cansaço a rapidez com que o desejo se desvia do objeto conquistado, pois o desejo se cansa menos de seu objeto do que o recusa de saída quando este se dá pelo que é, existindo no modo idiota de todas as coisas reais, e nem tem tempo de se cansar, incapaz que é de apreciar como tal um objeto que só existe aqui e agora, que não oferece recurso para explicitá-lo ou valorizá-lo, que permanece para sempre em seu próprio ser, irreparavelmente único e idiota.
rosset/1977/1.5.txt · Last modified: by 127.0.0.1
