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Filosofia Especulativa e o Método em Whitehead

Debaise2017

  • Definição inaugural de filosofia especulativa como método em Process and Reality.
  • Análise da proposição “conhecimento importante” (important knowledge) e sua dimensão técnica, diferenciando-a de meras generalizações de extensão.
  • A tarefa primeira da filosofia especulativa: organização, exposição e construção de um método, constituindo o objeto central da obra.
  • Contextualização histórica do método: a irreversibilidade introduzida por William James e o pragmatismo.
  • Comparação entre o ensaio “A Consciência Existe?” de James e o Discurso do Método de Descartes, enquanto marcos de redefinição dos problemas filosóficos.
  • Pragmatismo compreendido não como teoria ou visão de mundo, mas estritamente como método, conforme insistência do próprio James.
  • Exposição do método pragmático em seus dois aspectos fundamentais.
    • Primeiro aspecto: método de avaliação de ideias e sistemas filosóficos, tal como formulado por C.S. Peirce.
    • Regra fundamental: considerar os efeitos concebíveis com consequências práticas como a totalidade da concepção do objeto.
    • Deslocamento da questão da verdade: a verdade como evento que “acontece” às ideias, um predicado adquirido.
    • Segundo aspecto: método de invenção de ideias, derivado de uma proposição sobre a natureza da experiência.
    • Proposição fundamental: “O que realmente existe não são coisas feitas, mas coisas em fazimento” (William James).
    • Correlação transformada em analogia: entre o movimento das coisas em processo de devir e o movimento das ideias em construção.
  • Posição de Whitehead em relação ao pragmatismo: reconhecimento da dívida intelectual e demarcação de diferenças.
  • Preocupação explícita em resgatar o pensamento de James, Dewey e Bergson da acusação de anti-intelectualismo.
  • Transição para um racionalismo radical como contexto para a especificação do método especulativo.
  • Definição canônica do método especulativo: esforço para elaborar um sistema coerente, lógico e necessário de ideias gerais.
  • Interpretação dos componentes da definição não como descrição de um sistema, mas como enunciação das restrições constitutivas do método.
  • Divisão das restrições em dois grupos interconectados: dimensão racional e dimensão empírica.
  • Restrições da dimensão empírica: aplicabilidade e adequação.
    • Redefinição radical do conceito de adequação: não como correspondência a uma experiência observada, mas como exigência de que experiências relacionadas exibam a mesma textura.
    • Adequação como imperativo de generalização: construção de relações e conexões que permitam pensar a experiência como multiplicidade de elementos conectados.
    • Aplicabilidade como restrição de validação: teste permanente da capacidade do esquema em interpretar alguns elementos da experiência.
    • Distinção pragmática (não lógica) entre adequação (capacidade relacional do esquema) e aplicação (capacidade de dar conta das particularidades).
  • Limites intrínsecos ao projeto de adequação: fraqueza da intuição e deficiências da linguagem.
  • A linguagem como ferramenta da filosofia, exigindo redesenho e extensão para além dos usos ordinários.
  • Crítica à herança linguística, em particular à forma sujeito-predicado, e necessidade de construção de uma sintaxe abstrata.
  • Restrições da dimensão racional: necessidade, logicidade e coerência.
    • Necessidade reinterpretada: não como fundamento primeiro, mas como caráter imanente ao esquema que traz sua própria garantia de universalidade.
    • Logicidade como função negativa de evitar inconsistências, porém com importância secundária.
    • Coerência como a restrição central e definidora da dimensão racional, distinta da mera consistência lógica.
    • Coerência como produtora de harmonias e sistema orgânico de elementos interconectados.
  • Análise da coerência como recusa da “incoerência” cartesiana.
  • Crítica à visão cartesiana de pensamento como conjuntos de proposições autônomas e autoevidentes.
  • Proposição alternativa: toda entidade remete a um fundo infinito de pressuposições, exigindo o universo sistemático para seu status completo.
  • Princípio relacional: a compreensão de qualquer elemento da experiência imediata conduz além de si mesmo, para seus contemporâneos, passado, futuro e universais.
  • Dinamismo do método especulativo: interação contínua e recomposição recíproca entre as restrições empíricas e racionais.
  • Metáfora do voo do aeroplano para ilustrar o método: decolagem da observação particular, voo na generalização imaginativa e aterrissagem para observação renovada.
  • O caráter dinâmico pertence às própri ideias, impedindo uma estabilização definitiva do esquema.
  • Função última do método: elucidar ou desvelar a experiência imediata.
  • Conceito técnico de interpretação como elemento de comunicação contínua entre o empírico e o racional.
  • Definição de interpretação: tudo de que temos consciência deve ter o caráter de uma instância particular do esquema geral.
  • Interpretação como operação que desloca a experiência particular para um universo relacional de interações e pressuposições recíprocas.
  • Conclusão: a filosofia especulativa é, em sua essência, um método de interpretação.
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