Função do Poeta
MASUI, Jacques. De la vie intérieure. Saint-Clément-la-Rivière: Fata Morgana, 1993.
Voluntariamente, excluímos desta seleção de textos qualquer divisão rígida entre as diferentes categorias de “mensageiros”. É certo que existe uma diferença considerável entre o místico religioso do tipo cristão, o sábio grego, o poeta romântico ou o iogue hindu, mas nossa tarefa não consistia em procurar semelhanças ou diferenças, nem em acentuá-las por meio de uma classificação arbitrária. Limitamo-nos a fornecer algumas evidências da vida interior, escolhidas entre as mais belas e reveladoras, pertencentes a todas as épocas e raças.
Se uma afinidade une todos os mensageiros, o poeta continua sendo o mais acessível e, melhor do que qualquer outro, sabe como fazer vibrar o conteúdo de sua revelação. Nunca se deve esquecer que, na origem, o vidente e o sábio eram igualmente poetas. Portanto, não devemos nos surpreender que, nos dias de hoje, certa escola poética tenha acreditado poder superar a literatura para reencontrar as funções primitivas da poesia, a fim de tornar novamente acessíveis realidades vivas e eternas, enterradas sob o peso de uma cultura moribunda.
Antes do surrealismo, já havia a tentativa do romantismo, como atesta o trecho a seguir da obra de Achim von Arnim.
Herdeiro dos românticos, Hugo von Hofmannsthal, em um texto pouco conhecido de uma conferência, definiu o papel do poeta, seus sofrimentos e suas alegrias; é uma página rara e emocionante que não poderíamos deixar de incluir nesta coletânea.
