lavelle:pt:lavelle-1934-identidade-do-ser-e-do-pensamento

IDENTIDADE DO SER E DO PENSAMENTO (1934)

I O PENSAMENTO SE DISTINGUE DO SER APENAS POR SEU INACABAMENTO

Embora o ser envolva e ultrapasse em direito todo pensamento atual, o pensamento só pode considerar o ser como seu próprio acabamento ou sua própria perfeição — e não como um universo separado a ser conquistado por uma espécie de distensão ou renúncia — pois o objeto só dá ao pensamento uma satisfação plena quando se confunde com o puro exercício desse pensamento.

  • O ser parece dever ser considerado como o gênero e o pensamento como a espécie — mas só se pôde postular o gênero atribuindo-lhe já os caracteres da espécie, fazendo do ser um pensamento possível não atual.
  • O pensamento é sempre o ato de um sujeito finito, fragmentário e inacabado — mas recebe seu movimento de mais alto, mesmo quando tateie, e se aperfeiçoa no tempo.
  • Quando o conteúdo do real parece ter-se tornado de uma transparência absoluta, é porque esse conteúdo se evaporou — e só então não opõe mais nenhuma resistência ao espírito.
  • O pensamento se encontra a meio caminho entre um objeto ainda desconhecido, do qual destaca por análise uma série de aspectos, e um objeto perfeitamente conhecido, que é o termo de seu esforço.
  • O distanciamento entre pensamento e ser é o distanciamento entre um pensamento inacabado e um pensamento acabado — entre um pensamento que se busca e um pensamento que se encontra.

Entre a ideia e o real há ao mesmo tempo homogeneidade, distinção e ligação — pois o pensamento deve participar do ser, e o ser ao qual o pensamento se aplica só pode ser pensado como um pensamento sem limitação.

  • A distinção é a condição sem a qual um pensamento individual, limitado e imperfeito, mas capaz de progresso — ou seja, uma consciência — não poderia se constituir.
  • A ligação é a lei segundo a qual, no seio de um pensamento total, se insere um pensamento particular que dele recebe sua origem e sua essência — mas que se move no tempo e deve romper a unidade do todo para depois buscar uni-los empiricamente.
  • Esse circuito admirável, sempre recomeçado e sempre incapaz de se fechar, constitui a vida comovente de todos os espíritos finitos.

II O PENSAMENTO DO SER JÁ PORTA EM SI O PRÓPRIO SER QUE PENSA

No momento em que o pensamento se distingue do ser para revelá-lo, é preciso considerá-lo como possuindo o ser ele mesmo — ou seja, como sendo primeiramente uma determinação do ser — e é por esse traço que o pensamento do ser acusa sua potência e sua fecundidade.

  • O pensamento do ser, sendo ele mesmo um ser, goza em relação a seu objeto de uma competência e de um privilégio que a ideia de homem jamais possuirá nem mesmo em relação ao homem.
  • Todas as filosofias buscam primeiro um termo primitivo que dê fundamento sólido às operações do pensamento — e esse termo é o círculo vivo no qual o pensamento se encerra desde sua origem.
  • Esse círculo pode ser enunciado assim: o pensamento do ser é adequado porque é recíproco do ser — pois é necessário inscrever no mesmo ser sua operação e seu objeto.

Desde Descartes insiste-se no interesse da descoberta do pensamento por si mesmo — mas o verdadeiro alcance dessa descoberta não é dar ao ser próprio um caráter puramente subjetivo, e sim abrir-lhe um lugar, graças à forma subjetiva, no interior do ser absoluto.

  • É uma das ilusões mais curiosas da inteligência crer que, ao encontrar o pensamento, seria preciso um novo esforço para que ele alcançasse o ser por uma espécie de salto mortal fora de suas próprias fronteiras.
  • O pensamento não pode se pôr sem pôr seu ser — ou seja, sem pôr o ser indivisível que ele determina.
  • A maioria dos homens considera uma existência de pensamento como não sendo uma existência — e busca o verdadeiro modelo da existência na limitação que o pensamento recebe ao se chocar com os dados da sensibilidade.
  • O caráter distintivo de um espírito filosófico é ser capaz de considerar as ideias como tendo uma existência no entendimento que, embora ligada à existência que os objetos possuem na sensibilidade, não lhe é inferior em dignidade.
  • Platão queria que os objetos fossem como sombras e as ideias como seus corpos — evocando assim a supremacia da ideia sobre todos os objetos que ela busca apreender e modificar.
  • A ideia do ser é a única que é necessariamente adequada a seu objeto — pois é contraditório que ela possa ultrapassar o ser ou ser ultrapassada por ele: ela é ao mesmo tempo continente e conteúdo, e de todas as ideias a única que é simultaneamente uma intuição.
  • Dizer que a ideia do ser é um ser produz entre a representação e o objeto uma superposição exata — impossível de ser realizada pela ideia do azul, que não é azul, ou pela ideia da árvore, que não é uma árvore.
  • O ser de um pensamento deve se identificar com o ser sobre o qual o pensamento versa — pois onde quer que se encontre o ser, ele é encontrado inteiramente, sendo sua noção simples e indecomponível.

III A IDEIA DO SER CONTÉM TODAS AS IDEIAS PARTICULARES

Se o ser fosse uma ideia particular, seria preciso defini-lo limitando sua ideia por oposição a alguma outra — mas essa empresa se choca com dificuldades insuperáveis, pois a ideia do ser se empobrece progressivamente ao ser separada de todas as outras ideias, até se volatilizar e desaparecer.

  • Todos os caracteres que se tentassem atribuir ao ser isolado seriam objeto de alguma outra ideia particular — tornando a ideia do ser a mais deficiente de todas e a mais próxima do nada.
  • Ao opor o nada ao ser, confere-se ao nada alguma realidade como objeto de pensamento — tornando-o o ato positivo pelo qual a ideia do ser é negada.
  • Entre o ser e o nada introduzem-se termos intermediários que expressam a riqueza do mundo — mas são artifícios da lógica pura que dão a ilusão de reconstruir o mundo no abstrato.
  • É necessário distinguir tantas formas do ser quantos são os termos aos quais o pensamento se aplica — inclusive o nada, que, ao ser nomeado, se torna uma ideia atual e não pode ser posto fora do ser.
  • Todos os termos distinguidos do ser são aspectos seus — e o ser que os contém todos é o único que não é nem separado nem abstrato.
  • A ideia do ser não é um termo especificado — cada termo é uma especificação do ser total.

A ideia do ser pode ser considerada a mais geral e a mais rica de todas as ideias — pois precede tanto a divisão do mundo em indivíduos independentes quanto sua divisão em ideias distintas, sendo a fonte comum de ambos os tipos de divisão.

  • Pode-se defini-la como uma ideia perfeita — a única capaz de reencontrar o concreto — e como um indivíduo perfeito — o único capaz de gozar de uma independência absoluta.
  • A ideia do ser puro é a ideia de uma atividade cuja operação, não recebendo nenhuma limitação, não se opõe a nenhuma outra e contém em sua unidade a eficácia de todas com a lei mesma de sua oposição.
  • Dizer que essa ideia é minha é dizer que meu pensamento se individualiza por sua ligação com um corpo privilegiado que lhe fornece o centro original de sua perspectiva e sua tonalidade afetiva.

IV O SER É A TOTALIDADE DO POSSÍVEL

O ser deve ser definido não como o que é conhecido, mas como tudo o que pode sê-lo — ou como o objeto absoluto de um pensamento adequado que, confundindo-se com seu objeto, é o Pensamento perfeito.

  • O absoluto é anterior ao pensamento individual, mas o funda — e é por isso que o pensamento individual é relativo.
  • A perfeição é o termo ao qual o pensamento individual tende através de uma série infinita de operações que só poderia concluir desaparecendo ele mesmo — permanecendo imperfeito enquanto guarda uma existência separada.
  • O que choca os empiristas em Platão e em Spinoza é que esses dois filósofos apoiaram o fenômeno em uma realidade mais estável, mais rica e mais fecunda — que ultrapassa todos os fenômenos pela surabundância das possibilidades de que cada fenômeno expressa uma manifestação particular e isolada.

O possível está ligado ao ser mais intimamente do que se pensa — sendo um ser de pensamento, ou seja, um ser do qual o pensamento começa apenas a tomar posse.

  • O possível não é apenas um ato de pensamento indeterminado que seria esquecido ao atingir o real — o ato inicial permanece presente em todos os atos ulteriores que o desenvolvem.
  • No momento em que o pensamento apreende um objeto, a operação de apreensão, enquanto se distingue do objeto, constitui precisamente a possibilidade desse objeto.
  • O possível se revela pela atividade do pensamento considerada ao mesmo tempo em seu movimento primitivo e na multiplicidade indefinida de suas operações — confundindo-se com a existência de um pensamento total.
  • A distinção entre o ser e o possível é abolida — pois pôr o ser é pôr todo o possível.
  • Os possíveis particulares são sempre tomados de empréstimo ao ser — obtidos por subtração de certas de suas determinações.
  • Os possíveis particulares são distinguidos para permitir ao indivíduo participar do ser pelo duplo jogo de sua inteligência e de sua vontade — e todos os possíveis reunidos não se distinguem mais do próprio ser.
  • O caráter mais profundo do ser é precisamente a possibilidade viva pela qual ele não cessa de se realizar.

V O SER DE UMA COISA É IDÊNTICO À REUNIÃO DE TODOS OS SEUS ATRIBUTOS

O ser não é um esquema abstrato ao qual se acrescentam qualidades para lhe dar valor concreto — pois não se pode falar da existência de uma coisa sem admitir ao mesmo tempo a presença em ela da totalidade de suas determinações.

  • Supor que a existência é um simples esquema conceitual seria admitir contraditoriamente que se pode pôr uma existência pura que não seria a existência de nada.
  • A existência expressa a plenitude perfeita de cada noção — pois somente quando um ato intelectual está inteiramente determinado e nada nele é abstrato ele coincide com a realidade.
  • A perfeição de um conhecimento retira-lhe o caráter subjetivo e o desvencilha das balizas em que o encerra a perspectiva de cada consciência — permitindo confundi-lo com o próprio ser.
  • A noção de consciência implica sempre uma limitação do ser pensante — sem a qual representação e objeto representado seriam indiscerníveis.
  • O ser é a mais rica de todas as noções — pois só se pode empregar esse termo legitimamente quando o conhecimento não encontra mais nada a acrescentar à imagem que faz do real.

A noção de acabamento permanece a mesma qualquer que seja o objeto — pois no interior de todo objeto há uma riqueza inesgotável de atributos, e cada objeto está de fato ligado a todos os outros, de modo que os diferentes objetos contêm em si o mesmo todo.

  • Os diferentes objetos se distinguem apenas pela perspectiva original que cada um abre sobre o todo.
  • Apreender o ser de uma coisa é apreender sua perfeição própria — que não difere da perfeição do todo do qual ela faz parte.
  • A existência, que aparece como a mais estreita das noções, expressa ao mesmo tempo o último ponto que pode atingir o enriquecimento de uma noção qualquer ao cessar de ser abstrata.
  • A existência é idêntica ao ato infinitamente fecundo com o qual se identificava antes que a análise colocasse ao alcance a diversidade dos aspectos do mundo.

VI O PENSAMENTO TOTAL E A TOTALIDADE DO SER SÃO INDISCERNÍVEIS

O pensamento do ser se confunde com o próprio ser — e o argumento fundamental que prova que a noção de existência é rigorosamente adequada a seu objeto é o que se extrai da existência necessária do próprio pensamento no momento em que ele tenta assegurar a existência de seu objeto.

  • No ato pelo qual o pensamento tenta pôr a existência de um objeto independente dele, não pode deixar de pôr sua própria existência.
  • A originalidade e o valor do pensamento do ser eclodem ao se perceber que esse pensamento possui inevitavelmente o ser ele mesmo.
  • O pensamento do ser não se distingue do pensamento universal no interior do qual todos os pensamentos particulares estão contidos.
  • Não basta afirmar que, por trás da distinção de fato entre pensamento e objeto, uma identidade de direito deve ser presumida — é preciso ainda reconhecer que o pensamento contém em si todo o pensável da mesma maneira que o ser contém em si tudo o que é.
  • Não é a extrema abstração que faz coincidir o ser e o pensamento — é o ato universal do pensamento que funda todo pensamento concreto, assim como é a participação no ser universal que dá acesso ao mundo a todos os indivíduos particulares.

Se nada é estranho ao ser e o pensamento é ele mesmo um ser, e se nada é estranho ao pensamento e o ser é ele mesmo objeto de pensamento, pensamento e ser devem necessariamente se confundir no princípio comum que funda a realidade original de cada um dos dois termos.

  • A identidade entre a totalidade do pensável e a totalidade do ser explica por que os caracteres mais íntimos da existência podem tornar-se acessíveis no próprio pensamento sem que a existência se torne subjetiva.
  • A ideia do ser, que contém ao mesmo tempo todas as ideias e todos os objetos, não deixa subsistir nenhuma distinção entre ela mesma e seu próprio objeto.
  • O pensamento que busca o ser possui em si primitivamente o mesmo ser que busca.
  • Entre o pensamento pensante e o pensamento pensado há uma distinção de razão — mas nenhuma distinção real.
  • O ser está demasiado próximo do pensamento — pois o pensamento ainda faz parte do ser no momento mesmo em que dele se distingue para envolvê-lo — e é por isso que parece não percebê-lo.
  • O conhecimento é um esforço para possuir o ser e, ao atingir seu objeto, deve vir novamente se confundir com ele — morrendo do excesso mesmo de sua perfeição.

VII O SER É UM ATO ONIPRESENTE E NÃO UMA SOMA

O ser não pode ser atingido por operações de totalização — nem pela assemblagem de objetos finitos nem pela assemblagem de caracteres particulares — e essa impossibilidade, junto à necessidade de pô-lo, prova precisamente que sua noção é primitiva e que a descoberta de seus diferentes aspectos é um efeito da análise.

  • Não há várias maneiras de entrar no ser — e a identidade da noção de ser se explica se a existência de cada termo aparece como uma delimitação do mesmo todo.
  • Não há diferença de natureza entre o todo do universo, que chama à existência todos os indivíduos que o realizam, e o todo do indivíduo, que não apenas se inscreve no todo do universo, mas o expressa à sua maneira.
  • Cada ponto do universo material é um nó de relações que o reúne a todos os outros — e nenhum pensamento particular se basta, implicando todos os outros.
  • O todo não é uma coletividade — é necessariamente dado em cada ponto em sua integralidade como uma verdade única e plena, da qual todas as determinações particulares expressam a riqueza sem jamais a esgotar.
  • Se a síntese pela qual se busca reconstruir o todo viesse a se concluir, atingiria um ponto último onde se desataria em um ato único de pensamento capaz de dar existência perfeita e indivisível ao universo inteiro.

Os espíritos mais fortes são os que apreende o ser em sua simplicidade mais do que em sua variedade — buscando não um conhecimento em largura, mas um conhecimento em profundidade.

  • O conhecimento em profundidade se obtém banindo toda vã curiosidade e permanecendo em uma espécie de atividade imóvel que permite, sob cada aspecto do real, atingir a origem concreta e a raiz comum de toda diversidade.
  • Quando um contato sempre idêntico e sempre novo é realizado entre a consciência e a unidade da presença universal, a contemplação das formas múltiplas da existência dá uma alegria plena de segurança.
  • Quem espera atingir o ser recuando indefinidamente os limites de seu horizonte se envolve em uma série indefinida de aparências que o decepciona e o torna escravo.
  • Cada um encontra o ser em cada ponto se consente em exercer um ato com o qual lhe cabe se identificar — e que o torna indiferente aos estados, embora cada estado receba desse ato todo o seu valor.

VIII A PRESENÇA FUNDA TODAS AS DIFERENÇAS EM VEZ DE AS CONTER

Definir o ser pela pura presença expõe ao risco de parecer recusar-lhe toda determinação particular — mas toda determinação é abstrata e só se realiza inscrevendo-se, no meio de todas as outras, no interior de uma presença idêntica, de modo que esvaziar a noção de presença de todo conteúdo é, ao contrário, fazê-la a presença de tudo.

  • O todo não pode ser distinguido da própria presença como dela podem ser distinguidos os termos particulares — o todo é a presença toda pura.
  • Basta que a presença seja dada para que o ser seja dado inteiramente — na simplicidade perfeita de sua posição como na riqueza infinita de suas determinações possíveis.
  • A presença deve dar a ilusão de não ser a princípio a presença de nada — a fim de poder tornar-se a presença de tudo quando as operações particulares do conhecimento começarem a se exercer.
  • A presença é mantida vazia para não confundir o ser com uma coisa — mas para poder explicar como todas as coisas se tornam efetivamente coisas.
  • A existência não é vista diretamente — apenas seus aspectos são visíveis — pois o ser é o caráter idêntico que faz que existam objetos, e só o aspecto variado desse ato é perceptível para seres limitados que nunca coincidem com ele.
  • O todo é anterior à distinção entre sujeito e objeto — mas os compreende em si, permitindo-lhes nascer ao opô-los e acordá-los.
  • O todo deve ser considerado vazio de todos os caracteres particulares — para que os indivíduos, ao discerni-los, possam constituir nele sua própria natureza.
  • O todo é a raiz de onde jorram todas as qualidades como um feixe infinito — no interior do qual cada ser finito assegura seu próprio desenvolvimento ao isolar certas delas com as quais se identifica.

IX O SER PURO, QUE É TUDO, NÃO É NADA DE PARTICULAR

A noção do todo não pode ser formada por acumulação de elementos finitos nem é um infinito que ultrapassa e escapa — é o fundamento e não a soma da multiplicidade de objetos que só se descobrem depois pela análise e que nunca se termina de enumerar.

  • O ser contém todas as diferenças e as abole todas.
  • A teologia positiva obriga a afirmar de Deus todos os caracteres observados nas formas particulares do ser — e a teologia negativa obriga a negá-los todos, pois tudo o que há de finito nas formas particulares deve ser excluído da natureza divina.
  • A ideia de Deus pode ser considerada, em relação ao mundo, ora como uma totalidade infinitamente preenchida, ora como uma vacuidade infinitamente fecunda.

A antinomia do ser e do nada encontra aqui sua solução — pois a única afirmação metafísica talvez impossível de contestar é a de Parmênides: que o ser é e que o nada não é.

  • Todo juízo negativo é um juízo positivo dissimulado — dizer que A não é significa que há ali um termo que não tem as propriedades que se lhe atribuía, mas que tem outras.
  • Se é verdade dizer do todo que ele não tem nenhum dos caracteres atribuíveis aos objetos particulares, não surpreende que nele as duas ideias de ser e de nada pareçam se identificar — pois é preciso negar de ele cada forma do ser para que possa igualmente dar o ser a todas.
  • O contraste entre as qualidades sensíveis pode ser visto como a ruptura de uma indiferença qualitativa que não é enriquecida, mas limitada, pelo aparecimento de cada qualidade particular.
  • O silêncio pode ser definido como uma espécie de síntese compensatória de todos os ruídos — cada ruído rompe o silêncio rompendo sua unidade, e a soma de todos os ruídos, a essência comum da qual são extraídos, ultrapassa infinitamente a capacidade do ouvido e é para ele indiscernível do silêncio.
  • Pode-se imaginar um estado de indiferença afetiva que não é negativo — sendo talvez a verdadeira condição da serenidade e da força — contendo em potência todos os prazeres e todas as dores, deixando-os filtrar separadamente apenas quando esse equilíbrio perfeito e frágil cessa de poder ser mantido.
  • Os místicos descrevem o êxtase como uma eliminação de todas as diferenças — que as compreende todas e é de certo modo sua fonte e seu confluente.
lavelle/pt/lavelle-1934-identidade-do-ser-e-do-pensamento.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki