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jankelevitch:filosofia-schelling:devir

Continuidade do devir

JANKÉLÉVITCH, Vladimir. L’Odyssée de la conscience dans la dernière philosophie de Schelling. Paris: Felix Alcan, 1933.

  • Conceito de tempo metafísico em Schelling transcende duração psicológica individual, referindo-se ao devir teogônico que precede consciência humana e à história que tem consciência como protagonista objetiva de experiência metafísica, expressando exigência intrínseca das coisas dentro do método especulativo, o que implica tempo como processo orgânico de crescimento no qual cada etapa contém, de modo imanente e potencial, todas as etapas subsequentes, à maneira de germe biológico que encerra em si todo desenvolvimento futuro, estabelecendo continuidade na qual passado permanece ativo no presente e presente já anuncia futuro, sem que qualquer momento desapareça completamente, mas antes deixe traços e modifique totalidade do processo.
  • Implicação recíproca dos momentos no devir gera caráter profético do processo, onde imanência significa tanto conservação do passado quanto promessa do futuro, fazendo da antecipação lei interna do desenvolvimento, sem que isso elimine novidade ou progresso, pois o futuro, ainda que pressentido, representa conquista em relação ao presente, sendo que começo só se torna plenamente claro no fim, antecedente só se revela no consequente, causa no efeito e semente na planta adulta, o que Schelling ilustra com desenvolvimento orgânico e hierarquia dos seres vivos, onde cada grau está repleto de reminiscências e alusões aos momentos anteriores, mantendo diálogo contínuo entre etapas.
  • Profetismo, enquanto expressão dessa antecipação imanente, não é fuga para eternidade, mas capacidade de leitura do futuro que se anuncia no presente, vislumbrada em fenômenos como telepatia, sonambulismo e instinto animal, e especialmente em desenvolvimento religioso, onde Antigo Testamento profetiza Novo Testamento, Judaísmo funciona como veículo de anúncio, e paganismo, através de seus mistérios e divindades como Dionísio e Zeus não nomeados, pressente advento de divindade espiritual, revelando que história é cadeia de profecias na qual cada época se inclina sobre a seguinte, fascinada por futuro distante que a atrai e determina seu sentido, como exemplificado pela teologia típica que vê sacrifícios judaicos orientados para Evangelho.
jankelevitch/filosofia-schelling/devir.txt · Last modified: by mccastro

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