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Fludd

Robert Fludd (1574-1637)

BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.

Robert Fludd nasceu em Kent em 1574, sob o reinado de Elizabeth I. Cavaleiro de porte orgulhoso, inicialmente destinado à carreira das armas, voltou-se aos estudos para tornar-se, em 1598, Mestre em Artes pelo Saint John’s College de Oxford. Após uma viagem pela Europa que durou nada menos que seis anos — na qual foi preceptor de Charles de Lorraine, quarto duque de Guise, e de seu irmão François —, regressou à Inglaterra, onde, em 16 de maio de 1605, obteve o doutorado em medicina no Christ Church College de Oxford. Agregado em 1609 ao colégio de médicos de Londres, no qual assumiria a importante função de Censor, foi, contudo, no Continente, onde conservou grande número de relações, que exerceu o essencial de sua atividade editorial.

Assim que se desenvolveu a polêmica gerada pelos manifestos rosacruzes, ele não mais hesitou: engajou-se resolutamente, declarando-se fervoroso turiferário da suposta Confraria da Rosa-Cruz. Em 1615 e 1616, Andreas Libavius criticara vivamente as doutrinas da Fama Fraternitatis e da Confessio Fraternitatis, em particular suas concepções de magia, da Cabala, do hermetismo e das simpatias entre macrocosmo e microcosmo. Tais eram os fundamentos da visão de mundo de Robert Fludd: ele não poderia deixar de sentir-se afetado por tal ataque. Assim, a partir de Leiden, lançou em 1616, em favor da Confraria, uma Apologia Compendiaria, que retomou no ano seguinte sob a forma ampliada de um Tractatus Apologeticus. Já na Apologia, ele lançara à Confraria um apelo para ter a honra de ser recebido em suas fileiras. Se esses escritos não lhe abriram — e por razões óbvias — as portas da mítica sociedade, valeram-lhe a atenção dos meios intelectuais palatinos: ainda em 1617, não mais a partir de Leiden, mas da oficina de Johann Theodore De Bry, em Oppenheim, publicou seu Tractatus Theologo-Philosophicus, no qual desenvolve visões sobre a vida, a morte e a ressurreição em perfeito acordo com as concepções ocultistas dos protomanifestos. Permanecendo igualmente sem resposta o terceiro apelo à Confraria constituído por esta terceira obra, Fludd determinou-se a publicar, novamente em Oppenheim e, como se viu, às custas da corte de Heidelberg, a suma de sua visão de mundo rosacruz, a Utriusque Cosmi Historia.

A obra dividia-se em duas partes. A primeira, consagrada ao macrocosmo, traz como título geral: Descrição — deve-se entender Historia no sentido etimológico de descrição fundamentada em pesquisas e teorias — metafísica, física e técnica dos dois mundos — cosmos —, a saber, do grande [o universo ou macrocosmo] e do pequeno [o homem ou microcosmo], dividida em dois volumes respectivamente consagrados a cada um desses mundos: Utriusque Cosmi Maioris scilicet et Minoris Metaphysica, Physica atque Technica Historia In duo Volumina secundum Cosmi differentiam diuisa. A obra — em fólios monumentais — revela-se de uma realização longa e difícil. Em 1617 e 1618, apareceram apenas os dois tratados que constituíam o primeiro volume, consagrado ao macrocosmo. O segundo volume, dedicado ao microcosmo, foi publicado somente a partir de 1619. Este deveria ser dividido em três tratados, dos quais apareceram apenas o primeiro e metade do segundo. De fato, a partir de 14 de setembro de 1620, Spinola, invadindo o Palatinado à frente dos exércitos espanhóis do príncipe-eleitor rebelde ao Imperador, tomou Oppenheim, onde — em gesto revelador — mandou devastar sistematicamente a oficina de De Bry. Quanto a Frederico, que já perdera o Palatinado e Heidelberg, o desastre da Montanha Branca, em 8 de novembro seguinte, expulsou-o de Praga e do trono da Boêmia, tornando-o um exilado em fuga para os Países Baixos calvinistas. Fludd, privado de mecenas, fez, com Johann Theodore De Bry refugiado em Frankfurt, algumas tentativas para concluir a publicação de sua grande obra; mas renunciou a elas ao longo da década de 1620. Apenas a parte consagrada ao macrocosmo foi integralmente publicada.

Trata-se, aliás, do essencial. Todo o problema de Fludd consiste, com efeito, em saber como o mundo foi gerado por Deus ou, mais precisamente, como a Alma do mundo, que por sua vez gerou o mundo, originou-se inicialmente de Deus. Se se consegue conhecer, deduzindo-o de Deus, o princípio da Alma do mundo, obtém-se simultaneamente a estrutura do mundo — tanto do grande quanto do pequeno — que esta criou, visto que a estrutura do mundo deve necessariamente refletir, expressar concretamente, por assim dizer, o princípio de sua Alma.


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