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chaui:confrontos-espinosismo

Espinosa: Mea Philosophia

MCNR1

  • Necessidade de distinção ontológica entre ordem como ente de imaginação e ordem como conexão real e necessária das causas na produção da natureza inteira.
    • Desconstrução da imagem tradicional de ordem entendida como harmonia, paz ou disposição justa de seres segundo graus de perfeição, tal como formulada na tradição agostiniana que subordina o real a princípios de mando e obediência.
    • Afirmação da ordem geométrica como estrutura imanente que veda a intervenção de uma vontade divina arbitrária, estabelecendo que a conexão das ideias segue rigorosamente a mesma norma de necessidade que a conexão das coisas.
  • Articulação entre a verdadeira lógica e a definição genética matemática como fundamento para o conhecimento adequado das essências singulares.
    • Superação da lógica aristotélico-escolástica de gêneros e espécies, substituindo-a por uma teoria da definição perfeita que revela a causa eficiente próxima e interna do objeto definido.
    • Compreensão do movimento como potência infinita de constituição dos corpos, transformando a geometria de uma tópica estática em uma ciência genética capaz de demonstrar a produção necessária das figuras no contínuo da extensão.
  • Emprego da ordem no Tratado Teológico-Político como instrumento de dessacralização das Escrituras e separação categórica entre os domínios da fé e da filosofia.
    • Demonstração de que o escopo da filosofia é exclusivamente a verdade baseada em noções comuns, enquanto o escopo da fé limita-se à obediência e à piedade fundamentadas em narrativas históricas e linguísticas.
    • Utilização da ordem histórica e literária para invalidar a autoridade teológica, revelando que obscuridades textuais são efeitos de corrupções léxicas ou gramaticais e não repositórios de mistérios especulativos.
  • Itinerário da emenda do intelecto como passagem da ordem comum da vida para a estabilidade do conhecimento reflexivo e da união com a natureza.
    • Ruptura com a experiência errante e fortuita através de uma tomada de posição que identifica o mais útil à conservação do ser no amor pelas coisas eternas e infinitas.
    • Caracterização do intelecto como autômato espiritual que exerce sua força inata ao conceber ideias absolutamente, independentemente de determinações externas ou da fortuna.
  • Confronto epistemológico com o experimentalismo de Robert Boyle acerca da validade do conhecimento físico e químico sem fundamentação matemática.
    • Crítica à insuficiência do método experimental que se detém na descrição de fenômenos e propriedades extrínsecas sem alcançar as leis certas e eternas que presidem a produção das essências.
    • Afirmação de que o experimento só adquire consistência científica quando determinado pelo intelecto, servindo como verificação de leis já demonstradas a priori pela via da causalidade necessária.
  • Estabelecimento da matemática como outra norma da verdade que liberta a mente humana do asilo da ignorância e do preconceito finalista.
    • Reconhecimento de que a matemática, ao tratar exclusivamente de essências e propriedades sem recorrer a causas finais, oferece o paradigma para uma ciência que compreende a natureza sem a deformar por projeções antropomórficas.
    • Dedução da inteligibilidade plena do real a partir da ideia do Ser Perfeitíssimo, cujos atributos constituem a causa eficiente e formal de todas as essências e de suas conexões recíprocas.
  • Identidade entre a potência de agir e a potência de pensar como fundamento para a ciência intuitiva e para a liberdade humana.
    • Demonstração de que a ordem e conexão das ideias é a mesma que a ordem e conexão das coisas, garantindo que o verdadeiro seja norma de si mesmo e que a mente possa reproduzir objetivamente a formalidade da natureza.
    • Valorização da intuição intelectual como ato que apreende nexos lógico-causais intrínsecos, permitindo que o homem sinta e experimente sua própria eternidade através do conhecimento das causas primeiras.
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