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Escola de Kyoto
SBAA
- Investigação sobre natureza da dissidência budista em relação ao berço hindu, analisando fenômeno de exaustão e rejeição que confirma impossibilidade de ser profeta em própria terra.
- Problematização do conceito de heresia aplicado ao budismo sob léxico cristão, reconhecendo que termo implica ortodoxia e estrutura jurídica ausentes na escola de Kyoto.
- Análise da ruptura histórica como paradoxo de fidelidade, onde o não-retorno à tradição brahmanista representa interpretação mais segura do voto de vazio e distância da Índia.
- Compreensão do budismo como germe de não-ser que encontra solo fértil no Japão, transcendendo mera reforma exegética para estabelecer fratura incomensurável com a origem.
- Fenomenologia do espaço japonês através da oposição ontológica entre Tokyo e Kyoto, refletindo conflito entre técnica moderna e interioridade imemorial.
- Caracterização de Tokyo como ser-para o Ocidente, movida por novação contínua e rivalidade com supremacia americana em constante extroversão.
- Definição de Kyoto como capital do ser-dentro, voltada a passado de templos e jardins onde o agir se sobrepõe ao fazer técnico e utilitário.
- Estudo do jardim de Ryoanji como apéritif conceitual, onde retângulo de pedras encerra um infinito e silêncio petrificado evoca maré primitiva.
- Dialética das linhas no jardim zen, onde retidão ideal deve sofrer flexão joyeuse do círculo para atingir homogeneidade absoluta e continuidade.
- Crítica da natureza e do antropocentrismo através do contraste entre jardins de Versailles e Kyoto, interpretando modelos como visões de mundo inconciliáveis.
- Versailles como apoteose da vontade de potência, conjugando técnica, religião e política em paixão de conquista e representação do criador onipotente.
- Denúncia do vandalismo religioso ocidental que subordina a Physis ao desejo humano, reduzindo matéria a vil material em regime de servidão.
- Confronto com crítica de Feuerbach ao cristianismo, apontando egoísmo monoteísta que imobiliza natureza sob arbítrio de um deus pantocrator.
- Proposta de materialismo resoluto como única via para restituir dignidade e liberdade à natureza, livrando-a das amarras da utilidade e do desejo.
- Exegese da vacuidade e do nada através do quase-conceito de criação ex nihilo, estruturando tríplice cisura entre criador e criatura.
- Definição do nada como ausência de matéria, independência absoluta da ação e gratuidade total livre de qualquer necessidade ou desejo.
- Caracterização do Absoluto como au-delà do ser e da matéria, estabelecendo ordem em diálogo que frequentemente se perde no flou das ideias.
- Investigação da Ur-Impression na escola de Kyoto como afeto radical de impermanência, onde o mundo é sentido sob ângulo do pathos universal.
- Oposição ao otimismo ontológico cristão da bondade da criação, propondo que ser e ontologia são ilusões geradas pela sede de existência.
- Ontologia da liberação e prática do Sunyata como medicina radical para mal de ser, fundamentada na extinção do desejo e da substancialidade.
- Identificação do sofrimento como efeito da sede de ser, exigindo disciplina que diagnostica doença e propõe remédios para iluminação.
- Necessidade de condições meontológicas, baseadas no não-nascido e não-composto, como única garantia de evasão possível do ciclo de nascimento e morte.
- Distinção entre Sunyata e mística negativa ocidental, visto que vacuidade budista recusa qualquer transcendência, mesmo aquela além do pensamento.
- Realização do Nirvana como lucidez impiedosa e retirada definitiva, colocando fim ao estado de alma que submetia o indivíduo ao mundo das ilusões.
- Estética da mobilidade nirvânica e experiência de Nara como retorno à origem simples, transcendendo dicotomias entre corpo e espírito.
- Observação de Nishitani como ícone de ascese sem ascetismo, onde gestos livres e respiração lenta manifestam corpo glorioso em soberana serenidade.
- Crítica à análise mecânica ocidental do movimento, contrapondo-a à involução budista que reduz o mundo ao nada ativo que o destitui de falsas promessas.
- Percepção do templo em Nara como preenchimento do vazio da natureza, sugerindo continuidade entre divino e cotidiano sem armadilhas de arrière-mondes.
- Conclusão sobre transcendência imanente que une mística hindu e radicalismo de Kyoto em silêncio que não tolera mais reversibilidade.
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